PL-PE é só a ponta do iceberg dos entraves pré-eleitorais para Bolsonaro no Nordeste

PL-PE é só a ponta do iceberg dos entraves pré-eleitorais para Bolsonaro no Nordeste

Coluna do Estadão

17 de novembro de 2021 | 05h00

Presidente Jair Bolsonaro. FOTO: MAZEN MAHDI/AFP

Um dos motivos da desavença recente entre Jair Bolsonaro e Valdemar Costa Neto, o PL de Pernambuco é só a ponta do iceberg dos problemas pré-eleitorais do presidente no Nordeste: muito pouca gente está disposta a se atrelar a um candidato com altíssima rejeição na região, incluindo a turma do PP. A autonomia conferida ao diretório do PL-PE, em nota assinada por Costa Neto, não foi bem digerida por Bolsonaro, e olha que Anderson Ferreira, o presidente estadual, é historicamente ligado à centro-direita. O receio do Planalto é de que, uma vez confirmado o casamento de Bolsonaro com o PL, ocorra um efeito cascata de “autonomias estaduais”, dificultando a montagem dos palanques.

DOTES. Bolsonaro foi informado da nota sobre Pernambuco horas antes de embarcar para Dubai, dia 12. Ele, que já estava incomodado, porém resignado, com a situação do PL de São Paulo, achou que acabaria rifado pelo partido antes mesmo de assinar a ficha de filiação. Por isso, resolveu entrar numa “DR” com a noiva e colocar tudo em pratos limpos.

COM QUEM SERÁ? Em bloco, dirigentes e parlamentares do PL estão dizendo que o entrevero entre Costa Neto e Bolsonaro não foi tão feio quanto andam espalhando por aí. Eles ainda acreditam no casório. Até porque seria deselegante deixar a noiva esperando no altar com a igreja lotada. Nesta quarta-feira, 17, Costa Neto se reúne em Brasília com os representantes dos diretórios estaduais para tentar definir de vez a situação.

SINAIS PARTICULARES
Valdemar Costa Neto, presidente do PL

É ELE. Como já mostrou a Coluna, Bolsonaro costuma dizer que “Rodrigo Garcia não é Doria”. O presidente gosta do perfil conservador do vice, pré-candidato ao Bandeirantes.

DOTES 2. Governistas contabilizam a migração de pelo menos 15 parlamentares para o PL de Costa Neto se Jair Bolsonaro disser o “sim” no altar. Quem também está de olho nesse time do presidente é o PSC.

VAPT. Uma das estratégias para reduzir as críticas e aprovar com celeridade o projeto da desoneração de folha é evitar emendas que aumentem os setores já contemplados pelo benefício, 17 atualmente. A ideia é manter o discurso de responsabilidade fiscal. Se não há ganhos para os cofres públicos, também não há perdas.

VUPT. O projeto deve ser votado nesta quarta-feira, 17, na CCJ da Câmara, de onde seguirá direto para o Senado por ter caráter conclusivo. O relator, deputado Efraim Filho (DEM-PB), diz ter sinalização positiva do presidente Rodrigo Pacheco (PSD-MG) sobre o andamento do texto no Senado.

PRONTO, FALEI!

Efraim Filho. FOTO: NILTON FUKUDA/ESTADÃO

Efraim Filho (DEM-PB), deputado: “O maior desafio é criar postos de trabalho. Jamais é hora de o governo pensar em onerar quem gera empregos”, sobre a desoneração da folha de pagamentos.

AÍ SIM. Rodrigo Pacheco receberá em nome do Congresso esta semana um prêmio internacional pela aprovação, em agosto no Senado, da lei sobre quebra de patentes de vacinas, considerada pela Global Summit on Intellectual Property and Access to Medicines uma iniciativa relevante para ampliar o acesso popular aos medicamentos e vacinas na pandemia da covid-19.

AÍ NÃO. A questão é: embora tenha sido aprovada no Legislativo, a lei recebeu vários vetos de Jair Bolsonaro e, na prática, está inócua, já que seus principais pontos foram barrados pelo presidente. A possível derrubada dos vetos ainda não foi votada.

CLICK

Rodrigo Agostinho. FOTO: COLUNA DO ESTADÃO

Rodrigo Agostinho, deputado federal do PSB-SP, atuante na área do meio ambiente, incrementou sua coleção de cartões de visita na COP-26: porta-voz do cenário no País.

COM REPORTAGEM DE ALBERTO BOMBIG, CAMILA TURTELLI E MATHEUS LARA

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