Boato falso cita condenado por pedofilia em ataque ao movimento #EleNão
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Boato falso cita condenado por pedofilia em ataque ao movimento #EleNão

Professor que foi preso por abuso de menores é falsamente ligado a mobilização de mulheres contra Jair Bolsonaro

Paulo Roberto Netto

29 de outubro de 2019 | 12h18

Imagens e montagens compartilhadas no Facebook afirmam falsamente que o ex-professor de música Pedro Henrique Barbosa, preso e condenado por pedofilia, foi o criador do movimento #EleNão. A hashtag e os atos que mobilizaram o País durante as eleições, na verdade, surgiram de um grupo na rede social exclusivo para mulheres.

Manifestação do movimento #EleNão no Largo da Batata, em São Paulo. Foto: Gabriela Biló / Estadão (29/09/2018)

O #EleNão apareceu pela primeira vez no grupo “Mulheres Unidas Contra Bolsonaro”, criado no dia 30 de agosto de 2018 pela ativista Ludimilla Teixeira, de Salvador. Atualmente, o grupo mudou de nome e se chama “Mulheres Unidas Com o Brasil” e conta com mais de 2,4 milhões de usuárias.

Segundo a professora de filosofia Maíra Motta, integrante e uma das primeiras administradoras do grupo, foi uma usuária do “Mulheres Unidas Contra Bolsonaro” quem criou o slogan. “Quanto à hashtag #EleNão, ela foi postada por uma garota dentro do grupo”, afirmou. “Aí começou a ganhar corpo lá dentro. O estouro do grupo e as mobilizações pelo país ainda não haviam ocorrido.” Para Motta, o boato sobre o envolvimento de Pedro Henrique Barbosa busca desmerecer o movimento.

O “Mulheres Unidas Contra Bolsonaro” foi criado com a premissa de ser um grupo exclusivo para mulheres: isso aparece nas regras públicas do grupo. “Entendemos que os homens fazem parte do nosso convívio, mas o grupo foi criado para debate entre mulheres sobre assuntos que dizem respeito ao nosso universo”, contou Motta. “Mulheres trans e travestis são bem vindas.” Todas as treze atuais administradoras e 40 moderadoras são mulheres.

A hashtag rapidamente viralizou em setembro do ano passado, um mês antes das eleições, e impulsionou manifestações de rua contra a candidatura do então deputado federal Jair Bolsonaro (PSL) à Presidência. No dia 29 daquele mês, foram realizados atos contra Bolsonaro em diversas capitais do País. Celebridades como Madonna e Sônia Braga também aderiram ao #EleNão.

Condenado. Identificado falsamente pelo boato como criador do #EleNão, o ex-professor de música Pedro Henrique Barbosa foi preso em outubro do ano passado no âmbito da Operação Mestre Impuro. Em julho deste ano, ele foi condenado a 90 anos, seis meses e 20 dias de prisão pelo abuso sexual de duas crianças.

Caminho da verificação. Para verificar este boato, o Estadão Verifica consultou reportagens do ‘Estado’, da BBC Brasil e do El País Brasil sobre o movimento #EleNão, além de entrar em contato com a professora Maíra Motta, que administrou o grupo “Mulheres Unidas Contra Bolsonaro”. A reportagem também analisou o histórico do grupo no Facebook.

Este boato foi selecionado para verificação por meio da parceria entre o Estadão Verifica e o Facebook. O Boatos.org também desmentiu este conteúdo.

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