Rede da direita cresce com clã sob pressão

Rede da direita cresce com clã sob pressão

Coluna do Estadão

11 de julho de 2020 | 05h00

Jair Bolsonaro com os filhos Flávio, Eduardo e Carlos. FOTO: RAFAEL CARVALHO/GOV. DE TRANSIÇÃO

Após os recentes reveses nas plataformas digitais já consagradas, o clã Bolsonaro tem ajudado no crescimento no Brasil do Parler, rede social da direita mundial. De acordo com levantamento da consultoria Bites, somente em junho passado os brasileiros fizeram 33 mil downloads do aplicativo no Google Store. Nos meses anteriores, esse número não passava de mil. Outro impulsionador da rede foi o ex-deputado Roberto Jefferson, do PTB. Ele divulgou a plataforma em três mensagens no Twitter, que obtiveram mais de 7 mil compartilhamentos.

Xi… Em março, o Twitter apagou publicações de Jair Bolsonaro. Nesta semana, o Facebook derrubou páginas ligadas ao presidente.

Vem. O senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ) publicou em 1.º de julho em seu Twitter mensagem incentivando seus seguidores a migrarem para o Parler. “A rede social que tem como prioridade a liberdade de expressão”, escreveu.

Clã. Além de Flávio, Jair Bolsonaro, Carlos e Eduardo possuem perfis no Parler. Ah, Olavo de Carvalho também. A adesão à rede, porém, ainda é relativamente baixa: cerca de 1,5 milhão de usuários no mundo todo, segundo podcast do Estadão Notícias sobre o Parler.

Igual. Pela análise da Bites, por enquanto o clã Bolsonaro vem usando o Parler para replicar o conteúdo publicado em outras redes, ainda não tem uma estratégia específica para a nova rede nem discurso diferente.

Mimetismo. O Parler foi criado em 2018 e funciona de modo parecido com o Twitter, mas promete proteger os direitos dos seus usuários com menos regulação sobre o conteúdo postado.

Dados. No Brasil, o pico de adesão à nova rede ocorreu em 22 de junho passado e outros dois foram percebidos nos dias 28 e 30. De acordo com o levantamento da Bites, também em junho foram registradas 100 mil menções ao Parler no Twitter, feitas por 25 mil perfis.

Tecla SAP. Estão cada vez mais enigmáticas as postagens de Carlos Bolsonaro nas redes sociais. “Aos poucos vou me retirando do que sempre explicitamente defendi.” Tradução: pensa em deixar o Rio de Janeiro.

SINAIS PARTICULARES 
Carlos Bolsonaro, vereador no Rio de Janeiro

ILUSTRAÇÃO: KLEBER SALES/ESTADÃO

Casa… A Câmara Municipal de São Paulo criou grupo para adequar seu regimento ao ambiente virtual. Em audiência que debateu a retomada das aulas, atingiu recorde de participação: 4.290 espectadores no YouTube. O maior auditório da Casa comporta 320 pessoas.

…cheia. “Em que momento a Câmara fez uma audiência pública presencial que teve esse público? Nunca. Não dá mais para prescindir desse tipo de instrumento de participação”, diz o presidente Eduardo Tuma (PSDB), que intensificou a digitalização da Casa em 2019.

CLICK. Secretários de João Doria estiveram em tribos do litoral do Estado acompanhando testes de covid-19, realizados entre os índios pelo Instituto Butantã.

Não tá fácil… Com exceção da Africa, as demais agências do grupo ABC, holding do setor de publicidade, encolheram seus times (atendimento e back office) e agora ocuparão um mesmo prédio na Rua Alvorada, na Vila Olímpia, em São Paulo.

…pra ninguém. Nos últimos anos, o ABC (Omnicom) fechou a DM9, que já foi ícone da propaganda brasileira, e fundiu ou encerrou as atividades de outras agências, como a Lodduca, a Salve e a Tudo. Em março passado, foi a vez da Tribal.

BOMBOU NAS REDES!

Marina Silva. FOTO: NILTON FUKUDA/ESTADÃO

Marina Silva, ex-ministra do Meio Ambiente: “Os dados divulgados pelo Inpe mostram que a tentativa do governo de camuflar o problema (desmatamento) com peças de propaganda será inócua.”

COM REPORTAGEM DE ALBERTO BOMBIG E  MARIANA HAUBERT

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