Bolsonaro prioriza luta política no meio da pandemia

Bolsonaro prioriza luta política no meio da pandemia

Coluna do Estadão

28 de abril de 2020 | 05h00

Foto: Isac Nóbrega/Presidência

Após a eclosão da crise com Sérgio Moro, Jair Bolsonaro tem dedicado boa parte de seu tempo às articulações e à luta política. Pelo menos em público, o presidente não se mostra solidário às milhares de vítimas da covid-19 no País. No Twitter, desde sexta-feira, alguns poucos posts (sete) do presidente citaram ações do governo. “A gente vê crise política, crise da PF, ninguém fala do sofrimento das pessoas, da dor das famílias, me parece uma inversão de valores”, diz o presidente do Conselho Nacional de Secretários de Saúde, Alberto Beltrame (PA).

Mono. Num fim de semana de muitas mortes, Bolsonaro dividiu sua atividade nas redes entre combater adversários e divulgar ações do governo, em sua maioria dedicadas a mitigar os efeitos econômicos da covid-19. Nos encontros reservados, segundo apurou a Coluna, o tema foi um só: a saída de Moro e seus efeitos.

Estou fora. “Essa crise desses dois (Moro e Bolsonaro) não está me interessando. É um episódio medíocre da política brasileira, não estou com orgulho da atuação de um nem de outro”, diz Arthur Virgílio (PSDB), prefeito de Manaus.

Intermediário. Segundo Virgílio, até as 20h de ontem, nem Bolsonaro nem Nelson Teich haviam entrado em contato direto com ele, missão conferida ao secretário executivo da Saúde, Eduardo Pazuello.

Ação. Sobre Manaus, que vive situação dramática, Bolsonaro escreveu no Twitter: “Ganha reforço no atendimento a pessoas com coronavírus”. A cidade teve 140 enterros em 24 horas. Leia mais aqui.

Novos… No governo e no bolsonarismo, cresce a percepção de que o desgaste provocado pela demissão de Sérgio Moro nas camadas mais ricas e esclarecidas da população poderá ser relativizado pela transferência direta de recursos (RS 600) aos mais necessitados, iniciada ontem.

…rumos. “Paradoxalmente, essa ajuda emergencial dada pela pandemia pode ajudar o Bolsonaro a ter uma reconexão com os pobres, Nordeste”, diz o cientista político Carlos Pereira, em entrevista ao podcast Estadão Notícias, disponível em todas as plataformas de streaming e agregadores.

CLICK. João Doria se reuniu com o Comando Militar da Região Sudeste. Estava acompanhado do secretário de Segurança, general João Camilo Campos (1º à esq).

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Vixe. Três pareceres jurídicos atazanam os 78 delatores da Odebrecht. Textos produzidos pelos escritórios Mattos Filho, Veirano e Gouvêa Vieira indicam que eles podem ter de pagar “na física” impostos sobre as multas que a empreiteira quitou em nome deles ao celebrar sua delação.

Vixe 2. A possível dívida tributária dos delatores será efetivada se a Receita entender que eles tiveram um acréscimo patrimonial, e não que foram indenizados, como alega a empresa. Na primeira hipótese, a dívida fiscal supera com folga a marca dos R$ 100 milhões.

Deu ruim. A situação é ainda mais grave porque Marcelo Odebrecht decidiu se antecipar e pagou o imposto. Ou seja, pelo menos um dos delatores do grupo já entendeu que houve um aumento patrimonial.

Quero!. Em conversa com o deputado Paulinho da Força (SD-SP), Rodrigo Maia impôs condição para levantar bandeira branca: se derem a ele “metade dos robozinhos” que os bolsonaristas têm nas redes sociais. O presidente da Câmara é um dos alvos favoritos do gabinete de ódio.

SINAIS PARTICULARES.
Rodrigo Maia (DEM-RJ), presidente da Câmara dos Deputados

Ilustração: Kleber Sales

PRONTO, FALEI! 

Simone Tebet

Foto: Dida Sampaio/ Estadão

Simone Tebet, senadora (MDB-MS): “Por trás dos números dessa pandemia há nomes, sobrenomes e rostos das pessoas que estão morrendo. Como se não bastasse, ainda temos de conviver com os tsunamis criados pelas crises políticas.”

COM REPORTAGEM DE ALBERTO BOMBIG, MARIANA HAUBERT E MARIANNA HOLANDA. 

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