Clima eleitoral e bate-boca entre Ciro e Lula brecam conversas da ‘frente ampla’

Clima eleitoral e bate-boca entre Ciro e Lula brecam conversas da ‘frente ampla’

Alberto Bombig e Matheus Lara

20 de outubro de 2021 | 05h00

Organizadores de atos contra Jair Bolsonaro já se dão por vencidos na tentativa de criar uma frente ampla nas ruas pelo impeachment do presidente. Nesta semana, grupos da campanha Fora Bolsonaro, da coalizão Direitos Já! e de partidos de oposição voltaram a discutir novas manifestações, mas com baixa expectativa de união. Depois de protestos mornos e divididos em setembro e outubro, a coalizão Direitos Já ainda mantém o plano de ir às ruas em 15 de novembro com portas abertas para o leque de apoios mais amplo possível, porém, os grupos de esquerda decidiram, por enquanto, só apoiar a manifestação do movimento negro, no dia 20 de novembro, Dia da Consciência Negra.

Era só campanha? Ao que parece, o clima eleitoral cada vez mais quente, com Lula (PT) folgado nas pesquisas, afetou de modo irreversível a possibilidade da frente.

Molhou. O chumbo trocado entre Ciro e Lula e os discursos da extrema esquerda, como o do PCO, contra a frente ampla botaram água no chope. “Não há clima político”, diz Raimundo Bonfim, da Central de Movimentos Populares.

Sai do chão. Na coalizão Direitos Já!, a ideia é de um ato alegre. “Vamos dialogar com partidos e entidades sobre a construção do dia 15, pensar em um novo formato, algo como um festival pela democracia”, diz Fernando Guimarães.

Foto: Taba Benedicto/Estadão

Pesadelo. Carlos Bolsonaro tem uma nova missão: detonar nas redes sociais a hipótese de uma terceira via eleitoral.

Mágoa. Muita gente já se esqueceu, mas os colegas de Renan Calheiros na CPI, não: o relator teve respaldo deles quando o clã Bolsonaro tentou impedi-lo de assumir o cargo antes do início dos trabalhos da comissão. Ou seja, a divulgação prévia do relatório, sem o aval de todos, ganhou ares de uma traição.

Save… João Francisco Aprá, secretário-geral do PSD em São Paulo, está alertando as lideranças do partido no Estado para manterem as agendas bem flexíveis na próxima semana para correrem até Brasília em data ainda a ser definida.

…the date. Segundo ele, Gilberto Kassab apostou uma Coca-Cola com Alda Marco Antônio, do PSD Mulher, que Rodrigo Pacheco assinará a ficha de filiação ao partido antes do final deste mês. O presidente do PSD não costuma perder esse tipo de desafio, afirma Aprá.

CLICK. Alvo de ataques por defender autocrítica da esquerda, a presidente da UNE Bruna Brelaz posou com recado bastante claro na camiseta: “Tire sua raiva do caminho”.

Engenharia… João Doria tem corrido duas maratonas no interior de São Paulo: fazer campanha nas prévias presidenciais do PSDB e visitar os canteiros de obras no Estado (segundo o governo, são 8 mil delas, em todas as regiões).

…das prévias. Para neutralizar as investidas de Eduardo Leite (RS), Doria aposta no apoio dos prefeitos e vice-prefeitos do Estado, sempre sedentos por obras e que, conforme as regras das primárias, têm peso maior de votação.

SINAIS PARTICULARES. João Doria (PSDB), governador de São Paulo. Ilustração: Kleber Sales/Estadão

Segurança… O governo do Pará começa hoje a implementar em regiões com altos índices de violência as “Usinas de Paz”, uma versão própria das Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs) presentes em comunidades do Rio de Janeiro. Serão dez usinas, que no Estado terão estruturas fixas em que serão ofertados mais de 80 serviços em áreas como segurança, educação e esporte.

…e mais. A primeira usina será inaugurada em Ananindeua. “Para reduzir a violência, não basta somente a chegada da polícia. É necessário, mas o Estado tem que estar presente em educação, saúde e outros serviços”, diz a primeira-dama do Estado, Daniela Barbalho, que atua no projeto.

COM REPORTAGEM DE ALBERTO BOMBIG E MATHEUS LARA

PRONTO, FALEI!

Rodrigo Maia, secretário de Projetos e Ações Estratégicas do governo de São Paulo

“Política econômica da aliança Guedes/Lira muito parecida com a política do governo Dilma. E quem paga a conta dessa orgia fiscal é o brasileiro mais pobre.”

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