É falso que adolescente canadense tenha sofrido parada cardíaca após vacinação contra covid

É falso que adolescente canadense tenha sofrido parada cardíaca após vacinação contra covid

Autoridades de saúde da província de Nova Escócia alertaram que vídeo que circula no WhatsApp é mentiroso; imunizante é considerado seguro e eficaz para a faixa etária

Alessandra Monnerat

30 de setembro de 2021 | 16h30

Não há evidências que uma adolescente de 13 anos tenha sofrido parada cardíaca após tomar a vacina contra covid-19 em Halifax, no Canadá. Essa alegação falsa circula em vídeo no WhatsApp, em que uma mulher diz que uma amiga de sua filha foi internada após ser imunizada. As autoridades de Saúde da província de Nova Escócia, citada na gravação, esclareceram que não há registros de casos como o descrito no vídeo.

Leitores pediram a checagem do vídeo por WhatsApp, (11) 97683-7490.

O diretor médico de Saúde da Nova Escócia, Robert Strang, disse à imprensa canadense que nem os Serviços de Emergência (EHS, na sigla em inglês) nem o hospital pediátrico de Halifax (IWK Health Centre) tinham registro de um caso como o relatado no vídeo. “Não há nada que sugira que este seja um evento que realmente ocorreu”, disse ele, segundo a CBC.

“É muito importante que todos os que podem ser vacinados sejam vacinados”, afirmou Strang. “As vacinas são eficazes. As vacinas são seguras. Milhões de pessoas em todo o mundo foram imunizadas e podemos com certeza dizer que são seguras e eficazes.”

O médico desmentiu o vídeo na sexta-feira, 24. Nesta terça-feira, 28, o site de fact-checking americano Politifact contactou as autoridades sanitárias da província para confirmar se havia novidades sobre o caso. 

“Estamos cientes desse vídeo”, disse ao site Marla McInnis, porta-voz do departamento de Saúde e Bem-Estar da província. “Até o momento, não houve nenhum relato à Saúde Pública, ao EHS ou ao IWK sobre este incidente. Informações incorretas como essa podem ser muito prejudiciais e preocupam todos nós.”

No vídeo que circula no WhatsApp, a mulher diz que recebeu uma ligação da filha e que a menina estaria muito preocupada com uma amiga. Ela acrescenta que a adolescente não queria tomar a vacina, mas se sentiu obrigada para poder voltar a praticar esportes. 

O Canadá aprovou o uso da vacina Pfizer em adolescentes de 12 a 15 anos em maio. O Departamento de Saúde canadense informou ter realizado “uma revisão científica completa e independente das evidências” para determinar que o imunizante é seguro e eficaz para a faixa etária. 

A província de Nova Escócia exige prova de vacinação para participação na maioria dos eventos públicos, como shows e festivais, e para entrada em locais como restaurantes, academias e museus. Adolescentes de 13 a 18 anos devem comprovar estar vacinados até novembro para continuar a participar de atividades culturais e esportivas.

A vacina é obrigatória para funcionários do governo canadense desde agosto. Em Nova Escócia, trabalhadores das áreas de saúde e educação também devem se vacinar para retornar ao trabalho.

A mulher no vídeo argumenta que a vacina não seria necessária para adolescentes, porque não havia casos de mortes por covid-19 nessa faixa etária em Nova Escócia. A província não detalha a idade das pessoas que morreram por causa da doença, apenas que a média de idade dos pacientes que faleceram é de 78 anos. Há 624 casos de infecção em crianças de 12 a 16 anos desde o início da pandemia. No total, são 6.638 registros na região, sendo 97 mortes. 

Nova Escócia é a segunda menor província do Canadá e está localizada no leste do país, no litoral do Oceano Atlântico.

Vale ressaltar que a vacinação contra covid-19 não é apenas uma questão de proteção individual. O epidemiologista Pedro Hallal disse ao Estadão no início deste mês que campanhas de vacinação não podem ser destinadas só a grupos de risco. “Campanha de vacinação é para atingir imunidade coletiva. Então, quanto mais gente estiver vacinada, mais a gente está protegido”, afirmou.

Campanha antivacina mira imunização de adolescentes

Fique atento! Circulam nas redes sociais vários relatos de supostas reações à vacina em adolescentes. O Estadão Verifica desmentiu que jovens em São Paulo, Bahia e Santa Catarina tenham morrido por causa da vacinação. Até o momento, não há confirmação no Brasil de mortes de adolescentes relacionadas à vacina contra covid.

A bula da Pfizer alerta que casos “muito raros” de miocardite e pericardite foram relatados após vacinação com o imunizante. Ocorreram geralmente em homens jovens e em até 14 dias após a segunda dose.

“Geralmente são casos leves e os indivíduos tendem a se recuperar dentro de um curto período de tempo após o tratamento padrão e repouso”, diz a bula. O texto recomenda que as pessoas que tomarem a vacina fiquem atentas para sinais como falta de ar, palpitações e dores no peito e que procurem atendimento médico imediato, caso ocorram.

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