Militares querem dança sem pisão no pé?

Militares querem dança sem pisão no pé?

Coluna do Estadão

09 de julho de 2021 | 05h00

Foto: Andre Dusek/Estadão

O estresse provocado pela nota das Forças Armadas rebatendo Omar Aziz pode ser resumido em expressão popular dita à Coluna por um sábio do STF com trânsito nos mundos político e jurídico: quem participa do bailão não pode reclamar de pisão no pé. Ou seja, os militares topam se embrenhar na administração pelas mãos de Jair Bolsonaro e, portanto, devem deixar de lado melindres e ilusões de que são intocáveis. Em linhas gerais, a reação militar às críticas de Aziz uniu políticos e ministros da Corte de diferentes grupos pela democracia.

Leitura. O que motivou a cúpula militar a soltar a nota atacando Aziz (PSD-AM) foi ele ter falado em lado podre das Forças Armadas. Mesmo que o senador tenha deixado claro não se tratar do conjunto, os comandantes entenderam ser uma generalização absurda.

Leitura 2. Se ele tivesse falado nominalmente de Eduardo Pazuello ou de Elcio Franco, exemplificou um interlocutor de Braga Netto, não teria havido problema. Aziz trouxe para o rolo até a Marinha, até agora distante de denúncias.

Zum, zum… Quem esteve com Braga Netto diz que ele estava cuspindo marimbondos. O perfil do ministro da Defesa é muito diferente do de seu antecessor, Fernando Azevedo e Silva, demitido por não sair em defesa de Jair Bolsonaro.

…zum. Ainda na noite de quarta-feira, 7, Braga Netto fez esses marimbondos chegarem até Rodrigo Pacheco (DEM-MG). Mas, na ligação do dia seguinte, agradeceu as declarações públicas “ponderadas” do presidente do Senado, porém, muito criticadas pelos pares dele.

Poxa. Como se sabe, as Forças Armadas são um bloco monolítico e a declaração não agradou a todos. Militares da reserva que já ocuparam altos cargos acharam a nota fora de tom, só de interesse do presidente. O texto acabou por arrastar as Forças até a CPI…

Parou. O Diretório Nacional do PT, em nota, disse que “não cabe aos comandantes nem ao ministro da Defesa atuar como se fossem um partido político”.

Sentiu, Galvão. A mea culpa do governo a respeito de Roberto Dias: o ministro Onyx Lorenzoni disse a interlocutores que o governo não deveria ter demitido o servidor assim que saiu a notícia do suposto pedido de propina. Passou recibo.

Tesoura. Com cortes em contratos e em outros setores, como nos mais de 40 guardas municipais que trabalhavam na Câmara Municipal de São Paulo, o presidente da Casa, Milton Leite (DEM), espera que o Legislativo paulistano economize mais de R$ 100 milhões até o final deste ano.

CLICK. Membros do Novo, como Daniel José, Cris Monteiro e Vinicius Poit, com o diretor do Livres, Magno Karl, em ato contra Bolsonaro na Câmara dos Deputados.

Coluna do Estadão

Touché. João Doria e Eduardo Paes estão se divertindo com o duelo nas redes sociais em torno de quem vacina sua população mais rapidamente. No final de semana passado, o prefeito do Rio usou a “competição” para estimular os cariocas a se vacinarem.

Touché 2. Doria não fica atrás. “Competição pela vida. Todos vencem. Mas São Paulo está acelerando mais. Bora acelerar, Eduardo?!”, provocou Doria à Coluna.

SINAIS PARTICULARES.
Eduardo Paes e João Doria, prefeito do Rio (PSD) e governador de São Paulo (PSDB)

Kleber Sales

PRONTO, FALEI!

O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, no plenário da Corte durante sessão por videoconferência. Foto: Fellipe Sampaio /STF

Gilmar Mendes, ministro do STF e ex-presidente do TSE: “A prova inequívoca de que não houve fraude foi a eleição de Jair Bolsonaro, ele não era o candidato do establishment”, em entrevista a José Luiz Datena.

COM REPORTAGEM DE ALBERTO BOMBIG E MARIANNA HOLANDA. COLABOROU VERA ROSA

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