‘Fora Bolsonaro’ pode dar espaço ao ‘Ele Não’ em protestos de rua em 2022

‘Fora Bolsonaro’ pode dar espaço ao ‘Ele Não’ em protestos de rua em 2022

Coluna do Estadão

15 de novembro de 2021 | 05h00

Sem fôlego desde outubro, o “Fora Bolsonaro” deve tentar uma volta às ruas no início de 2022, mas em versão mais pré-eleitoral, digamos assim. Organizadores de atos têm discutido retomar as mobilizações antes mesmo do Carnaval. Os grupos analisam os calendários letivos dos Estados para tentar atrair, com o retorno das aulas, as entidades estudantis. Ainda que a bandeira do impeachment apareça, internamente há certo consenso de que mobilizações em 2022 invariavelmente tenham mais cara de “Ele Não”, como em 2018. Está clara também a tendência de que grupos mais identificados a uma ou outra pré-candidatura (Lula, Ciro e Moro, principalmente) evitem se misturar nas ruas.

Shows. Além do calendário escolar, o ato da coalizão Direitos Já que estava inicialmente previsto para esta segunda, 15, em formato de “festival pela democracia”, está sendo discutido para o início do ano que vem também por um pedido de artistas que foram convidados. Alguns, cumprem agenda em eventos fora do País.

Rebranding. A campanha “Fora Bolsonaro” transformou seu slogan em “Fora Bolsonaro Racista” para se adequar ao Dia da Consciência Negra, no sábado, dia 20, sem tirar o protagonismo da histórica manifestação antirracismo.

Foco. De Marco Martins, liderança do movimento Acredito em São Paulo: “O ano eleitoral e a (eventual) filiação de Bolsonaro ao Centrão dificulta falar em impeachment, mas temos que continuar nas ruas, denunciando os crimes do presidente para impedir sua reeleição”.

Em setembro de 2018 (foto), candidatura de Bolsonaro levantou o movimento “Ele Não”. Largo do Batata foi um dos lugares mais usados para as mobilizações. Foto: Gabriela Biló/Estadão

Deu ruim. Em outubro, como mostrou a Coluna, Jair Bolsonaro pediu o controle do diretório paulista do PL. Valdemar Costa Neto sinalizou positivamente. O mau momento do presidente nas pesquisas, porém, faz a realidade regional impor fortes resistências em São Paulo e no Nordeste.

Ah, tá. Assessores e aliados de Bolsonaro estão dizendo que ele não quer se associar à imagem ruim de Costa Neto. Claro, o clã é sempre muito seletivo… Mas, se isso for verdade, convém riscar o PP da lista.

CLICK. Pré-candidato a presidente do PSDB se encontrou com Andrea Matarazzo, com quem disputou (e venceu) as prévias municipais do partido, em 2016, na capital. Foto: Coluna do Estadão.

Lupa. O Ministério da Saúde está passando pente-fino para identificar e bloquear operadores do ConecteSUS suspeitos de alterar dados de usuários. Pressionada após repercussão de influenciadores que tiveram seus nomes trocados por xingamentos, a pasta prepara anúncio de medidas para aumentar a segurança dos dados.

Estilo. Aos poucos, Flávia Arruda imprime o seu jeito de trabalhar na articulação política: discreta, dialogando e sempre em busca do resultado pró-governo. A atuação dela foi determinante na recente vitória da PEC dos Precatórios na Câmara.

E agora? Fica a dúvida agora sobre como será o futuro da ministra-chefe da Secretaria de Governo, que é filiada ao PL, se Valdemar Costa Neto e Bolsonaro não se acertarem após a troca de xingamentos.

SINAIS PARTICULARES. Flávia Arruda, ministra-chefe da Secretaria de Governo. Ilustração: Kleber Sales/Estadão

COM REPORTAGEM DE ALBERTO BOMBIG E MATHEUS LARA

PRONTO, FALEI!

Joice Hasselmann, deputada federal (PSDB-SP)

“Nenhum deputado bolsonarista se inscreveu (no TSE) para inspecionar o código-fonte das urnas eletrônicas. Eles só se interessam pela narrativa.”

A deputada federal Joice Hasselmann em entrevista ao Estadão. Foto: Felipe Rau/Estadão

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