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Política

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CPI da Covid: veja como foi o depoimento de Mayra Pinheiro, a 'capitã cloroquina'

Secretária de Gestão do Trabalho e da Educação no Ministério da Saúde questionou orientações da OMS e disse que nunca recebeu ordens de Bolsonaro para incentivar cloroquina

Conhecida como “capitã cloroquina” por defender o chamado “tratamento precoce” contra o coronavírus, um conjunto de medidas sem comprovação científica que inclui o uso de cloroquina e a ivermectina, Mayra Pinheiro presta depoimento hoje na CPI da Covid.

 

A secretária de Gestão do Trabalho e da Educação no Ministério da Saúde disse que nunca recebeu ordens de Bolsonaro para incentivar cloroquina e foi questionada sobre o apoio à tese da imunidade de rebanho. Mayra afirmou que a "estratégia não pode ser usada indistintamente". Segundo ela, suas posições a respeito de tal tese foram mal compreendidas.

 

Mayra ainda questionou orientações da Organização Mundial da Saúde (OMS). Ela afirmou que nem o Brasil nem qualquer outro País é obrigado a seguir as recomendações da OMS. “O Brasil não é obrigado a seguir a OMS e se tivéssemos seguido teríamos falhado como a OMS falhou várias vezes”. 

 

Programação da semana na CPI da Covid 

 

O depoimento de Mayra Pinheiro estava inicialmente marcado para quinta, 20, mas teve que ser adiado por causa da participação de Eduardo Pazuello, que se estendeu por dois dias. Depois de ouvir a secretária, a CPI votará 188 requerimentos de convocação de testemunhas na quarta-feira e decidirá quam será a testemunha a depor na quinta, 27.

 

 

ACOMPANHE AO VIVO

Atualizar
  • 17h01

    25/05/2021

    Sessão da CPI com Mayra Pinheiro acaba de ser encerrada. 

  • 16h38

    25/05/2021

    Alessandro Vieira rebate médica e fala em "desonestidade intelectual"

     

    Ao questionar Mayra, o senador Alessandro Vieira (Cidadania-SE) citou um levantamento feito pelo professor Paulo Ricardo Martins Filho, da Universidade Federal de Sergipe. Martins é doutor em Ciências da Saúde, especializado em epidemiologia e coordenador da disciplina de revisão sistemática e meta-análise – justamente o campo de estudo que permite a especialistas interpretarem dados biomédicos e tomarem decisões na área da saúde.

     

    Ele compilou 2.871 estudos sobre Covid-19 realizados em todo o mundo e os classificou de acordo com a metodologia para destacar quais seriam os estudos de excelência.

     

    "Segundo o que o dr. Paulo me traz, desses estudos que ele analisou, nessas bases todas internacionais e nacionais, foram encontrados 14 estudos com essas características (ensaios clínicos randomizados, controlados, duplo-cegos). As características de de excelência na qualidade como evidência. Desses 14 estudos, absolutamente nenhum indica benefício no uso de medicamentos como a hidroxicloroquina", afirmou o senador. 

     

    Vieira também contra argumentou críticas que a médica fez em relação a um estudo que apontava paralelo entre o uso de cloroquina e mortes, realizado pela Fundação de Medicina Tropical, ligada à Fiocruz. A versão citada por bolsonaristas e pela doutora Mayra é a de que o estudo descredibilizou a cloroquina ao usar doses tóxicas, gerando mortes que não teriam ocorrido em doses normais.

     

    "O Ministério Público Federal e o Conselho Federal de Medicina discordam da senhora", disse o senador, acrescentando que os procedimentos investigando o estudo nesses órgãos foram arquivados. Vieira, que fez carreira como delegado da Polícia Civil, usou as palavras "desonestidade intelectual" para se referir a como a médica criticou o estudo reiteradas vezes sem mencionar que duas das três investigações sobre a pesquisa foram arquivadas. 

     

    Paula Reverbel

  • 16h09

    25/05/2021

    Mayra diz que Pazuello recebia informações diárias sobre o caos em Manaus

     

    O senador Alessandro Vieira (Cidadania-ES), suplente da CPI da Covid, perguntou se a secretária relatou a Pazuello o caos que ela encontrou em Manaus, durante sua visita à capital do Amazonas, em janeiro de 2021. "O relatório era diário", respondeu Mayra. 

     

    Então Vieira continua seu questionamento, perguntou se no dia 15 de janeiro o ex-ministro Pazuello já tinha essas informações do caos absoluto em Manaus. Foi nesse dia que houve houve a reunião interministerial  com o presidente Bolsonaro, em que foi decidida a não intervenção no Estado do Amazonas. 

     

    "Todos os relatórios eram entregues diariamente, de todas as secretarias. Tivemos a organização de comitê intersetorial em Manaus, com reuniões duas vezes por dia, para juntar todas as ações e organizar o que deveríamos demandar", explicou Mayra.

     

    Fábia Renata

  • 16h02

    25/05/2021

    Mayra responsabiliza autoridades locais para 'caos' em Manaus: 'Unidades fechadas com cadeado e corrente'

     

    Mayra salientou a desestruturação de unidades públicas de atendimento médico de Manaus, de responsabilidade das autoridades locais. As mortes por asfixia na capital amazonense chocaram o Brasil e o mundo no início do ano.

     

    "Eu pessoalmente não estive nas Unidades Básicas de Saúde (de Manaus). A prospecção foi feita através de um relatório por um grupo de médicos e técnicos do Ministério da Saúde. O secretário da Atenção Primária à Saúde permaneceu por quase 30 dias em Manaus, visitando todas as unidades de saúde. O cenário que eu posso dizer hoje ao senhor – isso estava presente no relatório – era de caos. Nós encontramos unidades fechadas, literalmente, com cadeado e corrente", afirmou.  

     

    O governo Bolsonaro foi duramente criticado por não ter ajudado o Amazonas quando soube que o Estado passava por fase crítica. Em seu depoimento, o ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello chegou a mentir sobre a data em que tomou conhecimento da situação. "Encontramos unidades que não estavam atendendo, que não tinham médicos, que não tinham medicamentos nas suas farmácias básicas. Nós não encontramos triagem organizada para covid, que é uma recomendação do Ministério da Saúde", afirmou Mayra. 

     

    Paula Reverbel

  • 15h51

    25/05/2021

    CPI da Covid: Randolfe mostra áudio de Mayra Pinheiro dizendo que tinha um pênis na porta da FioCruz

     

     

  • 15h41

    25/05/2021

    Mayra diz que não pode obrigar médicos a fazerem treinamento

     

    O senador Eduardo Braga (MDB-AM) voltou a perguntar para a secretária de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde do Ministério da Saúde se foi oferecido algum tipo de treinamento para os médicos combaterem a covid-19.

     

    Mayra disse que vários cursos foram disponibilizados, mas que não pode obrigar os médicos a fazê-los. "Não tem como obrigar as pessoas a se submeterem ao treinamento, somos um país livre e democrático", disse a secretária.

     

    O senador disse que teve covid e que uma equipe treinada faz toda a diferença. "No site do Ministério da Saúde não especifica se foram treinados em intubação, uma das razões principais entre a morte e a vida. Lamentavelmente fiquei internado e felizmente estou aqui para falar sobre o tema e faz diferença se a equipe é treinada na área de intubação e no tratamento de covid", falou Braga.

     

    Fábia Renata

  • 15h08

    25/05/2021

    Mayra diz não se lembrar de ver Bolsonaro defendendo isolamento

     

    Ainda durante questionamentos do senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), a médica Mayra Pinheiro disse não se recordar de nenhuma fala do presidente Jair Bolsonaro defendendo a prática de isolamento social como medida de contenção do coronavírus. "A sra. se recorda de alguma fala do presidente da República defendendo o isolamento social?", indagou o parlamentar. "Não me recordo", respondeu a médica. Ela ainda afirmou que, ao longo da pandemia, Bolsonaro fez uma visita ao Ministério da Saúde para tratar da covid-19, considerando apenas as reuniões da qual ela participou. 

     

    Paula Reverbel

  • 15h07

    25/05/2021

    'Induzir imunidade através do efeito rebanho é extremamente perigosa para grandes populações'

     

    Mayra Pinheiro afirmou ser contrária à estratégia de procurar induzir a chamada imunidade de rebanho – atingir um ponto em que há uma quantidade suficiente de pessoas imunes ao vírus porque já se recuperaram da doença – em grandes populações.

     

    "A política de você induzir imunidade através do efeito rebanho é extremamente perigosa. Para grandes populações, você não sabe quantas pessoas vão precisar ser submetidas a esse tipo de teoria e ela pode induzir milhares de óbitos. Então, eu não concordo com isso (praticado) de forma generalizada. Em pequenos grupos populacionais, isso pode ser usado", disse.

     

    A médica defendeu que as pessoas precisam tomar a vacina mesmo que elas tenham se recuperado da doença, já que há muitas variantes e incertezas em jogo. Ela também disse que, como médica, recomenda o uso de máscaras e a prática de distanciamento social. 

     

    Paula Reverbel

  • 14h48

    25/05/2021

    'Pixuleco' de Bolsonaro é inflado pelo movimento Acredito em Brasília nesta terça, 25.

     

    Foto: Ueslei Marcelino/Reuters

    ss

  • 14h30

    25/05/2021

    Mayra disse que cloroquina só foi distribuída a pedido de Estados e municípios 

     

    O senador Jorginho Mello (PL-SC) voltou ao assunto do tratamento precoce com uso dos medicamentos cloroquina e hidroxicloroquina. Perguntou à secretária como era a distribuição desses remédios. "Mediante requisição formal de Estados e municípios", respondeu Mayra. Neste caso, Mayra confirmou as declarações dadas por seu ex-chefe Eduardo Pazuello semana passada aos senadores, diferentemente do que fez em relação ao suposto hackeamento do aplicativo TrateCOV e do conhecimento pela pasta da crise de oxigênio em Manaus

     

    "Hoje nós já temos bastante evidências mostrando a eficácia hidroxicloroquina, da ivermectina, da cloroquina, da colchicina... São 17 medicamentos. O grande problema de a gente estar se referindo à cloroquina e hidroxicloroquina é que elas foram foram muito estigmatizadas por conta dos trabalhos que, ao invés de mostrarem resultados positivos, usaram critérios metodológicos negativos – mortes e desfechos desfavoráveis", afirmou Pinheiro. "Então esses medicamentos já têm sim, senador, um bom nível de evidência para que nós possamos utilizá-los", concluiu. 

     

    Ela disse ainda que os medicamentos são seguros e que os médicos não podiam, no contexto da pandemia, esperar "o mais alto nível da evidência" (sobre a eficácia) porque ela não viria em um curto espaço de tempo. 

     

    Fábia Renata e Paula reverbel 

  • 14h24

    25/05/2021

    CPI da Covid retoma a sessão com depoimento de Mayra Pinheiro após o intervalo.

  • 14h09

    25/05/2021

    CPI da Covid: Mayra contradiz Pazuello sobre data em que soube da falta de oxigênio em Manaus

     

     

  • 13h36

    25/05/2021

    O presidente da CPI da Covid, senador Omar Aziz, suspendeu a reunião por 30 minutos para que os participassem pudessem almoçar. Há ainda quatro senadores titulares inscritos para falar, além dos demais parlamentares. 

  • 13h26

    25/05/2021

    Senador Marcos Rogério pergunta por que senadores condenam tratamento precoce

     

    O senador  Marcos Rogério (DEM-RO), da base governista, apresentou na CPI da Covid protocolos retirados dos sites de alguns Estados que recomendam tratamento precoce com cloroquina e hidroxicloroquina. Citou os Estados de Alagoas, Bahia, Amapá e São Paulo. 

     

    "Não sei porque aqui tem sido tão condenado o tratamento precoce! Até o dia 25 de agosto de 2020, o governo de São Paulo distribuiu cloroquina para todo o Estado", disse Rogério. 

     

    Apoiada nas informações do senador, a secretária mais uma vez defendeu o tratamento precoce. "Existe perseguição aos médicos, que são autônomos para prescrever", defendeu Mayra.

     

    Rogério já havia ultrapassado seu tempo regulamentar em quatro minutos quando o presidente da CPI, Omar Aziz, o interrompeu e disse que teria de encerrar sua fala. O senador protestou e disse que já houve tolerância de até dez minutos além do tempo com parlamentares da oposição. Ele continuou com a palavra. 

  • 12h46

    25/05/2021

    Médico, senador Otto Alencar questiona Mayra sobre estudos que indicariam cloroquina para covid, já que droga não é antiviral

     

    O senador Otto Alencar (PSD-BA) perguntou para a "capitã cloroquina" quais estudos indicam uso da cloroquina para tratamento de covid-19. Ele citou estudos do infectologista Roberto Badaró sobre a ineficácia da cloroquina para combater o coronavírus,e a "senhora não é infectologista", ressaltou Alencar.

     

    "A cloroquina é um antiparasitário. Não existe nenhuma medicação que possa evitar a contaminação pelo vírus", afirmou o senador, que perguntou para Mayra se existe alguma medicação para evitar sarampo, paralisia infantil, varíola, H1N1. A secretária respondeu que não, só vacina.

     

    "Como inventaram agora que hidroxicloroquina pode evitar que uma pessoa se contamine do coronavírus?", questionou Alencar. Mayra respondeu que sabe que a cloroquina ou qualquer outro medicamento usado no tratamento precoce "não cura" covid, mas serve para evitar internações, segundo ela.

     

    Ela reafirmou que apesar de não ser um antiviral, a cloroquina tem efeito antiviral, justificando mais uma vez o uso do medicamento.

     

    Fábia Renata

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