Liberação de armas opõe aliados de Jair Bolsonaro

Liberação de armas opõe aliados de Jair Bolsonaro

Coluna do Estadão

25 de outubro de 2018 | 05h30

Ministro Raul Jungmann (Segurança Pública) Foto: Fabio Motta/Estadão

Uma das bandeiras do presidenciável Jair Bolsonaro (PSL) rachou sua base de apoio. A frente evangélica pediu ajuda ao ministro da Segurança Pública, Raul Jungmann, para intermediar acordo com os apoiadores do projeto que flexibiliza o estatuto do desarmamento facilitando a posse de armas. Cientes de que não é possível evitar o tema, os evangélicos preferem votar o texto este ano. Na próxima legislatura a bancada da bala no Congresso estará reforçada. Suas condições: reduzir as munições mensais de 600 para 300 e de seis para três as armas que um cidadão pode ter em casa.

Inegociável. O deputado Alberto Fraga, líder da bancada da bala, diz que está disposto a conversar nesses termos, mas não abre mão do porte na zona rural nem da anistia para quem tiver arma e se dispuser a recadastrar no governo.

Meio-termo. Para idade mínima, um entrave nas conversas. Fraga sugere reduzir para 21 pelo menos para os policiais. Hoje, o policial com menos de 25 não pode ter arma fora do horário de serviço.

Muro! Como revelou a Coluna, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), vai pautar as mudanças no estatuto do desarmamento após as eleições. Seu colega no Senado, porém, não tem o mesmo plano. Eunício Oliveira (MDB-CE) disse a interlocutores que “tem juízo” e não colocará o tema em votação. O primeiro busca o apoio de Bolsonaro para se reeleger ao comando da Câmara; o segundo não se reelegeu para o Senado.

Fala mano! O grupo de generais que participam da campanha de Bolsonaro passou ao largo do “vídeo do Doria”. O que deu audiência mesmo no QG dos militares foi a fala do rapper Mano Brown, que disse diante de Fernando Haddad e Manuela d’Ávila que o PT vai perder a eleição.

Reta final. O presidente Michel Temer tem se recusado a tomar qualquer medida que possa interferir no governo do seu sucessor, incluindo a nomeação para cargos com mandato. A regra é: tudo o que não for urgente ou imprescindível vai deixar para o sucessor.

O cara. Escalado para ministro da Defesa num eventual governo Bolsonaro, o general Augusto Heleno virou o queridinho de um grupo de empresários que apoia a candidatura do capitão reformado. Ele é considerado “preparado e ponderado”.

SINAIS PARTICULARES: General Augusto Heleno; por Kleber Sales

De saída. O presidente do BB, Paulo Caffarelli, não fica no cargo no próximo governo independentemente do vencedor. A pessoas próximas, tem dito que, se a vitória for de Bolsonaro – e Paulo Guedes anunciar o substituto já na transição –, deixa a vaga antes do fim do governo.

Plano B. Nesse caso, o mais provável é Temer recorrer a solução caseira e nomear um vice-presidente para mandato-tampão até janeiro. A informação no mercado é de que Caffarelli já foi sondado para vagas na iniciativa privada.

CLICK. Diante do aumento da violência contra a população LGBT neste período pré-eleitoral, entidades representativas da sociedade civil estão encaminhando denúncias ao Ministério dos Direitos Humanos, por meio dos canais Disque 100 e Ligue 180. Foram 41 casos detalhados de violência no período de 30 de setembro a 18 de outubro. Os casos seguem para a Corregedoria Geral da Justiça Eleitoral do TSE.

FOTO: Twitter

É isso… O Exército recebeu um lote de 96 blindados, usados e repassados pelo Exército americano. São grandes canhões montados sobre veículos couraçados. A encomenda causou alvoroço nas redes sociais e não faltou quem falasse em apoio a um golpe.

…é só isso. Em janeiro, chegam mais 32. Brasil e EUA mantêm acordos de repasse de material militar desde o fim da 2.ª Guerra.

BOMBOU NAS REDES! 

Eduardo Bolsonaro, deputado federal. Foto: Reprodução Youtube

“Quando eles falam uma coisa é exatamente o contrário o que eles estão querendo dizer. É um macete”, do deputado Eduardo Bolsonaro (PSL), filho do presidenciável Jair Bolsonaro, ensinando seus seguidores no Youtube a entenderem a “esquerda”.

COM NAIRA TRINDADE E JULIANA BRAGA. COLABORARAM VERA ROSA E ROBERTO GODOY

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