Bolsonaro afaga Ramos após onda de ataques

Bolsonaro afaga Ramos após onda de ataques

Coluna do Estadão

18 de junho de 2020 | 05h00

Foto: Marcos Corrêa/PR

Não é sempre que Jair Bolsonaro concorda com o que seus apoiadores mais radicalizados dizem nas redes sociais. Recentemente, tranquilizou Luiz Eduardo Ramos, vítima de ataques da militância bolsonarista: foi chamado de “comunista”, vejam só. O presidente aconselhou o ministro da Secretaria de Governo a não dar trela porque “está seguro no cargo”. A interlocutores, como demonstração de sua fidelidade ao “amigo” e presidente Bolsonaro, Ramos tem dito que é o “Último Samurai”, numa referência ao filme estrelado por Tom Cruise.

Selo. Aliás, a ala mais radicalizada de parlamentares apoiadores do presidente foi apelidada, entre governistas, de “padrão Sara Winter”. Não como um elogio, claro. A “ativista” está, inclusive, presa.

Aff. A reaproximação do Planalto com o PSL, após Joice Hasselmann (SP) ter saído da liderança do partido, foi o mais recente gatilho para os ataques contra Ramos. Gerou ciumeira na ala “fiel” ao presidente: o governo perdoa os supostos traidores mais rápido que os correligionários.

Apertem os cintos… A refrega Supremo versus Executivo e a gravidade das crises política e sanitária estão evidenciando algo que os analistas e políticos mais experientes já tinham notado: a carência de líderes com história, preparo e envergadura política na atual legislatura do Congresso Nacional, especialmente na Câmara.

…o Congresso sumiu. A estratégia “zen” adotada até aqui por Rodrigo Maia não tem ajudado em nada para mudar essa percepção, sem contar as dificuldades impostas pelas novas regras de convívio social na pandemia. Porém, é consenso de que faltam Gabeiras, Ulysses, Simons, Miros, etc.

Pra cima… A caneca com o símbolo do Corinthians exibida por Alexandre de Moraes na sessão online do STF foi mais do que uma caneca com o símbolo do Corinthians, na interpretação do mundo jurídico.

…deles Timão? No contexto atual de mobilização das torcidas dos times de futebol em defesa da democracia e contra Jair Bolsonaro, foi quase como botar uma bandeira de partido.

Amigo… Luiz Henrique Mandetta participou terça-feira passada de reunião no Palácio dos Bandeirantes, sede do governo paulista, com o seu ex-braço direito no Ministério da Saúde, o médico João Gabbardo.

…estou aqui. Eles não se encontravam desde que Mandetta deixou o cargo de ministro, em abril. Gabbardo passou a compor o time de João Doria no combate ao novo coronavírus.

CLICK. Com Doria, Mandetta e Gabbardo trocaram afagos e dividiram impressões sobre o decorrer da pandemia em SP e as medidas para mitigar a evolução do vírus.

Coluna do Estadão

Condão. Bolsonaro tem se revelado uma fada madrinha às avessas: quem o presidente tenta jogar na lama da opinião pública costuma, ao contrário, ganhar mais respeito. Foi assim com Nelson Teich.

SINAIS PARTICULARES.
Nelson Teich, ex-ministro da Saúde

Ilustração: Kleber Sales

De olho. Carlos Bolsonaro assistiu à posse de Fábio Faria como ministro das Comunicações do mezanino do Palácio do Planalto.

Boa iniciativa. O ministro do Supremo e presidente do TSE, Luís Roberto Barroso, mediará amanhã live com a escritora Djamila Ribeiro, a atriz Camila Pitanga e a senadora Simone Tebet (MDB-MS) para discutir a necessidade do aumento da participação das mulheres na política.

BOMBOU NAS REDES!

Pablo Valadares/Câmara dos Deputados

Arnaldo Jardim (Cidadania-SP): “Colocar tudo em ordem? Que bom. Isso significa não crescer o acirramento entre os Poderes, respeito absoluto à Constituição e somar esforços para enfrentar a crise.”

COM REPORTAGEM DE ALBERTO BOMBIG, MARIANA HAUBERT E MARIANNA HOLANDA.

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