Governo do Estado de São Paulo
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Após afastar coronel da PM, Doria alerta governadores sobre risco de militantes armados nas ruas

Governador paulista citou atuação de 'milícias bolsonaristas' nas manifestações de 7 de Setembro a mandatários de outros 24 Estados e do DF durante reunião sobre crise entre Poderes

Marcelo de Moraes e Pedro Venceslau, O Estado de S.Paulo

23 de agosto de 2021 | 12h45

O governador de São Paulo, João Doria (PSDB) fez um alerta a outros 24 governadores de Estado e do Distrito Federal sobre a hipótese de integrantes da Polícia Militar agirem contra a democracia a partir das próprias corporações. Ele relatou aos colegas a decisão de afastar o chefe do Comando de Policiamento do Interior-7 (CPI-7), Aleksander Lacerda, após o Estadão revelar publicações do coronel em rede sociais com críticas ao STF, ao próprio governador e insuflando a participação de "amigos" nas manifestações de 7 de setembro

"Isso que está acontecendo em São Paulo pode acontecer em seus Estados. Fiquem atentos. Aqui temos a inteligência da Polícia Civil que indica claramente o crescimento desses movimentos autoritários para criar emparedamento de prefeitos e governadores que defendem a democracia", afirmou o governador.

Ele deixou claro estar bastante preocupado com a presença de militantes armados nas manifestações previstas para 7 de Setembro. Em São Paulo, o ato está marcado para ocorrer na Avenida Paulista. “Se já não bastassem as ameaças cada vez mais crescentes nas últimas semanas, teremos nesse mês de setembro manifestações. Não apenas do direito de se manifestar contra ou a favor, mas manifestações ruidosas para colocar em risco a democracia", disse o governador paulista durante reunião com a participação de 21 mandatários dos Executivos estaduais; a maioria de modo virtual, como o tucano. "Caminhoneiros que estão sendo organizados por milícias bolsonaristas para fechar estradas, fechar acesso às estradas. O estímulo pelas redes sociais para que militantes do movimento utilizem armas e saiam às ruas armados. Isso não é defender a democracia. Isso não é estabelecer o diálogo, isso não é respeitar o entendimento, isso é desrespeitar o País e desrespeitar a vida."

O governador destacou que o País está "diante de um momento gravíssimo da vida nacional". E insistiu: "Não é o momento de nos silenciarmos, repito, e nem ficarmos na retaguarda. Nós temos o dever e a obrigação daqueles que, unidos pela defesa da liberdade do País, se manifestarem, sim.”

“O País sofre uma ameaça constante em relação à democracia”, disse Doria. “Basta observar as manifestações feitas pelo presidente Jair Bolsonaro, que flerta com o autoritarismo permanentemente e muitos dos seus ministros endossam isso. Isso afronta os princípios da liberdade, os princípios das instituições, os princípios da democracia e daquilo que nós defendemos.”   

O encontro entre governadores, conduzido a partir de Brasília, é uma reação às ações do presidente Jair Bolsonaro, que, nas últimas semanas, intensificou seus ataques a ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), colocou sob dúvida a realização das próximas eleições e apresentou impeachment contra o ministro Alexandre de Moraes. 

“O que temos o dever de fazer é defender a democracia”, disse o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), durante o encontro, diante da resistência de alinhamento de alguns governadores mais próximos de Bolsonaro. “E não silenciar diante das ameaças que estamos sofrendo constantemente.” Ele defendeu, sem sucesso, que os governadores emitissem uma nota conjunta em defesa da democracia.   

O governador da Bahia, Rui Costa (PT), também concordou com essa visão. “Além de ameaçar a democracia, é uma tragédia para a renda e para os investimentos”, disse. “É notória a repercussão desse comportamento do presidente para os investimentos no Brasil. E o grande prejuízo que isso trouxe para a economia dos Estados. Sem falar na sua postura autoritária de perseguir os Estados e de jogar no colo dos governadores os efeitos nefastos dessa política econômica federal”, criticou.

 

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