Ciro Nogueira empenha cacife político por Bolsonaro na guerra contra o STF

Ciro Nogueira empenha cacife político por Bolsonaro na guerra contra o STF

Alberto Bombig e Matheus Lara

19 de agosto de 2021 | 05h00

Quem conhece Ciro Nogueira de longa data não tem dúvida: o ministro colocou o que ainda resta de seu prestígio político à prova para tentar ajudar Jair Bolsonaro a sair da refrega com o STF.

Em bom português, se Bolsonaro puxar a escada e ele ficar pendurado no pincel, como ficou recentemente Arthur Lira, Nogueira passará a cuidar apenas dos interesses de seu PP e de seu Estado (ou seja, de seu futuro eleitoral) na Casa Civil. Porém, se domar a fera, ele até cogitaria abrir mão da candidatura ao governo do Piauí para permanecer no Planalto.

Ciro Nogueira se encontrou com Luiz Fux e falou em “harmonia entre os Poderes”. A meta imediata do ministro da Casa Civil seria convencer Bolsonaro a parar de ameaçar o Supremo e de atacar ministros, inclusive com palavrões.

Não será fácil. Um governista muito próximo do presidente explica que Bolsonaro pode até desistir da história de pedir o impeachment de ministros do STF. Mas não de seu “compromisso com os apoiadores” de combater a “ditadura da toga”.

Bolsonaro e Ciro Nogueira. Foto: Marcos Corrêa/Planalto

Ventríloquo. Como mostrou a Coluna em março, Bolsonaro aplica amplamente a receita do americano Steve Bannon para se manter no Planalto: ocupar o noticiário com “factoides”, declarações polêmicas, ataques e bravatas. O STF, claro, não sairá tão facilmente da linha de tiro.

Ilustração: Kleber Sales/Estadão

Estou… O ministro da Infraestrutura Tarcísio Freitas vai anunciar hoje em São Paulo a antecipação da entrega de uma reforma na pista do aeroporto de Congonhas. É a nona agenda do ministro no Estado nos últimos três meses. Pelo menos outros cinco compromissos já estão previstos para os próximos meses, de concessão de rodovias e portos a leilões na B3.

…aqui. Bolsonaro tem citado o ministro como um possível candidato ao governo do Estado em 2022. Por essas bandas, o bolsonarismo encontra dificuldade para definir um nome na disputa pelo Palácio dos Bandeirantes.

CLICK. João Doria e Rodrigo Maia no Bandeirantes para definir detalhes da entrada do ex-presidente da Câmara no primeiro escalão do governo de SP: rumo a 2022.

De olho. Defensores públicos apontam como inconstitucional a MP da minirreforma trabalhista. Para a Associação Nacional das Defensoras e dos Defensores Públicos (ANADEP), o texto alterado pela Câmara passou a representar “grave violação de direitos” ao limitar o acesso à justiça gratuita no País a pessoas com renda per capita de até meio salário mínimo.

Ponto de vista. “A proposta trouxe de modo inadvertido e perigoso gravíssimas restrições ao acesso à Justiça gratuita, sem qualquer fundamentação idônea e sem ser objeto de debate ou emenda parlamentar. E tudo isso enquanto congressistas discutiam alterações das regras trabalhistas”, diz Rivana Ricarte, presidente da entidade.

Por elas. Lideranças femininas da política participam hoje do lançamento da campanha Política de Saias, iniciativa do projeto que, entre outras medidas, dará encaminhamento a denúncias da violência política contra mulheres.

Ação. Idealizadora da campanha, a promotora Gabriela Manssur vê como fundamental a ação da classe política no combate às violências de gênero: “As autoridades parlamentares, justamente por já estarem ocupando cargos de poder, precisam dar o exemplo para a mulher que anseie ingressar na política, sejam as eleitoras ou as eleitoráveis, proporcionarem segurança, liberdade e incentivo para a participação ativa nos debates e ações.”

Ponto… O diretor-presidente do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, Renato Sérgio de Lima, será ouvido hoje na comissão especial da Câmara que discute a criação da Política Nacional Contraterrorista, projeto apresentado por Bolsonaro quando deputado em 2016 e “requentado” por seu aliado Major Vitor Hugo (PSL-SP).

… crítico. O recado de Lima tende a desagradar bolsonaristas. Para ele, o projeto é um um “Cavalo de Troia” bolsonarista para a segurança pública e sua aprovação poderia reduzir o espaço cívico no país. Ele aposta na implantação efetiva do Sistema Único de Segurança Pública, o SUSP. “A legislação foi aprovada, mas sua execução segue em banho maria no Executivo federal”, aponta.

Segura aí. Mais de 70 entidades assinam um manifesto que foi entregue a Lira, Pacheco e líderes partidários do Congresso contra o novo Código Eleitoral. Entre os signatários estão órgãos da OAB, do CNBB, a Transparência Partidária e movimentos de renovação. O grupo aponta retrocessos em temas como transparência e financiamento partidário e pede o interrompimento da tramitação do projeto, agora no Senado.

PRONTO, FALEI! 

Renan Calheiros, senador (MDB-AL)

“Em junho, por dissimulação, o ministro Queiroga defendeu na CPI o uso obrigatório da máscara. Assumindo o negacionismo e cumprindo ordem, agora é contra. Cai mais uma vez sua máscara.”

Foto: Gabriela Biló/Estadão

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