LQFEx/Ministério da Defesa
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Ministro se nega a falar sobre prescrição de cloroquina

Marcelo Queiroga respondeu a diversos senadores que o tema exige orientação técnica e não opinativa; sobre postura do presidente Jair Bolsonaro afirmou que não poderia fazer 'juízo de valor'

Amanda Pupo e Lauriberto Pompeu/ BRASÍLIA e Matheus de Souza, O Estado de S.Paulo

06 de maio de 2021 | 12h47

BRASÍLIA - O ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, não quis se manifestar nesta quinta-feira, 6, em depoimento prestado à CPI da Covid sobre sua opinião a respeito da utilização da cloroquina no tratamento de pacientes com covid-19. A medida é uma das bandeiras defendidas pelo presidente Jair Bolsonaro, mesmo sem que haja eficácia comprovada do medicamento.

Ao assumir uma postura de defensor do governo e, diante da pressão dos senadores, o ministro seguiu uma estratégia de apenas responder perguntas relativas à sua gestão na pasta, ou seja, de março pra cá. Queiroga chegu a ser advertido pelo presidente da comissão, Omar Aziz (PSD-AM), e pelo relator, Renan Calheiros (MDB-AL), de que havia feito juramento para colaborar com a CPI como testemuha. 

Com a insistência, limitou-se a dizer:"Não faço juízo de valor acerca da opinião do presidente. É uma questão de natureza técnica. No começo, o uso compassivo foi feito em diversas instituições e já existem (estudos) controlados que mostram que naqueles pacientes mais graves esse medicamento não tem efeito, no intermediário o medicamento não tem efeito", disse Queiroga. O ministro, no entanto, foi interrompido por Renan, segundo quem o titular da pasta de Saúde não estava respondendo sua pergunta.

A justificativa dada por Queiroga para não expor sua posição sobre a cloroquina foi de que, como ministro da Saúde, ele terá de dar a última palavra sobre o uso do medicamento durante a elaboração do protocolo de tratamento da covid. "Questão técnica que tem que ser enfrentada pela Conitec (Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias do Sistema Único de Saúde). Eu posso ter que dar posicionamento sobre protocolo da cloroquina quando for elaborado", respondeu Queiroga, o que despertou em Renan e Aziz uma forte insatisfação.

"Acho que o senhor não entendeu sua posição aqui. O senhor está aqui como ministro e médico. Se não, vamos encerrar a sessão agora", afirmou Aziz. "É questão de natureza técnica, não de opinião pessoal", insistiu o ministro, que assegurou não quer recebido nenhuma orientação do presidente no sentido de incentivar o uso da cloroquina.

Já o senador governista Marcos Rogério (DEM-RO) reclamou das reações do presidente e do relator da comissão diante das respostas de Queiroga. "Ele (Renan) está tentando induzir a testemunha", disse. "Tem que ser uma resposta de sim ou não", rebateu Aziz.

Na terça-feira, 4, o ex-ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta disse que Bolsonaro pressionou para que fosse incluída na bula da cloroquina a recomendação para o uso contra a covid.

Apesar da falta de posição de Queiroga, senadores governistas foram orientados a endossar na CPI a orientação do presidente Jair Bolsonaro de usar cloroquina no tratamento da covid. Depois de testes realizados a pedido da Organização Mundial da Saúde (OMS), o medicamento foi apontado como ineficaz no combate ao vírus, além de poder causar efeitos colaterais adversos, como arritmia cardíaca. O argumento do governo é que o coronavírus é uma doença ainda pouco conhecida e que Bolsonaro não pode ser culpado por recomendar o remédio.

"Quem no mundo que não acreditou em cloroquina em algum momento? A (chanceler da Alemanha) Angela Merkel foi três vezes na televisão para pedir lockdown e três vezes para pedir desculpa. O Tedros Adhanom, presidente da OMS, foi três vezes autorizar cloroquina, autorizou, desautorizou. Ou seja, ninguém sabe o que é covid", disse o líder do governo no Congresso, senador Eduardo Gomes (MDB-TO), ao Estadão.

O chefe da OMS nunca chegou a autorizar o uso da cloroquina para tratar coronavírus. O ato determinado por ele autorizava testes para saber se a substância tem eficácia contra a doença, o que ficou concluído que não.

Isolamento social

O ministro da Saúde também disse que não foi consultado sobre o decreto prometido nesta quarta por Bolsonaro, para anular medidas de isolamento adotadas por governadores e prefeitos no combate à pandemia. "Mais uma ação que se anuncia no Palácio e não se informa sequer o ministro da Saúde", reagiu Renan.

"Não estou participando da elaboração do decreto e nem fui consultado sobre o tema", disse Queiroga.  Segundo o titular da Saúde, se lhe for pedida uma manifestação, a pasta irá avaliar do ponto de vista "técnico". 

Pressionado por Renan a dar uma opinião sobre a posição de Bolsonaro, Queiroga apenas respondeu que, em conversa com o presidente sobre o tema, o mandatário lhe disse que buscava “assegurar a liberdade das pessoas”. "Para assegurar a liberdade das pessoas eu concordo", limitou-se a responder, defendendo ainda medidas para se evitar ações "extremas" de fechamento de "cidades". "Questão de fechamentos nacionais não há consenso", disse.

 

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