Vacina: negacionismo com os dias contados

Vacina: negacionismo com os dias contados

Coluna do Estadão

08 de dezembro de 2020 | 05h00

Presidente Jair Bolsonaro. FOTO: ERALDO PERES/AP

Cresce em Brasília a sensação de que Jair Bolsonaro usa chave velha em fechadura nova e dará com a cara na porta: na leitura de políticos experientes, o negacionismo do presidente durante a pandemia pode não funcionar quando o assunto é vacina. Segundo eles, no momento em que a classe média e a classe trabalhadora perceberem que lá fora já há gente sendo vacinada e, no Brasil, não existe sequer plano definitivo de vacinação, a popularidade de Bolsonaro estará sob risco. Pior: tudo isso quando o número de mortes volta a crescer no País.

Em pedaços. A gestão ineficiente da pandemia por parte do governo federal vai ser escancarada em termos claros, dizem esses analistas. Os brasileiros menos privilegiados que não podem fazer “home office” e querem voltar a trabalhar em segurança esperam ansiosamente a vacina.

Ferrolho. O discurso negacionista, apesar de absurdo, encontrou ressonância entre parcelas da população que não podiam ficar sem trabalhar. O auxílio emergencial se encarregou de completar as lacunas e a popularidade de Bolsonaro se manteve em viés de alta.

Mudou. Agora, a história é outra: o mundo se mobiliza pela vacina e o auxílio tem data para terminar.

Prestenção. É por isso que no Planalto há quem defenda uma mudança de postura do presidente: priorizar a vacina que chegar primeiro ao mercado.

Mobilização. A Associação Brasileira das Clínicas de Vacinas vai procurar o Ministério da Saúde para saber se será convocada para ajudar na vacinação da covid-19.

Atrasados. “Já era para estar pronto um plano detalhado da vacinação. O Brasil é de uma enorme extensão. Se for feito muito na correria a aplicação do imunizante, pode atrapalhar muito mais que ajudar”, disse o presidente da associação, Geraldo Barbosa.

Fera ferida. Após ter suas peças derrubadas no tabuleiro da sucessão na Câmara, Rodrigo Maia tomou a atitude que muitos brasileiros esperavam dele: colocar o Legislativo do País de cabeça na luta contra a covid-19 e pela ampla vacinação.

SINAIS PARTICULARES.
Rodrigo Maia (DEM-RJ), presidente da Câmara

Ilustração: Kleber Sales

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CLICK. O candidato do PP à Câmara, Arthur Lira (à dir.), almoçou no Recife com o governador Paulo Câmara (à esq.) e parlamentares do Estado para solicitar apoio.

DIVULGAÇÃO/PEDRO MENEZES

Sem… Aliados de Mario Sarrubbo afirmam que a ideia de impeachment do procurador-geral de Justiça do Estado jamais foi cogitada após o episódio do “fura-fila da vacina”, conforme relatado pela Coluna. Um procurador ligado a ele atribui a sugestão aos grupos de oposição do MP-SP.

…radicalismo. Segundo esse procurador, a gestão atual padece em razão do inconformismo de algumas alas pelo fato de João Doria ter exercido, na nomeação de Sarrubbo, seu poder de escolha sem levar em conta os votos da lista tríplice.

PRONTO, FALEI!

Foto: Ascom Conass

Carlos Lula, Presidente do Conass (Conselho Nacional de Secretários de Saúde): “Na falta de uma articulação nacional, surgiram vários planos estaduais e municipais. Cada um buscou protagonismo”, a respeito da vacinação contra a covid-19.

COM REPORTAGEM DE ALBERTO BOMBIG, MARIANA HAUBERT E MARIANNA HOLANDA.

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