Auditoria em urnas apreendidas no Paraná concluiu que não houve fraude
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Auditoria em urnas apreendidas no Paraná concluiu que não houve fraude

Mais um boato sobre suposta fraude circula no WhatsApp com alegações falsas

Estadão Verifica

23 de outubro de 2018 | 16h36

checagem abaixo foi publicada pelo Projeto Comprova. A verificação foi realizada por uma equipe de jornalistas de O Povo e Bandnews FM. Outras redações concordaram com a checagem, no processo conhecido como “crosscheck”.

Projeto Comprova é uma coalizão de 24 veículos de mídia com o objetivo de combater a desinformação durante o período eleitoral. Você pode sugerir checagens por meio do número de WhatsApp (11) 97795-0022.

Mensagem que circula no WhatsApp sobre comprovação de fraude nas urnas que foram apreendidas em Curitiba no dia 7 de outubro, no primeiro turno das eleições, é falsa. A auditoria de tais urnas – que foi determinada pelo corregedor regional eleitoral, desembargador Gilberto Ferreira, atendendo a pedido de comissão provisória do PSL –, ainda não havia sido realizada quando o boato começou a circular. O Tribunal Regional Eleitoral do Paraná (TRE-PR) realizou a auditoria no dia 19 de outubro e descartou a fraude.

Para verificar o áudio, o Comprova entrou em contato com o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e com o Tribunal Regional Eleitoral do Paraná (TRE-PR), que informaram que nesta quinta-feira, 18, às 14 horas, foi realizada uma audiência pública para instalar a auditoria das urnas da 1ª Zona Eleitoral de Curitiba pertencentes às seções 654, 655, 664 e 674; da 178ª Zona Eleitoral de Curitiba, a urna pertencente à seção 114; e da 9ª Zona Eleitoral de Campo Largo, a pertencente à seção 292.

A auditoria aconteceu na sexta-feira, 19 de outubro, na sede do TRE-PR. Na ocasião, os auditores responderam “a uma pergunta muito simples: os problemas apontados pelos eleitores foram decorrentes de algum tipo de fraude visando modificar a intenção do voto?”, explicou Ferreira. O resultado da auditoria saiu no mesmo dia: “Não há indícios de qualquer fraude no sistema ou no funcionamento das urnas”.

O áudio falso de mais de cinco minutos tem sido compartilhado acompanhado do texto: “As provas foram entregues ao Delegado Franschini (sic) é a cúpula do PSL. Coisa de derrubar a República… Os militares estão (a ala esmagadora que apoia Bolsonaro) cientes. Rosa Weber já sabe. Temer já sabe. Villas Boas já sabe. Jungleman (sic) já sabe! A coisa tá pegando…”. Segundo a gravação, “(a eleição) foi fraudada, já está comprovado, o TSE não quer fazer a impugnação das urnas, que é o correto pela Justiça”.

A menção ao deputado federal Delegado Francischini (PSL-PR) é decorrente do pedido realizado pelo parlamentar, através da comissão provisória do PSL, para a realização das auditorias nas urnas, sob o argumento de que vários eleitores relataram que não conseguiram confirmar o voto para presidente da República nas urnas. O deputado anunciou a realização da auditoria na sua página do Facebook no último dia 15, mas não mencionou qualquer conclusão do processo.

Já a afirmação de que autoridades como Rosa Weber, presidente do TSE; Michel Temer (MDB), presidente da República; Eduardo Villas Boas, comandante do Exército Brasileiro; e Raul Jungmann, ministro da Segurança Pública, sabiam da “fraude” é inadequada, já que ela não foi confirmada. Por meio de nota, o TSE afirmou que “trata-se de mais um conteúdo falso” e que, “nos 22 anos de urnas eletrônicas, não há qualquer comprovação de fraudes relacionadas a esses equipamentos”.

A gravação dizia ainda que “a cada não sei quantos votos eram votos mandados para a chapa do Haddad (sic)” e que a fraude estaria no código-fonte das urnas. Sobre isso, a nota do TSE esclareceu que “todas as urnas utilizam os mesmos sistemas, os quais são criptografados e assinados digitalmente. O código-fonte dos sistemas eleitorais ficou disponível para auditoria por seis meses” e que “por esse processo de auditoria, é verificado que os votos inseridos na urna correspondem ao total por elas apurado”.

A mensagem enganosa chegou ao Comprova por meio do WhatsApp.

Este post foi atualizado em 23 de outubro de 2018.

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