Planalto na articulação para desidratar Bivar no Congresso

Planalto na articulação para desidratar Bivar no Congresso

Coluna do Estadão

17 de outubro de 2019 | 06h00

Um dia após a operação da PF que teve o presidente do PSL como um dos alvos, os bolsonaristas se reuniram no Palácio do Planalto para tentar reduzir a força de Luciano Bivar (PE) dentro do Congresso. A ideia de emplacar Eduardo Bolsonaro na liderança do partido na Câmara, conforme revelou o blog da Coluna, passou diretamente por Jair Bolsonaro. “Se você quiser ficar do meu lado, é só assinar, ‘talquei’? Se ficar contra mim, também não tem problema”, disse Bolsonaro a um deputado pelo telefone, segundo transcrição obtida pela Coluna.

Longe… Há um cuidado, contudo, de afastar Bolsonaro publicamente das articulações. A reunião com os deputados sequer aconteceu em seu gabinete e ele saiu dela dizendo que estava lá apenas como ouvinte.

… de mim. O ministro Luiz Eduardo Ramos ajudou a organizar o encontro e cobrou a presença dos parlamentares, mas ele próprio não esteve presente.

Consenso. Por causa da crise do PSL, Rodrigo Maia está fazendo pente-fino nos projetos para decidir o que pautar no plenário. Sabe que qualquer projeto um pouco mais polêmico terá dificuldades de passar com a maior bancada da Casa em pé de guerra.

Pano… Um dos catalisadores da briga entre Jair Bolsonaro e parte do PSL foram tratativas entre o vice da legenda, Antônio Rueda, e ACM Neto para uma possível fusão com o DEM.

…de fundo. Bolsonaro avaliou que perderia completamente o controle do novo partido, que passaria a ter a maior bancada da Câmara, com folga, porém sob forte influência de Rodrigo Maia e do prefeito ACM Neto. A agudização da crise, com operação da PF contra Bivar, no entanto, freou as conversas, ainda iniciais. A avaliação no DEM é de que não seria um bom momento para confrontar Bolsonaro.

Paz e bem. Depois da confusão na CCJ, Maia tentou dissuadir o presidente da comissão, Felipe Francischini de insistir em pautar a PEC da prisão após condenação em segunda instância. O timing é ruim e deputados reclamam que Francischini tenta “tratorar”.

Onde dói. Luciano Bivar disse a servidores do PSL que, da operação da PF da qual foi alvo, a maior dor foi terem levado seu computador. Nele estava a única cópia do livro que está escrevendo, um romance.

COLUNA DO ESTADÃO

CLICK. Servidores, pesquisadores e associações de ciência promoveram um “abraço” ao prédio do CNPq contra a incorporação do conselho pela fundação Capes.

Ação… Major Olimpio é presença constante em protestos organizados pela Defenda PM. Não por acaso, ele é amigo e chefe do presidente da associação, o coronel Elias Miler da Silva. O policial aposentado é assessor de Olimpio no Senado Federal e acumula remuneração superior a R$ 37 mil.

…entre amigos? Renato Lira Miler Silva, filho do coronel Miler, também trabalha para o senador do PSL por São Paulo, junto com a mulher, Raissa Alana Lopes Passos Miler, com ganhos mensais de R$22,9 e R$17,9, respectivamente.

Com a palavra. “Nunca houve e não há vínculo hierárquico entre eles e os três são profissionais qualificados e exercem suas funções conforme suas formações profissionais os habilitam. Não há qualquer grau de parentesco meu com os três profissionais”, afirma Major Olimpio.

PRONTO, FALEI!
Do deputado federal (PSB-RJ) Alessandro Molon: “Falam em arrumar a casa para Bolsonaro, mas de nada adianta se ele próprio não limpar sua cozinha. O pivô da crise no PSL é um ministro dele.”

COM REPORTAGEM DE ALBERTO BOMBIG, JULIANA BRAGA E MARIANNA HOLANDA. COLABOROU RENATO ONOFRE.

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