Governo tenta barrar CPI da Covid-19 no Senado

Governo tenta barrar CPI da Covid-19 no Senado

Mariana Haubert

05 de fevereiro de 2021 | 09h54

O presidente do Senado, Rodrigo Pacheco Foto: Adriano Machado/Reuters

O governo entrou em campo para tentar derrubar a CPI da Covid-19 antes que ela seja criada e instalada. Senadores aliados ao Palácio do Planalto têm tentado convencer quem aderiu ao pedido a retirar a assinatura. A comissão de inquérito quer investigar as ações e omissões do Executivo federal no combate à pandemia.

A promessa dos governistas é de que o Senado pode dar prioridade para projetos que tratem do tema, principalmente os que possam viabilizar a compra de vacinas, como a MP que foi aprovada nesta quinta-feira, 4, e que facilita a compra da vacina russa, a Sputnik V.

Alegam que, assim, o Congresso não tumultuaria o enfrentamento à pandemia com uma investigação que vai atingir as principais autoridades que lidam com a questão, principalmente o ministro da Saúde, Eduardo Pazuello.

A avaliação dos que defendem a CPI, no entanto, é de que o governo federal foi totalmente ineficiente no enfrentamento à covid-19 e não é mais possível esperar promessas. Ela foi articulada pelo senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), que denuncia uma atuação “sistemática” do governo, violando os direitos fundamentais básicos à vida e à saúde da população brasileira, além de responsabilização pelo colapso de saúde no Amazonas.

De acordo com Randolfe, nenhuma das 30 assinaturas havia sido retirada até o fim desta quinta-feira, 4. São necessárias pelo menos 27 adesões para que um pedido de criação de CPI seja protocolado.

O pedido de CPI é o primeiro grande desafio de Rodrigo Pacheco (DEM-MG) à frente do Senado. Ele foi eleito com apoio do Palácio do Planalto e agora está em uma sinuca de bico: ou assume, perante a sociedade, a responsabilidade de enterrar a comissão ou bate de frente com o governo.

Com mais de 20 anos de vida parlamentar, o senador José Serra (PSDB-SP) assinou, pela primeira vez, um pedido de criação de CPI. Interlocutores, porém, afirmam que ele não pretende retirar seu apoio.

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