Boato falso diz que professor americano crítico a Bolsonaro é ‘namorado de Dilma’
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Boato falso diz que professor americano crítico a Bolsonaro é ‘namorado de Dilma’

Homossexual assumido, brasilianista James Green ficou conhecido por foto com a petista e é alvo de boato após defender boicote contra ida do presidente aos EUA

Paulo Roberto Netto

23 de maio de 2019 | 19h46

O brasilianista da Brown University, James Green, com a ex-presidente Dilma Rousseff, em Nova York. Foto: James Green / Facebook

O professor de história latino-americana James Green, brasilianista da Brown University, é alvo de boatos falsos após defender o boicote à ida do presidente Jair Bolsonaro a Nova York, no início deste mês. Os textos falsos dizem que o docente é “namorado de Dilma” e um “esquerdista brasileiro”.

O boato diz que Green foi um dos “arautos” e “estaria por trás” dos protestos contra a cerimônia de entrega do Prêmio do Ano a Bolsonaro, evento realizado pela Câmara de Comércio Brasil-EUA. A desinformação afirma que o docente teria ficado conhecido em 2017 “após ser flagrado passeando com a ex-presidente Dilma” e seria um affair da petista.

“Trocando um miúdos [sic]: James Green não passa de um vassalo dos comunistas, além de possuir um péssimo gosto para escolher namoradas”, afirma o texto.

As informações, no entanto, são falsas e distorcidas.

Homossexual assumido, James Green foi descrito como “namorado da Dilma” em 2017 após a repercussão de uma reportagem sobre suposto relacionamento com a petista. A prova do “affair” seriam fotos da dupla durante visita da ex-presidente a Nova York, incluindo uma em que ambos estão abraçados em um restaurante.

O próprio historiador desmentiu a história. À revista piauí em maio daquele ano, Green classificou a notícia como “bobagem” e ironizou: “Ouviu a boa notícia? Eu e Dilma vamos nos casar!”

‘Brasileiro esquerdista’. Nas redes sociais, Green desmentiu no início deste mês outro boato que o acusava de ser um “professor esquerdista brasileiro”.

 

“Eu não tinha notado no outro dia quando Bolsonaro e o seu filho twittaram sobre mim e me chamaram de brasileiro. Será que me tornei cidadão por uma Medida Provisória? O Congresso pode revogar a minha cidadania? Preciso um advogado para me orientar!”, ironizou.

Nascido em Baltimore, nos Estados Unidos, o docente americano morou no Brasil por oito anos durante a ditadura militar. Ativista dos direitos LGBT, Green é autor de dois livros cuja temática é relacionada ao Brasil: Além do Carnaval: a homossexualidade masculina no Brasil do século XX e Apesar de Vocês: a oposição e a ditadura militar brasileira nos EUA.

No início deste mês, o docente foi uma das vozes contrárias à ida de Bolsonaro aos Estados Unidos. Em entrevista ao jornal britânico Financial Times, afirmou que o presidente brasileiro “se tornou um pária que somente é bem-vindo por aqueles que concordam com suas políticas”.

Boatos relacionados aos protestos contra a viagem de Bolsonaro ganharam tração neste mês após o presidente cancelar a ida a Nova York. Nesta semana, o Estadão Verifica checou ser falsa a informação de que o prefeito de Nova York, Bill de Blasio, respondia por corrupção e não encontrou evidências que ele responde ou teria respondido pelos crimes de estupro e tráfico.

Este boato foi selecionado para checagem por meio da parceria entre o Estadão Verifica e o Facebook.

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