Coração de porco é apresentado como humano em postagem enganosa

Coração de porco é apresentado como humano em postagem enganosa

Boato alarmista foi compartilhado mais de 270 mil vezes no Facebook em uma semana

Alessandra Monnerat

13 de março de 2020 | 17h05

A foto de um coração infectado foi compartilhada mais de 272 mil vezes no Facebook desde o dia 3 de março com a legenda: “quando você come muito a carne de porco teu coração fica assim”. Mas a imagem não mostra um órgão humano, e sim um coração suíno com cisticercose — infecção causada por um tipo de tênia (verme).

A imagem foi compartilhada inicialmente pela página “Anatomia é” em outubro de 2018, com legenda que informava se tratar de um “caso raro de cisticercose em coração suíno”.

Publicação com legenda falsa teve mais de 270 mil compartilhamentos. Foto: Reprodução/Facebook

De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), humanos podem pegar cisticercose ao ingerir carne suína infectada e mal cozida, ou água contaminada. As larvas da tênia podem se instalar em músculos, pele, olhos e no sistema nervoso central, causando sérios prejuízos à saúde. 

Mas a doença tem tratamento e é prevenível. O Centro de Prevenção e Controle de Doenças dos Estados Unidos (EUA) recomenda seguir regras de higiene básicas, como lavar as mãos após usar o banheiro e antes de comer; lavar bem vegetais e frutas antes de comê-los; e ingerir comida bem cozida e água potável. Segundo o CDC, a maior incidência da cisticercose é em áreas rurais sem saneamento básico.   

A AFP também checou essa imagem. 

Este boato foi checado por aparecer entre os principais conteúdos suspeitos que circulam no Facebook. O Estadão Verifica tem acesso a uma lista de postagens potencialmente falsas e a dados sobre sua viralização em razão de uma parceria com a rede social. Quando nossas verificações constatam que uma informação é enganosa, o Facebook reduz o alcance de sua circulação. Usuários da rede social e administradores de páginas recebem notificações se tiverem publicado ou compartilhado postagens marcadas como falsas. Um aviso também é enviado a quem quiser postar um conteúdo que tiver sido sinalizado como inverídico anteriormente.

Um pré-requisito para participar da parceria com o Facebook  é obter certificação da International Fact Checking Network (IFCN), o que, no caso do Estadão Verifica, ocorreu em janeiro de 2019. A associação internacional de verificadores de fatos exige das entidades certificadas que assinem um código de princípios e assumam compromissos em cinco áreas:  apartidarismo e imparcialidade; transparência das fontes; transparência do financiamento e organização; transparência da metodologia; e política de correções aberta e honesta. O comprometimento com essas práticas promove mais equilíbrio e precisão no trabalho.

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