Boato triplica número de cadastrados para receber auxílio emergencial
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Boato triplica número de cadastrados para receber auxílio emergencial

Até quinta-feira, 51 milhões de pessoas haviam se inscrito para receber benefício de R$ 600 para trabalhadores informais

Pedro Prata

08 de maio de 2020 | 12h45

Um boato exagera o número de solicitantes do auxílio emergencial do governo federal durante a pandemia de covid-19 para atacar pessoas contrárias ao presidente Jair Bolsonaro (sem partido). O texto afirma que a Caixa Econômica Federal teria recebido 170 milhões de cadastros, mas esse dado está incorreto. A mensagem com informações falsas foi compartilhada no Facebook em uma postagem feita em 5 de maio já foi visualizada mais de 309,4 mil vezes.

Em busca do saque em dinheiro dos R$ 600 do auxílio emergencial, trabalhadores enfrentam longas filas nas agências da Caixa. Foto: Wilton Júnior/Estadão

O banco responsável pela liberação do auxílio de R$ 600 para trabalhadores informais atualiza uma página em seu portal com os dados sobre o socorro emergencial. Até as 16h desta quinta, 7, a Caixa havia recebido cerca de 51,1 milhões de cadastros. Destes, 50 milhões de pessoas haviam sido beneficiadas, com total de R$ 35,5 bilhões.

“A Caixa esclarece que a análise é feita pela Dataprev, instituição do governo federal responsável por verificar se o cidadão cumpre todas as exigências previstas na lei. Uma vez concluída a análise e retornando como ‘aprovada’, a liberação do recurso é realizada pela Caixa”, informou o banco ao Estadão Verifica por meio de nota.

O boato afirma que a quantidade de pessoas que teriam pedido o auxílio seria três vezes maior do que os cerca de 57 milhões de votos que Bolsonaro obteve nas eleições presidenciais de 2018, segundo o Tribunal Superior Eleitoral.

Foto: Caixa/Divulgação

Este boato foi checado por aparecer entre os principais conteúdos suspeitos que circulam no Facebook. O Estadão Verifica tem acesso a uma lista de postagens potencialmente falsas e a dados sobre sua viralização em razão de uma parceria com a rede social. Quando nossas verificações constatam que uma informação é enganosa, o Facebook reduz o alcance de sua circulação. Usuários da rede social e administradores de páginas recebem notificações se tiverem publicado ou compartilhado postagens marcadas como falsas. Um aviso também é enviado a quem quiser postar um conteúdo que tiver sido sinalizado como inverídico anteriormente.

Um pré-requisito para participar da parceria com o Facebook  é obter certificação da International Fact Checking Network (IFCN), o que, no caso do Estadão Verifica, ocorreu em janeiro de 2019. A associação internacional de verificadores de fatos exige das entidades certificadas que assinem um código de princípios e assumam compromissos em cinco áreas:  apartidarismo e imparcialidade; transparência das fontes; transparência do financiamento e organização; transparência da metodologia; e política de correções aberta e honesta. O comprometimento com essas práticas promove mais equilíbrio e precisão no trabalho.

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