Esquerda do NE espera ‘fatura’ de Bolsonaro

Esquerda do NE espera ‘fatura’ de Bolsonaro

Coluna do Estadão

02 de março de 2020 | 05h00

Foto: José Cruz/Agência Brasil)

Após a efetiva participação do governo Jair Bolsonaro na crise da segurança pública do Ceará, aliados de Camilo Santana temem que o presidente tente lucrar ainda mais politicamente a partir de agora com o fim do motim. Para esses interlocutores, o custo da presença federal no Ceará deverá ser uma fatura a ser paga pela esquerda na região: pode dar a Bolsonaro o discurso de “herói suprapartidário” que ajudou policiais e trouxe paz para a população cearense, governada pelo PT. Não será tão simples porque Santana teve papel fundamental.

Ata. Na transmissão online da última quinta-feira, quando não se mostrou convencido a renovar a GLO, o presidente estava especialmente contrariado com um pedido de Santana: o governador havia solicitado a operação por mais 30 dias. Bolsonaro deu sete.

Pera lá. A criação de uma comissão dos três Poderes estaduais, segundo aliados de Santana, foi a vacina encontrada para dar ao Ceará o protagonismo em uma resolução do conflito.

Na mesa. Apesar da desconfiança política, a presença dos militares no Estado, segundo aliados do governador, tem sido essencial nas negociações. Mesmo que a GLO não tenha atuado no enfrentamento, mas na retaguarda, empoderou Santana nas negociações.

CLICK. Michelle Bolsonaro e o amigo, o maquiador Agustin Fernandez, fizeram pamonhas no sábado na Granja do Torto, uma das residências oficiais da Presidência.

Divulgação. Instagram: @agustinofficial

Já era. Parlamentares dizem que a chance de o Congresso voltar a analisar o excludente de ilicitude é próxima de zero, apesar dos reiterados apelos do presidente Jair Bolsonaro.

Já era 2. Aliás, pouquíssimos bolsonaristas têm levantado a bandeira do excludente de ilicitude.

Flopou. A questão já foi discutida e rejeitada pelo Congresso. A medida, que poderia eximir policiais de punição em situações de confronto, fazia parte do pacote anticrime apresentado no ano passado pelo ministro Sérgio Moro.

Negociador. O presidente do MDB, Baleia Rossi (SP), foi o grande articulador da filiação do apresentador José Luiz Datena ao partido. O deputado confirmou ter perfil de político de bastidores, um tanto avesso aos holofotes, porém eficiente no xadrez eleitoral.

SINAIS PARTICULARES. 
José Luiz Datena e Baleia Rossi, apresentador de TV e presidente do MDB, respectivamente

Ilustração: Kleber Sales

Reação. Depois de Janaina Paschoal ter dito à Coluna que Eduardo Bolsonaro quer mesmo é ser candidato à Presidência em 2022, interlocutores da deputada estadual acham que o filho do presidente vai instigar a ala bolsonarista do partido contra a deputada. A bancada do PSL na Alesp está rachada, depois da saída do clã Bolsonaro do partido.

Borracha. Em resposta a um seguidor no Twitter, o ministro da Educação, Abraham Weintraub, disse que os livros didáticos estão sendo limpos aos poucos. O seguidor questionou por que títulos do MEC tratam de candomblé e de história chinesa e, em sua opinião, deixam a do Brasil de fora.

Apaga tudo? “Os livros são contratados por três anos 18, 19, 2020… temos que limpar aos poucos. Já vai melhorar bem. Próximo ano já deve estar quase tudo limpo”, escreveu Weintraub.

Passado. Pela lei, os livros didáticos são obrigados a ter conteúdos educativos sobre a história da África e da luta dos negros no Brasil, com o resgate da contribuição deles para a história brasileira. A lei foi editada em 2003.

BOMBOU NAS REDES!

FOTO: FELIPE RAU/ESTADÃO

João Amoêdo, presidente do Novo:O vídeo repassado pelo ex-deputado federal por 28 anos, e agora presidente [Jair Bolsonaro], prega o ataque às instituições e o fortalecimento de um “mito”. O contrário do que defendo e acredito. O Brasil que queremos virá pelo fortalecimento das instituições, e não por um salvador da pátria”. 

COM REPORTAGEM DE ALBERTO BOMBIG, MARIANA HAUBERT E MARIANNA HOLANDA.

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