Sobrou convicção, mas faltaram nervos de aço

Sobrou convicção, mas faltaram nervos de aço

Coluna do Estadão

04 de abril de 2019 | 05h00

Paulo Guedes na CCJ. FOTO: ANDRE COELHO/ESTADÃO

A batalha da CCJ que tirou Paulo Guedes do sério foi só o início dos embates a ser travados em cerca de 20 sessões da Comissão Especial e das votações em plenário no caminho da reforma da Previdência na Câmara. É um palco onde o governo mais apanha do que bate e requer nervos de aço, alertam veteranos. A despeito das altercações, o ministro da Economia deixou ao menos uma boa impressão no Centrão: tem total convicção na proposta e na necessidade da reforma. Não é pouco quando o próprio Jair Bolsonaro ainda se mostra claudicante.

Bicho pegou. Na avaliação de integrantes da CCJ, se Paulo Guedes tivesse um pouco mais de traquejo político, talvez não tivesse caído na provocação final, feita pelo deputado Zeca Dirceu (PT-PR) com a grosseira citação de um malicioso sucesso do funk carioca.

Cadê as planilhas?. Ainda na linha “entre mortos e feridos”, Guedes foi bem ao demonstrar respeito democrático pela Casa, quando ressaltou que ela dará a palavra final sobre o texto, e mal na ausência de clareza sobre os números.

Fala… O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), se encontrará com empresários, em São Paulo, a convite da Fiesp, na segunda quinzena deste mês. O tema central será a reforma da Previdência.

…que eu te escuto. O encontro será nos moldes do que recebeu Hamilton Mourão no mês passado e reuniu cerca de 700 empresários. Após ouvi-los, o vice-presidente resumiu numa só palavra o sentimento do empresariado: “angústia”.

Tô fora. O PSB, que está caminhando para fechar questão contra a reforma da Previdência, terá traições. O deputado Felipe Rigoni (ES) já avisou que apresentará emendas ao texto, mas votará a favor.

Risco. Após sofrer ameaças, o relator da lei de combate ao crime organizado do pacote de Sérgio Moro no Senado, Marcos do Val (PPS-ES), telefonou para o ministro da Justiça, que prontamente colocou a PF para investigar o caso.

Proteção. Ele terá escolta da Polícia Legislativa, em Brasília, e sua família, de policiais estaduais no ES.

SINAIS PARTICULARES 
Paulo Guedes, ministro da Economia

ILUSTRAÇÃO: KLEBER SALES/ESTADÃO

Segunda rodada. A Casa Civil já começou a procurar os presidentes de partido que serão recebidos na semana que vem. Entraram o Solidariedade, o PSL e o Podemos.

Alerta máximo. O clima entre eles, aliás, é de desconfiança. Há receio até de que as conversas sejam gravadas e expostas depois.

Representante. Até a noite de ontem, Valdemar Costa Neto havia decidido não ir ao encontro com Bolsonaro. Optou por enviar o ex-deputado e ex-ministro Alfredo Nascimento.

CLICK. O ministro Onyx Lorenzoni almoçou na casa de Fábio Ramalho (MDB-MG). Prometeu aos deputados que até o fim do ano vão se sentir valorizados como nunca.

FOTO: JULIANA BRAGA/ESTADÃO

Guarida 1. O diplomata Paulo Roberto de Almeida, ex-diretor do Instituto de Pesquisa de Relações Internacionais, demitido pelo chanceler Ernesto Araújo numa segunda-feira de carnaval, se associou ao Livres (movimento da sociedade liberal e suprapartidário).

Guarida 2. “Ele é uma referência de liberalismo. Por suas opiniões sempre firmes, pagou com o isolamento durante toda a era petista e, defendendo as mesmas ideias, foi afastado pelo governo Bolsonaro”, diz Paulo Gontijo, do Livres.

PRONTO, FALEI!

Lafayette de Andrada. FOTO: NAJARA ARAUJO/CÂMARA DOS DEPUTADOS

Lafayette de Andrada, deputado federal (PRB-MG): “Ficou muito claro que a oposição procurava mais tumultuar e não ia para o embate dos argumentos”, sobre Guedes ontem na Comissão de Constituição e Justiça.

COM REPORTAGEM DE ALBERTO BOMBIG, JULIANA BRAGA E MARIANNA HOLANDA. COLABOROU ELIANE CANTANHÊDE

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