Terceira dose da Coronavac embute narrativa eleitoral de Bolsonaro

Terceira dose da Coronavac embute narrativa eleitoral de Bolsonaro

Coluna do Estadão

29 de julho de 2021 | 05h00

Presidente Jair Bolsonaro. FOTO: DIDA SAMPAIO/ESTADÃO

Jair Bolsonaro não desiste: para além de objetivos científicos, o estudo sobre a eventual necessidade de aplicação da terceira dose, a título de “reforço”, em quem tomou a Coronavac embute a intenção de esvaziar o principal ativo até aqui de João Doria (PSDB) e criar narrativas eleitorais para uso do presidente em 2022. Foi por isso que, ciente das intenções de Bolsonaro, o governo de São Paulo se antecipou e anunciou, em 19 de julho, o início de uma nova campanha de vacinação contra a covid-19 no Estado. Na ocasião, o próprio Ministério da Saúde foi pego de surpresa, como mostrou a Coluna.

Dada… Agora, os dois lados correm contra o tempo. Conforme o Plano Nacional de Imunização (PNI), se o ministério determinar a necessidade da terceira dose para quem tomou a Coronavac, o Estado de São Paulo será obrigado a seguir a ordem federal.

…a largada. Por isso, segundo apurou a Coluna, o empenho federal, que tem Marcelo Queiroga à frente, está em criar condições para, na eventualidade da aplicação da terceira dose, iniciar a vacinação do “reforço” ainda neste ano.

Marco. O anúncio feito pelo Estado de São Paulo prevê o início da nova campanha só em janeiro do próximo ano, com a nova Butanvac. Foi em janeiro deste ano que Doria vacinou a primeira brasileira.

Olha só. O plano federal é usar outras vacinas, em especial as bancadas por Bolsonaro, na eventual campanha de reforço. Com isso, Bolsonaro quer criar uma narrativa eleitoral para 2022: a de que a Coronavac “falhou” e que ele é o principal responsável pela total imunização dos brasileiros.

Chegando… Ciro Nogueira está sendo orientado a seguir um script agora que despacha na Casa Civil. Primeiro, fará seu discurso de posse, depois se ambientará dentro do Planalto e, somente então, quebrará a famosa lei do silêncio.

…de leve. Nogueira sabe que pode errar em tudo, menos na articulação. Também há preocupação em não ganhar mais protagonismo do que o presidente Bolsonaro: quem fez isso se deu mal.

Pode isso… Nomeado como interventor da CBF após o afastamento de Rogério Caboclo da presidência, Reinaldo Carneiro Bastos, presidente da Federação Paulista de Futebol (FPF), manteve, por meio de uma empresa, contrato com a entidade até julho deste ano no valor de R$ 60 mil por mês.

…Arnaldo? Durante sua gestão, Caboclo contratou a empresa Ombu Sports Consultoria, sob justificativa de “expertise no desenvolvimento de atividades esportivas necessárias ao fomento do futebol”.

No papel. Segundo documentos aos quais a Coluna teve acesso, a empresa está em nome de Bastos.

Ação! A Polícia Federal lança no Rio de Janeiro, nesta quinta-feira, 29, uma equipe especial de inteligência, com 40 policiais, para focar em crime organizado, corrupção e tráfico.

CLICK. Somente depois de consultar a Igreja Católica a Polícia Federal decidiu usar a imagem do Cristo Redentor no lançamento de equipe especial de inteligência.

FOTO: COLUNA DO ESTADÃO

Dropou. Especialista em surfar as boas ondas das redes sociais, Eduardo Paes (PSD) tem gastado o dedo durante os Jogos de Tóquio. Até foto de tombo de skate o prefeito do Rio de Janeiro já publicou no Instagram.

SINAIS PARTICULARES.
Eduardo Paes, prefeito do Rio de Janeiro

ILUSTRAÇÃO: KLEBER SALES/ESTADÃO

PRONTO, FALEI!

Xico Graziano. FOTO: WERTHER SANTANA/ESTADÃO

Xico Graziano, agrônomo e ex-deputado federal: “Ataque à imagem dos produtores rurais do Brasil. Tereza Cristina deveria exigir reparação moral”, sobre foto de caçador em “homenagem” a agricultores.

COM REPORTAGEM DE ALBERTO BOMBIG. COLABOROU ELIANE CANTANHÊDE

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