O que a eleição nos EUA ensina à oposição no País

O que a eleição nos EUA ensina à oposição no País

Coluna do Estadão

07 de novembro de 2020 | 05h00

Foto: Erin Schaff/The New York Times

Independentemente dos desdobramentos judiciais da eleição norte-americana, políticos de oposição a Jair Bolsonaro enxergam nela uma lição: a saída para derrotar o presidente em 2022 passa pela construção de uma frente encabeçada por nome minimamente palatável no centro, na esquerda e na direita. A apertada votação nos EUA teve, entre vários aspectos, característica de plebiscito sobre o governo Donald Trump, e Joe Biden acabou favorecido, atraindo eleitores que até torciam o nariz para o democrata, mas rejeitam acima de tudo o republicano.

Voto útil. “Os democratas tiveram a sabedoria de escolher o candidato que mais tinha chances de vencer, não o que mais empolgava o partido. Para derrotar o atraso, isso é fundamental”, analisa o deputado federal Alessandro Molon (PSB-RJ).

No papel. “Se não fosse essa união de Bernie Sanders, de toda a esquerda em torno deles (Joe Biden e Kamala Harris), o Trump levaria de lavada a eleição”, diz Flávio Dino, governador do Maranhão (PCdoB).

Anota aí. Outra lição, segundo essas lideranças: assim como Trump, quanto mais Bolsonaro for radical, mais isolado ficará.

E aí? Claro que a pergunta de um milhão de dólares continua sendo: quem será o Biden tupiniquim?

Ala… Enquanto isso, Bia Kicis (PSL-DF) defende a continuidade (e intensificação) da pauta conservadora diante de uma provável derrota de Donald Trump.

…ideológica. A deputada bolsonarista bateu na porta de Fábio Faria, ministro das Comunicações, pertencente a um partido de centro, o PSD, para reforçar a importância de os “novos aliados” darem seguimento à agenda conservadora do governo no Congresso.

Cuidado. Do ex-governador Paulo Hartung (ES): “Tem de respeitar o voto, afinal de contas, os americanos sempre foram um modelo de democracia. Agora não pode haver sinais parecidos com os do governo da Venezuela, tão criticado por eles nos últimos anos”.

Sub. Bolsonaro saiu menor do que entrou na campanha americana. Pra quê?

SINAIS PARTICULARES.
Jair Bolsonaro, presidente da República

Ilustração: Kleber Sales

Eu… O presidente da Associação Nacional dos Analistas em Tecnologia da Informação (Anati), Thiago Aquino, atribui o ataque hacker ao STJ à falta de investimento do governo e a poucos recursos humanos.

…avisei. “Sempre alertamos o Ministério da Economia de que isso é apenas uma das fragilidades inerentes às áreas de tecnologia na administração”, disse.

CLICK. A deputada Tabata Amaral (PDT) faz campanha com Malu Molina, ex-coordenadora política em seu gabinete.

Reprodução

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Passando. O “livemício” de Caetano Veloso, autorizado pela Justiça Eleitoral, conseguiu vender cerca de 2 mil ingressos em um dia. O valor é R$ 60, dividido entre os candidatos Guilherme Boulos (PSOL) e Manuela D’Ávila (PCdoB).

PRONTO, FALEI! 

Felipe Carreras Foto: Cleia Viana/Câmara dos Deputados

Felipe Carreras, deputado federal (PSB-PE): “Os noronhenses não estão pedindo para ser colonizados. Eles não estão à espera de um salvador”, sobre Bolsonaro ter defendido federalização de Fernando de Noronha.

COM REPORTAGEM DE ALBERTO BOMBIG, MARIANA HAUBERT E MARIANNA HOLANDA. 

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