Brasil não tem ‘maior taxa de recuperação’ de covid-19 no mundo; post no Facebook faz comparação inadequada
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Brasil não tem ‘maior taxa de recuperação’ de covid-19 no mundo; post no Facebook faz comparação inadequada

Tabela que circula nas redes sociais omite países com maior porcentagem de recuperação, como a Alemanha

Alessandra Monnerat

23 de abril de 2020 | 18h09

É falso que o Brasil seja o país com maior taxa de recuperação de pacientes com a covid-19, doença causada pelo novo coronavírus. Essa alegação tem circulado de forma viral no Facebook acompanhada de uma tabela com dados retirados do site Worldometers no dia 20 de abril — apesar de os números estarem corretos, a listagem omite países com mais casos de recuperação e faz comparações inadequadas.

Tabela omite dados de países e faz comparação inadequada. Foto: Reprodução/Facebook

Não é possível comparar a taxa de recuperação de cada nação pois a capacidade de testagem de cada governo é limitada. Ou seja, tanto a cifra de infectados quanto a de recuperados está subnotificada. No Brasil, especialistas apontam que o número real de casos de coronavírus pode ser até 12 vezes maior do que o divulgado oficialmente.

Veja abaixo uma tabela com a taxa de testagem nos países mais afetados pela pandemia do novo coronavírus. Os números se referem ao número de testes aplicados a cada milhão de habitantes até esta quinta-feira, 23 de abril. Repare que o Brasil está em uma das últimas colocações.

Mesmo que a comparação entre diferentes países fosse cabível, o Brasil não teria a maior taxa de recuperados do mundo. Na tabela abaixo, reunimos os dados das nações mais afetadas pelo novo coronavírus e os comparamos com os números brasileiros. A porcentagem de recuperação em relação ao total registrado de infectados é maior na China, no Irã e na Alemanha. Esses países não são mostrados na postagem enganosa no Facebook.

Aos Fatos também checou essa postagem.

Este boato foi checado por aparecer entre os principais conteúdos suspeitos que circulam no Facebook. O Estadão Verifica tem acesso a uma lista de postagens potencialmente falsas e a dados sobre sua viralização em razão de uma parceria com a rede social. Quando nossas verificações constatam que uma informação é enganosa, o Facebook reduz o alcance de sua circulação. Usuários da rede social e administradores de páginas recebem notificações se tiverem publicado ou compartilhado postagens marcadas como falsas. Um aviso também é enviado a quem quiser postar um conteúdo que tiver sido sinalizado como inverídico anteriormente.

Um pré-requisito para participar da parceria com o Facebook  é obter certificação da International Fact Checking Network (IFCN), o que, no caso do Estadão Verifica, ocorreu em janeiro de 2019. A associação internacional de verificadores de fatos exige das entidades certificadas que assinem um código de princípios e assumam compromissos em cinco áreas:  apartidarismo e imparcialidade; transparência das fontes; transparência do financiamento e organização; transparência da metodologia; e política de correções aberta e honesta. O comprometimento com essas práticas promove mais equilíbrio e precisão no trabalho.

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