Aliados já dão como certo Moro na política

Aliados já dão como certo Moro na política

Coluna do Estadão

02 de junho de 2020 | 05h00

Ministro da Justiça, Sérgio Moro. FOTO: DIDA SAMPAIO/ESTADÃO

Aliados do ex-ministro Sérgio Moro já veem seu caminho na política como certo. Mesmo com uma postura mais discreta, sem mostrar explicitamente suas intenções, Moro tem deixado claro, segundo esses interlocutores, que o percurso mais provável no médio prazo será mesmo o político-eleitoral. A intenção de seguir carreira como advogado ou palestrante enfrentará obstáculos e será observada pela opinião pública com lupa, afirmou um aliado. Até Rodrigo Maia disse: “Não sei se ele é candidato, mas tem agido como político”.

Estratégia. Desde que deixou a pasta, num rompimento traumático com o governo Bolsonaro, tem constantemente sido aconselhado a submergir. O que fez, de certa forma: no seu último mês no ministério, fez 106 publicações no Twitter; no mês seguinte após sair, o volume caiu para 31.

Aff. Para o entorno de Moro, o problema é o teor muito mais político dos tuítes e sempre reativo a provocações. Interlocutores disseram que, quando é provocado pelo ex-chefe, “ele não se aguenta”.

Caiu. Segundo levantamento da consultoria Bites, no dia da demissão, Moro conseguiu, em dois posts, 552 mil interações no Twitter – seu ápice. Ontem, no mais recente embate com Bolsonaro, chegou a 26 mil

Cálculo. “Enquanto não se colocar efetivamente como oposição, vai perder relevância. Nem mesmo os bolsonaristas falam mais dele”, disse o diretor da Bites, Manoel Fernandes.

Na cola. Juristas vão acionar a Comissão de Ética da Presidência contra Moro. A nova denúncia vai alegar, entre outras coisas, suposta divulgação de informações privilegiadas em entrevistas depois que deixou a pasta. Esta já é a segunda ação contra ele no colegiado.

CLICK. Luciano Huck escolheu uma foto do corintiano Sócrates para demonstrar apoio aos atos pró-democracia. A torcida do time foi uma das organizadoras.

Reprodução/Instagram

Vem pra cá. André Mendonça (Justiça) escolheu o advogado da União Claudio de Castro Panoeiro para assumir a Secretaria Nacional de Justiça. A nomeação sairá nos próximos dias.

Currículo. Panoeiro coordenou o Grupo de Defesa do Patrimônio Público na Procuradoria Regional da 2.ª Região e é especialista em estratégias anticorrupção e políticas de integridade acerca de corrupção, transparência governamental e direito de acesso à informação. Ele foi o primeiro cego a fazer uma sustentação oral no STJ, em 2010.

Radical. O ministro do STF Marco Aurélio Mello esbarrou com a manifestação na Esplanada, enquanto passeava de moto. Lamentou as aglomerações.

SINAIS PARTICULARES. 
Marco Aurélio Mello, ministro do Supremo Tribunal Federal

Ilustração: Kleber Sales

Esquece. Depois de ir a público afastar a possibilidade de golpe, o chefe do GSI, Augusto Heleno, tem se ocupado em dizer o mesmo na arena favorita do bolsonarismo, o WhatsApp.

Canja de… Um áudio do ministro, ao qual a Coluna teve acesso, diz: “Algumas medidas graves foram tomadas em discordância com a Constituição, mas precisamos enfrentar isso com muita, muita prudência”.

…galinha. Falou ainda sobre a necessidade de recuperação da economia e que “precisamos ter juízo (…) e não adotar posturas radicais que possam nos afundar mais ainda”.

Calma, gente. O vento mudou para o projeto de fake news no Senado: mesmo parlamentares favoráveis agora dizem ser um timing ruim. Temem que o projeto, na pauta para votação de hoje, fique com pecha de perseguição ao governo neste momento.

BOMBOU NAS REDES!

Fabio Trad. FOTO: LUIS MACEDO/CÂMARA DOS DEPUTADOS

Fábio Trad, deputado federal (PSD-MS): “As manifestações a favor da democracia não podem fazer o jogo de quem quer o pretexto da desordem para justificar ataques à própria democracia.”

COM REPORTAGEM DE MARIANA HAUBERT (INTERINA) E MARIANNA HOLANDA.  (O EDITOR ALBERTO BOMBIG ESTÁ EM FÉRIAS). 

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