Dirigentes partidários alertam para ‘risco Pazuello’ nas PMs

Dirigentes partidários alertam para ‘risco Pazuello’ nas PMs

Alberto Bombig e Matheus Lara

24 de agosto de 2021 | 05h00

Presidentes de partidos ouvidos pela Coluna do Estadão são unânimes em afirmar que foi correta a postura adotada pelo governo paulista de afastar imediatamente o coronel da PM Aleksander Lacerda. Segundo eles, o campo democrático precisa responder à altura às ameaças de ruptura na ordem institucional, punindo e expondo casos em que limites foram extrapolados.

Alguns alertam para o “risco Pazuello”: o temor de que militares da ativa em corporações de polícia e Forças Armadas passem a se manifestar partidariamente, uma transgressão de disciplina. O general, ex-ministro da Saúde, subiu em carro de som com Jair Bolsonaro. E ficou por isso mesmo.

Para os dirigentes, a razão da “contaminação” das corporações tem nome: Jair Bolsonaro. “É o papel a que se presta o presidente. Essa direita que estava no armário será um grupo de inocentes úteis se forem nessa linha (de rasgar a Constituição)”, diz Carlos Lupi, presidente do PDT.

Segundo Luciano Bivar (PSL), partidos devem estar vigilantes quanto à cooptação das polícias. “Executivas nacionais têm a obrigação de externar o alarmismo dessa onda. A preocupação é grande.”

Roberto Freire (Cidadania) aposta no exemplo: “Os governadores não podem ficar imaginando que com moderação vão deter essa escalada golpista. Tem que mostrar quem vai defender a legalidade democrática, agindo como o governo de São Paulo agiu.”

Carlos Siqueira (PSB): “É preocupante quando líderes de instituições que a rigor deveriam servir ao Estado se transformam em militantes”.

Para Eduardo Ribeiro (Novo) e Gleisi Hoffmann (PT), é preciso reforçar a defesa da Constituição diante da postura de Bolsonaro e seus seguidores, em sentido oposto. “Temos que reforçar a ideia de que existe uma linha que não pode ser cruzada. No episódio do Pazuello, o Exército optou por não conferir nenhuma punição. Espero que a Corregedoria da PM/SP seja mais rigorosa”, diz Ribeiro. “O caso de Pazuello acabou repercutindo. Não podemos colocar em risco as conquistas da Constituição”, diz Gleisi.

Juliano Medeiros, do PSOL: “Corporações não podem ter envolvimento político-partidário. É curioso, porque sempre que esses trabalhadores reivindicam melhores salários ou condições de trabalho, esse aspecto é levantado. Mas quando vemos movimentos de extrema-direita infiltrados nas forças de segurança, muitos consideram normal.”

Em maio, Pazuello participou de ato com Bolsonaro no Rio. Foto: Wilton Junior/Estadão

É o botão, estúpido! De um sábio: os ruídos verdadeiramente importantes da semana passada ocorreram entre Arthur Lira e Paulo Guedes e entre o presidente da Câmara e os “bolsominions”, que o atazanaram nas redes sociais. Como se sabe, trata-se do homem do “botão amarelo”.

SINAIS PARTICULARES. Arthur Lira, presidente da Câmara. Ilustração: Kleber Sales/Estadão

Cadê? A falta de ação política do governo federal na tramitação da reforma das regras do Imposto de Renda tem causado frustração. A avaliação é de que o texto, que está nas mãos de Lira para ser pautado, já virou depois de cinco versões um “Frankenstein”, remendado, revisado e remontado, para ceder a grupos de pressão.

Ainda… “É preciso que o governo se articule melhor na defesa da reforma. Trabalhar junto às bancadas, mostrar cálculos e fazer todo o esforço de convencimento. É um texto complexo, tem de ser informado com clareza para chegarmos a um consenso”, diz o deputado Marco Bertaiolli (PSD-SP).

…pulsa. Enquanto isso, a matéria segue na pauta de reuniões. Hoje, empresários da Associação Brasileira das Companhias Abertas (Abrasca) se encontram com a Frente Parlamentar de Empreendedorismo para marcar posição sobre, entre outros pontos, retomar a alíquota do imposto para pessoa jurídica para 21,5% (como era na primeira versão do relatório).

Guerra. A inclusão do presidente do STJD, Otavinho Noronha, e do vice administrativo, Felipe Beviláqua, na mais recente denúncia contra Rogério Caboclo causou constrangimento na Justiça Desportiva.

Guerra 2. Após a denúncia protocolada por uma funcionária, um ex-colaborador da CBF ingressou com pedido de investigação na entidade relatando a existência de áudio que sugeriria negociação dela com o grupo de Marco Polo Del Nero, ex-presidente da entidade banido do futebol.

CLICK. A cantora Fernanda Abreu fez alerta após ter sido imunizada contra a covid-19, no Rio: “A pandemia não acabou, use máscara, tome a segunda dose!”, disse.

Posição. Diplomatas vão engrossar o caldo da pressão contra a PEC dos precatórios. A Associação dos Diplomatas Brasileiros vê “manobra fiscal” na proposta e afirma que o parcelamento prejudica particularmente os servidores aposentados. “Um claro desrespeito à segurança jurídica. Idosos correm o risco de sequer receberem parte do que lhe é devido”, diz a entidade.

PRONTO, FALEI! 

Janaina Paschoal, deputada estadual (PSL-SP)

“Jornais mostram bares, praias e restaurantes cheios em São Paulo. Como podem as universidades públicas estarem fechadas? Absurdo.”

Foto: Nilton Fukuda/Estadão

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