Votos tucanos expõem a grave crise do PSDB

Votos tucanos expõem a grave crise do PSDB

Alberto Bombig e Matheus Lara

13 de agosto de 2021 | 05h00

Os recentes votos de parlamentares tucanos na contramão de posições históricas do PSDB são apenas a parte pública da avassaladora crise de identidade e de valores que acomete o partido. Sob o ocaso das antigas lideranças, os bastidores tucanos viraram de vez uma terra de ninguém onde as leis da conveniência pessoal e da sobrevivência política imperam.

É nesse clima de traições e puxadas de tapete que o partido tenta realizar suas prévias presidenciais, enquanto um grupo ligado a Aécio Neves (MG) trabalha por fora contra a candidatura própria. Essa mesma ala tucana, por exemplo, não descarta ajudar a construir a opção Rodrigo Pacheco (DEM-MG) ao Planalto.

Brother. Um dos motivos do boicote ilustra à perfeição a estreiteza política de alguns líderes tucanos: o suplente de Pacheco no Senado, Renzo Braz (PP-MG), é muito próximo de Aécio.

Foto: Pablo Valadares/Câmara

Na… Outro motivo: a construção de aliança que inclua o DEM, atual partido de Pacheco, e o PSD, provável destino do presidente do Senado se ele aceitar concorrer ao Planalto.

…vice. Quem trabalha por esse arranjo investe forças e recursos nas prévias em Eduardo Leite, governador do Rio Grande Sul. Ele seria o nome para ser vice de Pacheco ou em qualquer outra chapa presidencial.

Ele não. É senso comum nos bastidores do PSDB que Aécio fará o possível para evitar que o governador João Doria (SP), oponente de Leite, seja candidato a presidente em 2022.

Mas e FHC? Alguém próximo de FHC avisa: ele está firme com o partido, mesmo após ter manifestado apoio a Lula em eventual segundo turno, porém, não quer nem tem forças para negociar alianças ou montar palanques.

Ruído. Em São Paulo, a saída de Geraldo Alckmin do PSDB dispensa comentários sobre o nível de desentendimento no partido.

CLICK. Amanda Salgado e Antônio Neto, ambos do PDT-SP, em debate de diretórios acadêmicos com o presidenciável Ciro Gomes sobre o ensino superior no País.

Na faixa. O MBL distribuirá cerveja a militantes que participarem de um “adesivaço” contra Bolsonaro neste sábado, 14. Quem levar comprovante de vacinação contra a covid-19 ganha uma lata extra.

Mão… Com a ajuda de Arthur Lira, Bolsonaro, desta vez, conseguiu mobilizar a sociedade nas redes sociais. O voto impresso foi o tema mais debatido nesta semana, de acordo com a .MAP, agência de análise de dados e mídias.

…amiga. O tema concentrou 11,41% dos comentários, com a mobilização de diferentes públicos, ao contrário do que vinha ocorrendo, quando o assunto estava circunscrito à direita.

Lacrou. A opinião pública sem militância política teve participação de 37,17% nos debates sobre o voto impresso no período, em discussões que também tiveram participações de influenciadores digitais de direita (12,46%) e de esquerda (11,51%), assim como da opinião pública identificada com a direita: 10,82%.

Pegadinha. Bolsonaro deixou Lira pendurado no pincel ao continuar criticando a urna eletrônica, após ter dito ao presidente da Câmara que aceitaria o resultado. Lira ficou na chuva no episódio.

Ilustração: Kleber Sales/Estadão

PRONTO, FALEI!

Tabata Amaral, deputada federal (PDT-SP)

“O distritão foi retirado em troca da volta das coligações. Ganhamos a nossa luta contra o distritão, mas a volta das coligações, entre outras coisas, continuam representando um grande retrocesso. Por isso, sigo contra essa reforma política.”

Foto: Gabriela Biló/Estadão

 

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