Metade da população acredita em vacinação só daqui a três meses, mostra pesquisa

Metade da população acredita em vacinação só daqui a três meses, mostra pesquisa

Coluna do Estadão

17 de dezembro de 2020 | 05h30

Foto: Victoria Jones/AFP

Apesar dos esforços do governo federal para agilizar a compra de vacinas contra o coronavírus, mais da metade da população (54%) acredita que a vacinação só vai começar no Brasil, de fato, daqui a 3 meses. É o que mostra pesquisa realizada pelo Instituto Travessia e obtida com exclusividade pela Coluna. Já os que acreditam que o Executivo será capaz de viabilizar a imunização entre janeiro e março somaram 19% dos entrevistados.

Há ainda os mais pessimistas (11%) que só enxergam a vacinação para depois de 2021. Não souberam ou não quiseram responder, 16% dos entrevistados.

O Ministério da Saúde apresentou nesta quarta-feira, 16, o plano de imunização nacional, porém, ainda sem datas. A pasta também apresentou a um grupo de governadores os planos para comprar 46 milhões de doses da Coronavac, vacina desenvolvida pela empresa chinesa Sinovac e produzida no Brasil pelo Instituto Butantã. De acordo com o governador do Piauí, Wellington Dias (PT), a previsão é de que sejam entregues inicialmente 9 milhões de vacinas por volta do dia de 20 de janeiro. O ministério negocia também a compra de imunizantes de outras marcas.

Boa parte dos entrevistados pela pesquisa (66%) afirmaram acreditar na eficiência das vacinas em geral e 27% disseram não confiar. O percentual dos que não confiam se aproxima de um cálculo que o presidente Jair Bolsonaro tem apresentado a interlocutores. Para ele, cerca de 30% da população não deverá tomar nenhum imunizante.

Em relação à condução do processo sobre a vacinação, 45% dos entrevistados avaliam que Jair Bolsonaro está errando ao politizar uma questão que não deveria ser tratada dessa forma. Porém, 22% deles afirmam que o presidente está agindo no tempo correto e avaliando com técnicos qual é a melhor vacina.

Outros 13%, no entanto, dizem que o presidente está correto na condução do processo, mas demorou para definir o plano de vacinação nacional. Já 18% dos entrevistados dizem que o governo não está tratando o assunto com a devida responsabilidade.

 A pesquisa também aferiu que 34% dos entrevistados consideraram correto o anúncio feito por João Doria de que pretende iniciar a vacinação em São Paulo a partir de 25 de janeiro. Esse grupo defende que o governador mantenha o cronograma e pressione a Anvisa para que libere a vacina da Coronavac o mais rapidamente possível. 

Outros 17% avaliaram que Doria está correto mesmo que a Anvisa não libere a vacina a tempo porque mostra seu comprometimento com a causa. 

Porém, 28% dos entrevistados avaliaram que o governador está querendo apenas ocupar um espaço político, fazendo frente a Jair Bolsonaro, que é quem deveria tratar da questão. E, por último, 16% afirmaram que Doria está sendo irresponsável ao anunciar uma data sem ter certeza da efetividade da vacina e da liberação pela Anvisa

A pesquisa, feita por telefone, ouviu 1007 brasileiros com mais de 16 anos. A margem de erro é de 3 pontos percentuais para mais ou para menos e o índice de confiança é de 95%. As informações foram coletadas entre 13 e 14 de dezembro.

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