O sumiço do MPF no episódio da vacina

O sumiço do MPF no episódio da vacina

Coluna do Estadão

13 de novembro de 2020 | 05h00

Foto: Célio Azevedo/Agência Senado

No triste episódio da suspensão dos estudos da Coronavac pela Anvisa, uma ausência chamou a atenção de ministros do STF: a do Ministério Público Federal. Em condições normais de temperatura e pressão política, procuradores salivariam para apurar eventual ingerência política de Jair Bolsonaro na agência. Porém, nem os sempre atuantes procuradores, que têm independência funcional, se manifestaram. Coube ao ministro Ricardo Lewandowski pedir explicações à Anvisa, como o blog da Coluna antecipou. A agência acabou voltando atrás.

Até tu? Para ministros da Corte, Jair Bolsonaro conseguiu a tal ponto subjugar a Saúde que a pasta e o ministro Eduardo Pazuello nem sequer se manifestaram sobre o episódio.

Vai… A nomeação por Jair Bolsonaro de um militar crítico à Coronavac para a Anvisa foi lida no Congresso como mais uma provocação do presidente.

…e vem. Em sentido inverso, porém, a rápida declaração de Rodrigo Maia na terça-feira repudiando a disputa político-eleitoral em torno das vacinas foi entendida como sinal de que o Congresso não continuará assistindo impávido a esse triste episódio.

Tá… Deu arrepios em diplomatas o apoio do governo brasileiro ao “Clean Network”, iniciativa americana para conter os avanços do 5G chinês.

..chegando. O anúncio, aliado à crise envolvendo a vacina Coronavac, deve trazer alguma consequência, na avaliação desses diplomatas. A China é a maior parceira comercial do Brasil.

Chegou? À Coluna, o porta-voz da embaixada chinesa no Brasil, Qu Yuhui, disse que aderir ao programa é “decisão do governo brasileiro”. “Mas a nossa posição em relação à iniciativa da Rede Limpa (Clean Network) é muito clara. É a Rede Suja. É discriminatória, exclusivista e política.”

Bolsorico. Circula nas redes de políticos trecho do clássico O Bem Amado (TV Globo, Dias Gomes) em que o político populista e sem escrúpulos Odorico Paraguaçu diz sobre uma disputa envolvendo uma vacina: “A vitória política tem de ser nossa, não do inimigo, da oposição”.

SINAIS PARTICULARES.
Jair Bolsonaro e Odorico Paraguaçu, presidente e personagem imortalizado por Paulo Gracindo

Ilustração: Kleber Sales

Supresa! O PT queria esperar a divulgação da pesquisa Datafolha para evitar a divulgação de manifestos pelo voto útil em Guilherme Boulos (PSOL). Mas a “novidade” do levantamento para os petistas foi um empate numérico de Jilmar Tatto com Arthur do Val (Patriota), o candidato do MBL, ambos com 4%.

Sem TV. Apesar de Sebastião Melo (MDB) ter recebido o apoio de José Fortunati (PTB) em Porto Alegre, a campanha do emedebista não conseguiu usar vídeo da adesão no último dia do horário eleitoral (ontem) por questões jurídicas.

Lotou. A apresentação de Caetano Veloso para arrecadar recursos para as campanhas de Guilherme Boulos (PSOL) e Manuela D’Ávila (PCdoB) levantou quase R$ 1 milhão – 40% de São Paulo e 30% de Porto Alegre.

CLICK. A candidata a vereador em SP Letícia Gabriela (PDT) entrou para a política inspirada em Marielle Franco. Tem como bandeira o empoderamento negro feminino.

Coluna do Estadão

Apoio. Após a divulgação pela Coluna da candidatura do Quilombo Periférico à Câmara de São Paulo, Chico Buarque e a advogada Carol Proner gravaram vídeo em apoio ao coletivo. O cantor e compositor gostou da proposta de evitar a pulverização dos votos em candidatos negros.

BOMBOU NAS REDES! 

Foto: Gabriela Bilo/Estadão

Marina Silva, ex-ministra do Meio Ambiente: “As cenas tristes e revoltantes das queimadas consumindo o bioma do Pantanal, sacrificando a vida de animais e destruindo sua biodiversidade, fazem do dia de hoje (ontem) um dia de luto e de chamado à luta em defesa e proteção da maior área inundável do planeta. #DiadoPantanal”

COM REPORTAGEM DE ALBERTO BOMBIG, MARIANA HAUBERT E MARIANNA HOLANDA. COLABOROU RAFAEL MORAES MOURA.

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