Boato inventa que PF teria descoberto ‘rombo de quase R$ 1 trilhão’ no BNDES
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Boato inventa que PF teria descoberto ‘rombo de quase R$ 1 trilhão’ no BNDES

Não há registro de operação que tenha revelado prejuízo desse tamanho aos cofres públicos; banco desmente rumor

Samuel Lima, especial para o Estadão

19 de fevereiro de 2021 | 12h43

Não é verdade que a Polícia Federal tenha descoberto um rombo de quase R$ 1 trilhão no Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) em razão de supostos desvios que teriam sido praticados pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A alegação falsa aparece em um boato antigo, compartilhado inicialmente em abril de 2019, que voltou a viralizar no Facebook. Não há registro de nenhuma operação da PF que tenha revelado essa informação. O BNDES também nega qualquer rombo em suas contas.

Em resposta ao Estadão Verifica, o banco disse que publica os resultados financeiros, a cada trimestre, seguindo normas internacionais de contabilidade. Além disso, destaca que as demonstrações financeiras incluem sempre parecer de auditoria independente atestando a confiabilidade das informações prestadas. “A título de exemplificação, no terceiro trimestre de 2020, o banco teve lucro de R$ 8,73 bilhões e possuía em tesouraria R$ 134,5 bilhões, conforme divulgado em relatório trimestral”, acrescenta o BNDES.

Postagem falsa alega que PF teria descoberto rombo de quase R$ 1 trilhão no BNDES. Foto: Reprodução / Arte Estadão

A agência de notícias da estatal desmentiu uma alegação semelhante em maio de 2019. Na época, circulava nas redes que uma auditoria do Tribunal de Contas da União (TCU), e não a Polícia Federal, teria constatado o “sumiço” de R$ 1,2 trilhão dos recursos do banco. O BNDES afirma no texto que “nenhum recurso some” de seus balanços financeiros e que o boato provavelmente estava distorcendo uma auditoria de conformidade do TCU, iniciada em 2014 “com o intuito de analisar os empréstimos e aportes em empresas realizados pelo Banco na última década — operações de apoio que somam, em valores nominais, aproximadamente o valor de que trata o boato”. Os valores, portanto, referem-se à soma das operações realizadas, e não a um rombo.

A afirmação falsa analisada nesta checagem é acompanhada da reprodução do título de uma publicação do site “Jornal do País”. O Estadão Verifica procurou pelos termos na internet e chegou até o endereço da postagem, que atualmente está fora do ar. O título afirmava que Lula seria “o ex-presidente mais rico do País”, alegação que foi desmentida naquela época em checagem do UOL Confere.

Esse boato também foi verificado pelo Aos Fatos, que classificou o conteúdo como falso, da mesma forma.

Este boato foi checado por aparecer entre os principais conteúdos suspeitos que circulam no Facebook. O Estadão Verifica tem acesso a uma lista de postagens potencialmente falsas e a dados sobre sua viralização em razão de uma parceria com a rede social. Quando nossas verificações constatam que uma informação é enganosa, o Facebook reduz o alcance de sua circulação. Usuários da rede social e administradores de páginas recebem notificações se tiverem publicado ou compartilhado postagens marcadas como falsas. Um aviso também é enviado a quem quiser postar um conteúdo que tiver sido sinalizado como inverídico anteriormente.

Um pré-requisito para participar da parceria com o Facebook  é obter certificação da International Fact Checking Network (IFCN), o que, no caso do Estadão Verifica, ocorreu em janeiro de 2019. A associação internacional de verificadores de fatos exige das entidades certificadas que assinem um código de princípios e assumam compromissos em cinco áreas:  apartidarismo e imparcialidade; transparência das fontes; transparência do financiamento e organização; transparência da metodologia; e política de correções aberta e honesta. O comprometimento com essas práticas promove mais equilíbrio e precisão no trabalho.

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