Na Câmara, audiência sobre ‘importância do tratamento precoce’

Na Câmara, audiência sobre ‘importância do tratamento precoce’

Coluna do Estadão

07 de maio de 2021 | 05h00

Cloroquina não tem eficácia comprovada contra a covid-19. Foto: LQFEx/Ministério da Defesa

Ao final de uma longa semana em que a CPI da Covid, no Senado, tentou acuar, constranger e responsabilizar Jair Bolsonaro pela aposta no mínimo equivocada na utilização da cloroquina, nos derivados dela e em outros medicamentos sem eficácia comprovada, a Câmara, a pedido do deputado federal Giovani Cherini (PL-RS), tem encontro marcado nesta sexta-feira, 7, para discutir, vejam só, “a importância do tratamento precoce contra a covid-19”. A médica Nise Yamaguchi, entusiasta do uso da cloroquina, foi anunciada como participante.

Viva! A microbiologista Natália Pasternak deve participar da audiência na Comissão de Seguridade Social e Família. “Está mais do que na hora de o Brasil parar com isso (de tratamento precoce), é o único país que ainda leva essa maluquice a sério.”

Chega! A presença dela evita que a reunião seja um desperdício completo do dinheiro público. “É uma conversa que não anda. A ciência já deu as respostas. Não há motivo para insistir numa controvérsia falsa”, disse Natália à Coluna.

Como é… “Não sou bolsonarista, apoiei Dilma, como apoiei Temer e hoje apoio o governo. Estou aqui para ajudar”, disse Cherini. “Não me contento em ouvir de médicos e cientistas que só temos de esperar a vacina. Em todas as doenças do mundo houve corrida atrás de remédio.”

…que é? O deputado citou a aids, o câncer e o Parkinson como exemplos. A Coluna lembrou a ele que não há vacinas para essas. “A opção dos laboratórios é pelo que dava mais lucro, infelizmente, que é vender remédio”, afirmou Cherini.

Arminha. No Senado, quem acreditava que Marcelo Queiroga colocaria o juramento de Hipócrates à frente da fidelidade a Jair Bolsonaro saiu decepcionado do depoimento do ministro.

Arminha 2. É certo que as fracas questões favoreceram Queiroga. Ainda assim, ele deixou a sessão menos médico e muito mais político bolsonarista.

Vida real. Pesquisa da Confederação Nacional dos Municípios mostra que pelo menos 1.305 cidades do País ficaram sem vacinas nesta semana para aplicar a segunda dose.

SINAIS PARTICULARES.

Luiz Henrique Mandetta e Anitta, ex-ministro da Saúde e cantora

Kleber Salles

Girl from Rio. Em sua passagem pela CPI, Luiz Henrique Mandetta indicou ser fã da cantora Anitta. Questionado sobre o uso do vermífugo Annita no combate à covid-19, o ex-ministro condenou a prática e emendou: “Pelo menos o nome é bom”. Às gargalhadas, os senadores concordaram.

CLICK. Perto das residências oficiais do Congresso, uma fila da vacina enorme e desorganizada, em Brasília. Muitos passaram horas, mas não foram imunizados.

Coluna do Estadão

Amém. De olho no governo do Rio de Janeiro, Marcelo Freixo (PSOL) passou a mapear as lideranças evangélicas em busca de uma aproximação, especialmente na zona oeste da capital fluminense, uma tradicional região de milícias.

Amém 2. Na avaliação de interlocutores do deputado federal, parte da esquerda tem “preconceito” para com o eleitorado evangélico, carimbado como sendo “conservador”. Freixo quer furar essa bolha e falar mais sobre “mérito” e “prosperidade”. A ideia de Freixo é procurar igrejas fora do radar de Bolsonaro.

Vai que cola. Entre articuladores de uma “frente ampla” para disputar o governo do Rio contra o candidato do clã Bolsonaro, passou a circular o nome de César Maia (DEM), pai de Rodrigo Maia, na composição de uma chapa.

PRONTO, FALEI!

O presidente do PT, Rui Falcão. Foto: Gabriela Biló/Estadão

Rui Falcão, deputado federal (PT-SP): “Carlos Bolsonaro já coordenou o gabinete do ódio; agora, assessora o gabinete do vírus”, sobre a participação do filho do presidente em reuniões sobre a pandemia.

COM REPORTAGEM DE ALBERTO BOMBIG E MARIANNA HOLANDA

Twitter: @colunadoestadao
Facebook: facebook.com/colunadoestadao
Instagram: @colunadoestadao

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.