Boato falso associa quarentena com vídeo antigo de descarte de alimentos
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Boato falso associa quarentena com vídeo antigo de descarte de alimentos

Gravação no Ceagesp foi feita após enchentes de fevereiro; decreto estadual não afetou entreposto

Tiago Aguiar

30 de março de 2020 | 10h54

Uma filmagem de homens descartando alimentos ao lado de caminhões, no espaço da Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo (Ceagesp), circula pelas redes sociais com legendas negativas sobre o governador João Doria. As postagens com o vídeo, da última semana, são enganosas em relação à data da gravação. O vídeo é de 11 de fevereiro deste ano, após o temporal que atingiu a Grande São Paulo no dia anterior e alagou o entreposto. A peça circulou amplamente na ocasião e foi usada por veículos de imprensa.

Na ocasião, o balanço feito pela companhia foi de um prejuízo estimado em R$ 24 milhões e sete mil toneladas de alimentos jogadas fora. Em postagem da última sexta-feira, 27,o Ceagesp reforçou que seu funcionamento segue normal. A assessoria do grupo confirmou ao Estadão Verifica que o vídeo é antigo e, em nota, afirma que a desinformação “têm como único objetivo prejudicar nossas atividades e, consequentemente, o abastecimento.”

As páginas que compartilharam o conteúdo no Facebook são de apoio ao presidente Jair Bolsonaro, que desde quarta-feira passada faz declarações fortes contra Doria. Pelo contexto de suas publicações e comentários é sugerido que o desperdício de alimentos tem relação com a determinação do governo estadual paulista de fechamento do comércio e serviços não essenciais. No entanto, serviços de alimentação e abastecimento não estão incluídos. Na sexta-feira o governo federal criou o slogan ‘o Brasil não pode parar’, tema da campanha criada pelo governo contra o isolamento decretado na maioria dos Estados.

Este conteúdo também foi verificado pelo Fato ou Fake.

Permissionários descartam frutas no Mercado Ceagesp, após as fortes chuvas de 10 de fevereiro de 2020. Foto: FELIPE RAU/ESTADAO

 

Este boato foi checado por aparecer entre os principais conteúdos suspeitos que circulam no Facebook. O Estadão Verifica tem acesso a uma lista de postagens potencialmente falsas e a dados sobre sua viralização em razão de uma parceria com a rede social. Quando nossas verificações constatam que uma informação é enganosa, o Facebook reduz o alcance de sua circulação. Usuários da rede social e administradores de páginas recebem notificações se tiverem publicado ou compartilhado postagens marcadas como falsas. Um aviso também é enviado a quem quiser postar um conteúdo que tiver sido sinalizado como inverídico anteriormente.

Um pré-requisito para participar da parceria com o Facebook  é obter certificação da International Fact Checking Network (IFCN), o que, no caso do Estadão Verifica, ocorreu em janeiro de 2019. A associação internacional de verificadores de fatos exige das entidades certificadas que assinem um código de princípios e assumam compromissos em cinco áreas:  apartidarismo e imparcialidade; transparência das fontes; transparência do financiamento e organização; transparência da metodologia; e política de correções aberta e honesta. O comprometimento com essas práticas promove mais equilíbrio e precisão no trabalho.

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