José Dirceu, de novo, na articulação de uma campanha presidencial de Lula

José Dirceu, de novo, na articulação de uma campanha presidencial de Lula

Alberto Bombig e Matheus Lara

06 de outubro de 2021 | 05h00

José Dirceu. FOTO: DIDA SAMPAIO/ESTADÃO

José Dirceu já foi tudo na vida: líder estudantil, preso político, exilado, deputado, ministro, articulador político, preso comum… A maioria dessas facetas ficou para trás, mas uma voltou à tona. Como em 2001, Dirceu articula, falando pelo PT, os palanques de mais uma campanha presidencial de Luiz Inácio Lula da Silva. Condenado no mensalão e alvo da Lava Jato, o ex-ministro está conversando com várias lideranças do Nordeste, entre elas o senador Weverton Rocha (PDT), candidato ao governo do Maranhão, e o prefeito do Recife, João Campos (PSB).

Da boca… Lula pediu aos parlamentares do PT que evitem o “salto alto” e o “já ganhou”. Puro exercício de retórica. Em privado, Lula tem se mostrado cada vez mais confiante de que pode vencer a eleição sem fazer grandes concessões a aliados ou inflexões ao centro.

…pra fora. A propósito, os petistas vivem fazendo piadas da “terceira via”. Mas a maior fábula política da pré-campanha até agora parece ser mesmo a tal “frente ampla da esquerda”: a ordem no PT é usar essa conversa para desgastar os adversários de Lula.

CLICK. Weverton Rocha e Lula conversaram em Brasília sobre a política de alianças do PT. O senador do PDT, de Ciro Gomes, é pré-candidato ao governo do Maranhão.

Pulso. A direção do PT não vai desmobilizar publicamente a campanha pelo impeachment de Bolsonaro: com a ajuda da CPI da Covid e de aliados no PSOL e em outros partidos, inclusive do Centrão, a ordem é “sangrar” Bolsonaro, mas sem desligar aparelhos.

De olho. Senadores chamados de “independentes” na CPI já perceberam a jogada. Alessandro Vieira (SE), por exemplo, pré-candidato a presidente pelo Cidadania, promete um relatório paralelo, crítico ao governo federal, mas sem dar brecha para desmoralização jurídica.

Leão. Renan Calheiros (MDB-AL), amigo de Lula, deu o tom de como deve ser seu relatório ao dizer que não vai “miar” feito gato.

SINAIS PARTICULARES. Renan Calheiros (MDB-AL), senador e relator da CPI da Covid

ILUSTRAÇÃO: KLEBER SALES/ESTADÃO

Será… De saída do PSDB e pré-candidato a governador de São Paulo, Geraldo Alckmin sonha em concorrer ao Bandeirantes em chapa que tenha o apresentador José Luiz Datena como candidato a senador.

…que rola? Datena está filiado ao PSL, partido que tem negociações abertas com Alckmin. O problema é que o apresentador pode deixar o partido depois que ele se unir ao DEM para formar o União Brasil.

Tô aqui. Gilberto Kassab ainda não desistiu de ter Alckmin filiado ao seu PSD, opção considerada mais segura pelo entorno do ex-governador dada a instabilidade dos cenários decorrentes da fusão PSL-DEM.

Dos dois… Um dos pontos levados ao presidente Jair Bolsonaro sobre a relação do Banco do Nordeste (BNB) com o Instituto Nordeste Cidadania (Inec) foi um contrato de R$ 834 milhões firmado entre os parceiros em março de 2016.

…lados. O documento teve a chancela do então superintendente do BNB, Stélio Lyra. Com o contrato em vigor, Lyra trocou, em agosto de 2017, o BNB pelo cargo de diretor-presidente do Inec, ONG ligada ao PT.

Aprovo. De Renata Mendes, líder e porta-voz do movimento Pra Ser Justo, sobre o relatório da reforma tributária: “Incorpora o aprendizado das últimas tentativas de reforma ao criar pontes entre interesses de União, Estados e municípios. Por isso, já conta com um nível de apoio sem precedentes”.

PRONTO, FALEI

Marcelo Ramos. FOTO: PABLO VALADARES/CÂMARA DOS DEPUTADOS

Marcelo Ramos (PL-AM), vice-presidente da Câmara dos Deputados: Não vamos transformar em política uma questão que é matemática! O ICMS é um percentual que incide sobre o preço do combustível. Portanto, o valor do ICMS só aumentou porque aumentou o preço do combustível. É só baixar o preço do combustível que baixa o ICMS!”

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