Qualquer desfecho na eleição da Câmara deixará governo frágil

Qualquer desfecho na eleição da Câmara deixará governo frágil

Coluna do Estadão

01 de fevereiro de 2021 | 05h00

Presidente Jair Bolsonaro. FOTO: GABRIELA BILO/ESTADÃO

Na política, é possível perder na vitória e ganhar na derrota. Com qualquer resultado hoje na eleição para a presidência da Câmara dos Deputados, Jair Bolsonaro sairá fragilizado: mesmo que Arthur Lira (PP-AL) vença a disputa, o presidente terá menos poder. Seja porque o governo despejou caminhões de recursos e interferiu na disputa, seja porque o apetite do Centrão jamais será saciado. Um ex-articulador político do Planalto alerta: é essencial manter diálogo com o Centrão, mas com muita cautela. O que custa caro hoje, tende a encarecer.

Lembra? Na reforma da Previdência, governo liberou R$ 3 bilhões em emendas parlamentares. Quanto custará a tributária?

Alerta. No curto prazo, ao menos, Arthur Lira (PP-AL) e Rodrigo Pacheco (DEM-MG) garantiriam segurança ao Planalto para barrar CPIs e pedidos de impeachment. Mas há uma frase muito famosa em Brasília: “O Centrão não segura alça de caixão”.

Futuro. Se Baleia Rossi (MDB-SP), que até aqui manteve o nível da campanha, vencer, a interferência do Executivo no processo poderá cobrar preço alto.

Olha… O nome mais forte hoje para ocupar o ministério da Cidadania, com a provável ida de Onyx Lorenzoni para a Secretaria-Geral, é o do vice-presidente do Republicanos, deputado Márcio Marinho (BA).

… lá vem eles. O deputado João Roma (BA) também está na disputa. Cidadania é um dos mais cobiçados ministérios porque gerencia programas sociais.

Johnny Bravo. Líderes do partido estão convictos: andam dizendo que já no dia 2 sairá a nomeação…

Faca afiada. Assessores palacianos dão como certo que a Economia também será, de alguma forma, fracionada. As secretarias da Pesca, dos Esportes e da Cultura devem mesmo permanecer no final da fila para voltar a ser ministérios.

SINAIS PARTICULARES.

Jair Bolsonaro, presidente da República

Kleber Sale

Limão. De Marco Vinholi, secretário de João Doria, sobre o mais recente ataque de Bolsonaro à imprensa: “Um presidente que gasta tanto com leite condensado deveria ao menos tentar ser menos amargo”.

CLICK. Na véspera da eleição, Arthur Lira (PP-AL) participou de encontros com o PL, com deputadas e com o PSD: na foto, Lira (ao centro) com Gilberto Kassab.

Coluna do Estadao

Sem… A transferência de três pacientes de Manaus para hospitais privados no Amapá, sem que autoridades tenham sido avisadas, deixou secretários de saúde de cabelos em pé.

… controle? Temem que casos similares tenham ficado de fora do radar, possivelmente espalhando a nova cepa do coronavírus.

Com a palavra. A defesa de Lula diz, em nota enviada à Coluna, que o pedido de habeas corpus em favor do ex-presidente “requer a nulidade dos três processos em que Sérgio Moro atuou contra Lula, diante da inequívoca parcialidade do então magistrado”.

Para lembrar. Conforme a Coluna publicou, ganha corpo no STF a tese pela suspeição de Moro, mas com Lula inelegível.

Posição. O advogado Marco Aurélio Carvalho, do Grupo Prerrogativas, diz que a consequência natural é a anulação de todos os processos em que Moro participou em relação a Lula, com a devolução imediata dos direitos políticos. “Qualquer outra saída seria fruto de desonestidade intelectual e pirotecnia barata.”

PRONTO, FALEI!

Foto: Valéria Gonçalves/Estadão

Paulo Hartung, ex-governador do Espírito Santo: “Não precisamos ficar numa nota só. Buscar toda vez o impeachment, ao fim e ao cabo, destrói a confiança nas instituições democráticas e no voto”.

COM REPORTAGEM DE ALBERTO BOMBIG, MARIANA HAUBERT E MARIANNA HOLANDA

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