Bolsonaristas polarizam até fast-food ao acusar Burger King de ‘apoiar a esquerda’

Bolsonaristas polarizam até fast-food ao acusar Burger King de ‘apoiar a esquerda’

Vídeo viraliza ao mostrar que máquina de autoatendimento da lanchonete não aceita pedido feito com o nome do presidente; empresa afirma que bloqueia 'termos de cunho político'

Clarissa Pacheco

07 de dezembro de 2021 | 10h34

Pouco mais de três anos depois do primeiro caso, viralizou nas redes outro vídeo que insinua que a rede de fast-food Burger King é contra Jair Bolsonaro (PL). Desta vez, um homem gravou imagens de uma máquina de autoatendimento da rede ao tentar fazer um pedido de sobremesa usando o nome do presidente, sem sucesso: “O Jair já não pode comer, né?”, afirma, antes de tentar fazer a compra em nome do vereador Carlos Bolsonaro e também ter o pedido negado. A compra é efetivada quando ele insere o nome do ex-juiz e ex-ministro Sergio Moro.

O título do vídeo que viralizou é “Burger King apoiando a esquerda”, e o conteúdo é enganoso, já que a rede não declarou apoio a nenhum candidato e bloqueou, além do nome de Bolsonaro, o de outros atores do cenário político brasileiro. Sérgio Moro tampouco pode ser considerado um político de esquerda. As imagens foram gravadas para o TikTok e compartilhadas por um perfil no Facebook. O post acumula neste momento (7 de dezembro de 2021) mais de 1 milhão de visualizações, 44 curtidas e 8,6 mil comentários.

No vídeo, o homem mostra um terminal de autoatendimento de uma lanchonete da rede Burger King e afirma: “Se o Bolsonaro viesse aqui, vamos ver se ele poderia comer”. Ele, então, seleciona um produto e, no momento de finalizar a compra e inserir o nome do cliente, digita “Jair Bolsonaro”. Na tela, aparece a seguinte mensagem: “O nome ou termo digitado não é válido. Por favor, escreva novamente”.

Na segunda tentativa, o homem escreve o nome de um dos filhos do presidente, que também é recusado pelo sistema. Na terceira tentativa, com o nome de Moro, pré-candidato à Presidência pelo partido Podemos, o pedido é aceito. O autor do vídeo então afirma que a rede de fast-food deveria ser processada. “Eles estão aqui censurando o nome do presidente da República, do filho do presidente, mas o da terceira via, não.”

A rede de lanchonetes confirmou, em nota ao Estadão Verifica, que bloqueia o uso de alguns nomes em suas máquinas. “O Burger King esclarece que foram bloqueados nomes e termos de cunho político em seus totens de autoatendimento e que segue acompanhando e analisando a retirada de novos nomes, com o objetivo de evitar potenciais conflitos em seus restaurantes”, diz a nota.

Caso de 2018

Em outubro de 2018, entre o primeiro e o segundo turno das eleições presidenciáveis, o Burger King foi acusado por simpatizantes de Jair Bolsonaro de fazer campanha contra o então candidato do PSL. No vídeo que viralizou nas redes, um homem tentava fazer uma compra em um totem de autoatendimento usando o nome de Bolsonaro, mas era barrado. Na sequência, a compra era autorizada quando ele usava o nome do ex-presidente Lula.  Na época, a empresa afirmou que não apoiava nenhum candidato ou grupo político e que os nomes dos dois candidatos à rodada final da eleição estavam bloqueados – tanto o de Jair Bolsonaro quanto o de Fernando Haddad. “A partir de agora, para evitar possíveis associações políticas, bloqueamos outros nomes que possam ser associados à disputa”, dizia o comunicado, postado em formato de vídeo no canal da rede de fast food no YouTube. Na sequência, as imagens mostravam que, assim como os nomes de Bolsonaro e Haddad, o de Lula também estava bloqueado.


Este boato foi checado por aparecer entre os principais conteúdos suspeitos que circulam no Facebook. O Estadão Verifica tem acesso a uma lista de postagens potencialmente falsas e a dados sobre sua viralização em razão de uma parceria com a rede social. Quando nossas verificações constatam que uma informação é enganosa, o Facebook reduz o alcance de sua circulação. Usuários da rede social e administradores de páginas recebem notificações se tiverem publicado ou compartilhado postagens marcadas como falsas. Um aviso também é enviado a quem quiser postar um conteúdo que tiver sido sinalizado como inverídico anteriormente.

Um pré-requisito para participar da parceria com o Facebook  é obter certificação da International Fact Checking Network (IFCN), o que, no caso do Estadão Verifica, ocorreu em janeiro de 2019. A associação internacional de verificadores de fatos exige das entidades certificadas que assinem um código de princípios e assumam compromissos em cinco áreas:  apartidarismo e imparcialidade; transparência das fontes; transparência do financiamento e organização; transparência da metodologia; e política de correções aberta e honesta. O comprometimento com essas práticas promove mais equilíbrio e precisão no trabalho.

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