Crise deve postergar autonomia do BC, diz Serra

Crise deve postergar autonomia do BC, diz Serra

Coluna do Estadão

19 de março de 2020 | 05h00

José Serra. FOTO: ALEX SILVA/ESTADÃO

Ex-ministro da Saúde e do Planejamento, José Serra diz que, diante do coronavírus, é “imperativo” o mundo “se coordenar fiscal e monetariamente”. “A autonomia dos BCs mundiais já vinha sendo revista desde 2008 e está sendo posta em xeque por esta crise, que requer ampla coordenação com a política fiscal. Não devemos sequer voltar a discutir este tema antes de superá-la e conhecermos o novo arranjo econômico”, disse à Coluna. “Na  saúde, creio que só conseguiremos enfrentar essa pandemia com um fortalecimento a curto prazo do SUS.” Leia a entrevista completa com o senador aqui.

Stop. “Devemos suspender pautas que não sejam prioritárias, especialmente as que se chocam com medidas urgentes, como a PEC Emergencial, que vedaria a contratação de temporários, novas linhas de financiamento e subsídios”, afirma Serra (PSDB-SP).

Esqueça. “A reforma tributária, com um cronograma de 45 dias que já era inexequível, não pode ser discutida com este cenário.”

Já está na hora. O senador pelo PSDB-SP apoiou a aprovação do decreto de calamidade como primeiro passo para fortalecer o SUS. Ele apresentou um Projeto de Decreto Legislativo (PDL) nesse sentido antes de o governo anunciar o pedido ao Congresso.

Porta. Serra é contra o fechamento total das fronteiras. “Podemos usar nossa pauta de alimentos essenciais para barganhar melhores termos de troca para medicamentos, suprimentos médicos e outros insumos básicos essenciais.”

Ressaca. O prefeito de Salvador, ACM Neto, tem confessado a aliados o alívio pelo surto do coronavírus não ter ocorrido durante o carnaval.

SINAIS PARTICULARES
ACM Neto, prefeito de Salvador

Ilustração: Kleber Sales

Tô fora. Apesar de Rodrigo Maia ter dito publicamente que não participaria da coletiva no Planalto por causa das votações de projetos na Câmara, aliados dele disseram nos bastidores que a ideia inicial do palácio era de que ela ocorresse no mesmo horário do panelaço contra o presidente Jair Bolsonaro, à noite.

Perigo. A avaliação é de que o governo usaria o discurso de que as manifestações seriam contra todas as instituições, e não somente contra o presidente. Houve também o temor de que a situação saísse de controle caso houvesse uma indisposição entre os chefes dos Poderes. A Coluna não conseguiu falar com Maia.

Idos de março. O primeiro panelaço relevante contra Dilma Rousseff foi em 8 de março de 2015. É bom Bolsonaro abrir o olho.

CLICK. Para analistas, os panelaços traduzem a insatisfação de parte da população com Jair Bolsonaro no combate ao coronavírus: foram mais intensos no Rio e em SP.

Foto: DANIEL TEIXEIRA/ESTADÃO

Ouça-me. O ministro Tarcísio Gomes entrou em campo para tentar reverter a decisão de sindicalistas de paralisar as operações no Porto de Santos por causa do coronavírus. Pediu que, pelo menos, esperem até a semana que vem.

Alerta. A recomendação do CNJ para que tribunais e juízes avaliem revogar prisões ou progredir regimes, como prevenção ao coronavírus nos presídios, acendeu uma luz vermelha no MPF e nos Estados.

Alerta 2. O principal problema, na avaliação de membros do MPF e secretários estaduais, é que a medida é muito ampla e não se sabe quantos presos poderiam se beneficiar. Nos Estados, os gestores de segurança temem “saidões”, e dizem que nem sequer há tornozeleiras eletrônicas. Leia mais aqui.

BOMBOU NAS REDES! 

Jairo Nicolau

Foto: HÉLVIO ROMERO/ESTADÃO

Jairo Nicolau, cientista político: “No Rio, os mesmos bairros que soltaram fogos na vitória do segundo turno agora batem panelas. Acho que já temos muitos fogueteiros arrependidos.”

COM REPORTAGEM DE ALBERTO BOMBIG, MARIANA HAUBERT E MARIANNA HOLANDA. 

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