Relatório indica que Lava Jato ignorou foro

Relatório indica que Lava Jato ignorou foro

Coluna do Estadão

26 de julho de 2020 | 05h00

Senador José Serra. FOTO: ANDRÉ DUSEK/ESTADÃO

As evidências e provas reunidas pela defesa de José Serra (PSDB-SP) reforçaram na cúpula do Congresso a convicção de que a Lava Jato e seus braços investigaram (ou investigam) a atividade parlamentar de deputados e senadores, desrespeitando o princípio do foro privilegiado. Relatório do inquérito em que Serra é alvo cita, por exemplo, “projetos de lei” dele, ou seja, a investigação tem origem no passado, quando Serra não era senador, mas se estende para o presente, o que explica a tentativa, frustrada, da busca e apreensão no gabinete tucano.

Anzol. Em busca da reeleição, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), ganhou pontos importantes ao impedir o delegado que comandava a operação de ter acesso ao gabinete. A leitura é de que se tratava de uma “busca prospectiva”, também conhecida como “pescaria”.

Mundo gira. Enquanto o governador João Doria (PSDB-SP) diz que as investigações contra tucanos são “técnicas”, advogados progressistas, alguns ligados ao PT, enxergam instrumentação política e arbitrariedades no inquérito.

CLICK. João Campos (PSB-PE) lembrou nas redes sociais sua participação na Missa do Vaqueiro, de Serrita. Neste ano, a celebração não pode ser presencial.

Jabuti… A proposta de reforma tributária do ministro Paulo Guedes revoga a Lei do Sicobe, o sistema de controle de bebidas frias (entre eles, a produção de cerveja e refrigerantes).

…da sonegação. O sistema estava provisoriamente suspenso desde 2016 e, pela proposta, acabaria de vez agora. Quando foi implementado, o controle mais rígido ajudou a combater a sonegação no setor e elevou a arrecadação em 20%.

Brinde. Segundo investigações conduzidas pela Lava Jato, uma empresa do setor cervejeiro teria sido amplamente usada para lavagem de dinheiro e pagamento de caixa 2 a campanhas políticas, razão pela qual parte de Brasília queria enterrar o sistema de rastreamento.

Como assim? Ao mesmo tempo em que propõe abrir mão do sistema de fiscalização do que já é produzido, Paulo Guedes defende o chamado “imposto do pecado”, o aumento de carga tributária em produtos como bebidas alcoólicas, cigarro, açúcar e alimentos processados.

SINAIS PARTICULARES.
Jair Bolsonaro, presidente da República

ILUSTRAÇÃO: KLEBER SALES/ESTADÃO

Fala… Jair Bolsonaro conversou recentemente com Michel Temer sobre política ambiental. O ex-presidente explicou ao atual como o tema é relevante para a economia e a imagem do Brasil no exterior.

que eu te escuto. Temer aconselhou Bolsonaro a não esticar mais ainda a corda com o pessoal do meio ambiente. Segundo interlocutores, o ex-presidente entende estar sob risco o importante acordo entre Mercosul e União Europeia.

Experiência. Temer lembrou que na ocasião da Renca (quando tentou abrir a reserva para mineração), até Gisele Bündchen se virou contra ele. Errou na forma e teve de recuar.

Se liga. Outro conselho foi para Bolsonaro realinhar sua política externa: pode gostar de Trump, Netanyahu, mas não brigar com China, Palestina e Argentina. Ele está preocupado com o impacto nas exportações do agro brasileiro, principalmente, de proteína animal. “Sei que seu chanceler é mais radical, mas…”, disse.

BOMBOU NAS REDES!

Janaina Paschoal. FOTO: MAURICIO GARCIA DE SOUZA/ALESP

Janaina Paschoal, deputada estadual (PSL-SP): “Os direitistas vão me xingar por ‘elogiar’ a chapa da esquerda. Não conseguirão compreender que enquanto a direita se aniquila, a esquerda se reinventa!”

COM REPORTAGEM DE ALBERTO BOMBIG, MARIANA HAUBERT E MARIANNA HOLANDA.

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