Irmãos Miranda mudam rota de CPI da Covid no Senado

Irmãos Miranda mudam rota de CPI da Covid no Senado

Coluna do Estadão

25 de junho de 2021 | 22h49

Os depoimentos dos irmãos Miranda mudaram os rumos da CPI da Covid. As declarações sóbrias e técnicas do servidor Luis Ricardo, além dos indícios apresentados por ele, deixaram claro, segundo senadores do G7 (independentes e oposição), que houve pressão pela compra da Covaxin. A agenda das próximas convocações vai girar em torno dos nomes que foram colocados na roda por Ricardo como sendo os dos supostos autores de uma achaque: Marcelo Bento Pires e o diretor de logística do Ministério da Saúde, Roberto Ferreira Dias. E, claro, o líder do governo na Câmara, Ricardo Barros (PP-PR), apontado pelo deputado como sendo o nome atribuído por Bolsonaro ao ‘rolo’ da Covaxin.

Good cop. Ricardo era a voz “técnica” da dupla e não avançou o sinal. Foi claro e direto em dizer que não tinha conhecimento do que ocorria fora de sua área, a de importações.

Bad cop. O deputado Luís Miranda fez a voz “política”. Chutou a canela de Jair Bolsonaro, Onyx Lorenzoni e companhia quando teve a chance. A combinação desconcertou a tropa governista na comissão.

Danger. O novo (e mais perigoso para o Planalto) eixo de investigação na CPI surge no momento em que a alternativa de tumultuar dos governistas fica enfraquecida, uma vez que o STF decidiu que governadores não podem ser obrigados a depor. Lado negativo, para o G7: Bolsonaro também não poderá ser chamado.

Quem é. Roberto Ferreira Dias, diretor de logística da Saúde, teve indicação à Anvisa no ano passado cancelada por Bolsonaro, após notícias de contratos suspeitos sob sua gestão.

Padrinhos. Dias fora indicado pelo líder do governo na Câmara Ricardo Barros (PP-PR), mas também contou com forte apoio de Davi Alcolumbre (DEM-AP).

Onde está Wally? Ricardo “desapareceu” por minutos do radar da CPI. O pânico foi geral. Mas ele estava no aeroporto de Brasília…

SINAIS PARTICULARES.
Luis Ricardo Miranda, servidor da Saúde

Fumaça? Enquanto Paulo Guedes entregava com pompa a reforma tributária na Câmara, ainda não havia nem sinal do texto nos registros oficiais da Casa. O açodamento após tanto tempo de procrastinação tem justificativa: dividir as atenções com os depoimentos da CPI da Covid.

Lápis. Com o aumento da faixa de isenção no projeto de lei do governo, de R$ 1,9 mil para R$ 2,5 mil, a correção de um ano para o outro foi a maior nominal desde 1994 (31,3%). A segunda maior foi em 2002, quando a faixa passou de R$ 900 para R$ 1.000.

CLICK. O ex-governador do Espírito Santo Paulo Hartung tomou a segunda dose da vacina contra a covid-19 em Vitória. “Reforço meu compromisso com a ciência.”

Reprodução/Instagram

Diálogos. Otavio Leite, do PSDB-RJ, conversa hoje, 26, com o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, sobre as prévias do partido. João Doria, Arthur Virgílio e Tasso Jereissati devem participar de futuros encontros no Rio.

Diálogos 2. “As prévias serão a oportunidade de elaborarmos um programa sólido e arrojado para o País”, afirma Otávio Leite.

A luta… Para lembrar a data dos 53 anos da famosa “passeata dos 100 mil” e dizer que continua na luta pela democracia, o grupo Geração68 realiza atos públicos neste sábado, 26, em várias cidades do País.

..continua. Em São Paulo, o ato político e cultural está marcado para ocorrer às 17h, na simbólica rua Maria Antônia, em frente ao prédio da USP. Claro, haverá protestos contra Jair Bolsonaro.

PRONTO, FALEI!

Rodrigo Maia. FOTO: FELIPE RAU/ESTADÃO

Rodrigo Maia, deputado federal (Sem partido-RJ): “Não satisfeito em matar os brasileiros, o governo Bolsonaro, agora através de sua reforma tributária, quer matar as médias e grandes empresas do País.”

COM REPORTAGEM DE ALBERTO BOMBIG E MARIANNA HOLANDA. COLABORARAM PEDRO VENCESLAU E PATRICK FREITAS.

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