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CPI da Covid: veja como foi o depoimento de Dimas Covas, diretor do Instituto Butantan

Diretor do instituto disse que negociação com Saúde sobre compra de vacina travou após declaração de Bolsonaro

O diretor do Instituto Butantan, Dimas Covas, participou nesta quinta-feira, 27, como testemunha na CPI da Covid no Senado.

 

O órgão do governo do Estado de São Paulo foi o primeiro centro a fornecer vacina contra a covid-19 no Brasil. A CoronaVac, que tem sido aplicada em brasileiro desde 17 de janeiro, é resultado da associação do Butantan com o laboratório Sinovac Biotech, da China.

 

Aos senadores, Dimas afirmou que a primeira oferta de Coronavac foi feita em julho de 2020 ao ministério da Saúde. Antes, portanto, das primeiras ofertas da Pfizer, feitas em agosto. Ele afirmou que o Brasil tinha 5,5 milhões de doses ainda em dezembro e que o País poderia ter sido o primeiro a iniciar a vacinação.

 

Em resumo:

- Primeira oferta de Coronavac foi feita em julho ao ministério, diz Dimas

'Brasil tinha 5,5, milhões de doses em dezembro, poderia ter sido 1º a vacinar'

- Demora nas tratativas com ministério atrasou em 4 meses entrega de 100 milhões de doses'

Ataques à CoronaVac nas redes atrapalharam recutamento para testes clínicos, diz Dimas

- 'Negociação com Saúde sobre compra de vacina travou após declaração de Bolsonaro'

  

Veja como foi a sessão da CPI da Covid com depoimento de Dimas Covas, diretor do Instituto Butantan: 

 

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  • 16h54

    27/05/2021

    Sessão com Dimas Covas acaba de terminar. Na terça-feira, 1º, a médica oncologista e imunologista Nise Yamaguchi prestará depoimento.

  • 16h38

    27/05/2021

    Girão tenta desacreditar vacina ao citar que José Sarney e Stênio Garcia contraíram a doença depois de serem imunizados

     

    O senador Eduardo Girão (Podemos-CE) questionou Dimas Covas sobre a eficiência da Coronavac e usou o exemplo do ator Stênio Garcia e do ex-presidente José Sarney, que segundo Girão, tomaram as duas doses e não produziram anticorpos após a imunização. "O senhor não considera isso uma queda de eficácia?", perguntou Girão.

     

    "Não é eficácia, isso é eficiência, e depende muito dos fatores individuais e ela não protege contra infeccção, nenhuma vacina protege contra infecção, mas contra as manifestações clínicas", explicou Covas.

     

    O senador Girão também disse que tinha informações sobre o uso de células extraídas de fetos abortados para a produção de vacinas pela empresa chinesa Sinovac e perguntou a Dimas Covas se seria possível o Instituto Butantan fornecer amostras da Coronavac para análises em laboratório independente.

     

    "Essas células são disponíveis comercialmente, elas não entram na produção da vacina. Elas entram no processo de controle de qualidade, a vacina é produzida em uma outra célula, de rim de macaco, não é uma célula embrionária humana. Essas células que o senhor menciona são disponíveis hoje para empresas de biotecnologia, mas não para a produção dessa vacina", completou Covas.

     

    Lembre o caso

     

    Em abril, o Estadão Verifica mostrou que o caso de Stênio Garcia foi tirado de contexto para desencorajar vacinação. As postagens nas redes sociais atacaram a eficácia da Coronavac, que foi comprovada em estudos científicos. As postagens analisadas pelo Estadão Verifica compartilhavam manchetes de notícias sobre Garcia juntamente com mensagens como “(vacinas) funcionam mesmo?” e “estão enganando o povo?” Esses posts ignoram o fato do ator ter sido contaminado poucos dias após tomar a segunda dose, antes do tempo necessário estimado para o corpo desenvolver a proteção imunológica.

     

    No dia 9 de abril, a mulher de Stênio, Marilene Saade, disse em seu Instagram que o marido havia testado positivo para o novo coronavírus. Mesmo que ele não tenha apresentado sintomas graves — apenas passou a espirrar com maior frequência — Saade disse que o casal se preocupou, uma vez que ele já havia tomado as duas doses da Coronavac em 9 de fevereiro e 9 de março.

     

    Ela fez várias postagens no Instagram nas quais relatava exames feitos por Stênio Garcia e o progresso do seu quadro clínico, que se manteve sem sintomas. Em 15 de abril, Marilene explicou que o ator provavelmente se contaminou em 13 de março, apenas quatro dias após tomar a segunda dose da vacina, quando foi visitado por uma pessoa que estava contaminada de forma assintomática e não sabia.

     

    Os especialistas alertam que é preciso receber as duas doses da vacina para que se tenha a proteção encontrada nos estudos clínicos. Além disso, deve-se aguardar um período de cerca de 20 dias após tomar o reforço do imunizante para que haja tempo do corpo ter a resposta imunológica. Por isso, é esperado que Stênio pudesse se contaminar, tendo em vista que isso teria ocorrido, segundo a esposa, apenas quatro dias após a segunda dose. (Fábia Renata e Pedro Prata)

  • 15h53

    27/05/2021

    Estudo inédito brasileiro mostra necessidade de 97% de vacinados para interferir na disseminação da covid-19, diz Dimas Covas

     

    Perguntado pelo senador Alessandro Vieira (Cidadania-SE), Dimas Covas afirmou que estudo inédito realizado em Serrana (SP), mostra a necessidade de haver vacinação de 97% das pessoas em risco para haver decréscimo natural da epidemia. Ele havia sido indagado sobre a importância de um programa de vacinação para interferir curva de contaminação.

     

    "Senador, nós fizemos um estudo inédito no mundo para responder a essa questão. Porque todos os estudos foram feitos no sentido de determinar a eficácia contra a doença. Nós fizemos um estudo, e é inédito no mundo, em uma cidade do interior de São Paulo chamada Serrana (SP), cidade de 45 mil habitantes, com 30 mil adultos de 18 anos ou mais. Vacinamos 97% dessa população (adulta) com as duas doses e acompanhamos isso no tempo. Nessa semana, será feito o relatório final, mas eu posso já dizer ao senhor que lá, ?o número de casos em idosos em caiu 70% após a aplicação da segunda dose", afirmou Covas. 

     

    "E não só na população de ?idoso, em toda a população vacinada, isso vem caindo progressivamente. Mostrando que o efeito da vacina, quando se vacina em massa, ele é de fato um efeito direto sobre a evolução da epidemia. E é esse o objetivo. Enquanto não houver essa vacinação de 97% das pessoas em risco, como foi o caso lá em Serrana, nós não vamos ter esse decréscimo natural da epidemia. Ela poderá ficar sofrendo essas idas e vindas, principalmente quando surge uma variante nova", concluiu.

     

    Na pergunta, Vieira havia citado números trazidos por depoentes anteriores, como o ex-CEO da Pfizer no Brasil, para concluir que o País poderia contar hoje com o dobro de vacinados atuais caso o governo tivesse manifestado, na primeira oportunidade, interesse pela aquisição de imunizantes. 

     

    "Os cálculos que são apresentados (por professores consultados), apontam que esse número que está aí na frente do relator Renan Calheiros, que hoje é de 454 mil mortos (brasileiros), poderia estar abaixo dos 400 mil. Só falando em mortes, diretamente. São centenas de milhares de brasileiros que não precisariam ter sido internados. Milhões de brasileiros que não seriam contaminados. Nesse ponto, peço aí a colaboração, como especialista, para informar à CPI e aos brasileiros a questão de como a vacina interfere na curva de contaminação. Como ela retarda a contaminação e permite que o Estado se prepare e salve vidas?", havia indagado o senador. 

     

    Paula Reverbel

  • 15h03

    27/05/2021

    A sessão com o depoimento de Dimas Covas foi retomada após o intervalo.

  • 14h25

    27/05/2021

    Não houve investimento direto do governo federal no desenvolvimento da Coronavac, diz Dimas Covas

     

    O presidente do Instituto Butantan, Dimas Covas, afirmou que, ao contrário do que ocorreu em gestões federais passadas, não houve investimento direto do Ministério da Saúde no desenvolvimento da Coronavac, apenas pagamento posterior da pasta pelas doses fornecidas ao SUS.

     

    Ele esclareceu a diferença entre os dois tipos de repasse após o senador governista Fernando Bezerra (MDB-PE) citar valores repassados pela gestão Bolsonaro ao instituto desde 2019 e, com isso, defender que não há má vontade do governo federal com o instituto.

     

    Covas esclareceu que os valores citados não eram investimento em pesquisa e desenvolvimento, e sim referentes ao pagamento por vacinas e outros produtos de saúde vendidos pelo Butantan ao ministério, como o imunizante contra a gripe.

     

    “Para essa vacina (Coronavac), não ocorreu nenhum investimento direto. O que houve foi o ressarcimento após o registro e o uso da vacina. Isso é muito diferente do que vinha até então”, declarou Covas, citando exemplo de quando, durante a gestão de Dilma Rousseff (PT), o Butantan recebeu verbas para desenvolver um imunizante contra a dengue. 

     

    “Entre 2016 e 2017, o Butantan desenvolveu uma vacina para a dengue. O Ministério (da Saúde) deu R$ 300 milhões de investimento para o desenvolvimento. Com isso, nós fizemos os estudos clínicos e fizemos uma fábrica que hoje está pronta”, disse.

     

    O cientista destacou ainda que, enquanto o Butantan não recebeu nenhuma verba para o financiamento das pesquisas e fábrica da Coronavac, a Fiocruz foi contemplada com R$ 1,9 bilhão para o desenvolvimento da vacina de Oxford/Astrazeneca. 

     

    Fabiana Cambricoli

  • 13h59

    27/05/2021

    Logo no início do depoimento de Dimas Covas na CPI da Covid, a conta oficial do Instituto Butantan no Twitter divulgou um estudo que diz que a disseminação de fake news atrapalhou a vacinação no País.

     

  • 13h56

    27/05/2021

    O presidente da CPI da Covid, senador Omar Aziz, suspendeu a reunião que ouve o diretor do Instituto Butantan, Dimas Covas, por 30 minutos

  • 13h17

    27/05/2021

    TV Estadão: Interlocução com a China melhorou após troca de ministros em postos chave do governo

     

     

    Dimas Covas afirmou que primeira reunião entre o Instituto Butantan, o chanceler Carlos França e Paulo Guedes só aconteceu depois que Marcelo Queiroga assumiu a Saúde. A presença de França e Queiroga tem possibilitado a vinda de insumos chineses para a produção de vacinas no Brasil.

  • 13h05

    27/05/2021

    Dimas diz que enquanto governo brasileiro fazia campanha contra a vacina, outros países estavam interessados em comprar

     

    O senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), vice-presidente da CPI da Covid, apresentou diversas matérias de jornais e documentos sobre apoiadores do governo brasileiro fazendo campanhas contra a vacina Coronavac e, inclusive, do governo federal. E perguntou a Dimas Covas se, em outubro de 2020, havia outros países interessados na Coronavac.

     

    "Muitos. Já estavamos em conversa com países da América Latina para a fornecimento dessa vacina. Negociamos com Argentina, Uruguai, Peru, Bolívia, no sentido de ter uma produção feita no Butantan disponível para esses países", afirmou Covas.

     

    Randolfe lembrou as falas do presidente Bolsonaro, de que "ninguém vai obrigar ninguém a tomar vacina" e que não gastaria dinheiro com vacina da China, que ninguém estava interessado.

     

    Fábia Renata

  • 12h33

    27/05/2021

    Covas diz que medidas não farmacológicas são fundamentais para combater a epidemia

     

    O senador Humberto Costa (PT-PE) pediu a opinião do médico Dimas Covas sobre a tese da imunidade de rebanho, de deixar que a população se contaminar com o vírus para criar imunidade natural. Para ele, a imunidade de rebalho foi descartada e o que funciona são as medidas não farmacológicas.

     

    "A tese da imunidade já foi descartada há muito tempo. No começo da pandemia, alguns países da Europa chegaram a sugerir a possibilidade de ter a questão da imunidade de rebanho, mas naquele momento se sabia muito pouco sobre o curso da própria epidemia. as outras medidas, as chamadas não farmacológicas de enfrentamento da epidemia são fundamentais", defendeu Covas.

     

    Com relação à vacina, explicou que ela é uma das medidas de combate à pandemia e que ela ajuda, mas não impediria as segunda e terceira ondas. "Temos ainda muitas pessoas suscetíveis no Brasil", explicou.

     

    Fábia Renata

  • 12h30

    27/05/2021

    Diretor do Instituto Butantan, Dimas Covas participa da CPI da Covid.

     

    Foto: Gabriela Biló/Estadão

    sdfsd

  • 12h27

    27/05/2021

    Por falta de insumos, 7 milhões de doses da Coronavac previstas para maio serão entregues só em 12 de junho, diz Dimas

     

    Em resposta a questionamento do senador Humberto Costa (PT-PE), o presidente do Instituto Butantan, Dimas Covas, afirmou que, pela demora no recebimento de insumos, a produção da Coronavac ficou parada por cerca de um mês e que as entregas de maio serão prejudicadas.

     

    “Nós tínhamos o compromisso de entregar 12 milhões de doses em maio e já entregamos 5 milhões. A produção foi retomada e vamos entregar 6 milhões de doses a partir de 12 de junho, então houve 7 milhões de doses que poderiam ter sido entregues ainda em maio, de acordo com o cronograma inicial”, declarou.

     

    Os senadores da comissão estão questionando o cientista sobre os impactos das posturas anti-China do presidente Jair Bolsonaro na liberação da matéria-prima das vacinas por parte do governo chinês.

     

    Em abril, o Butantan já havia sofrido com o mesmo problema e atrasou a entrega de 4 milhões de doses previstas para aquele mês. Na ocasião, centenas de cidades tiveram que interromper a aplicação da segunda dose de Coronavac por falta do imunizante. Com isso, ao menos 4,5 milhões de pessoas ficaram com a segunda aplicação atrasada, como revelou o Estadão.

     

    Fabiana Cambricoli

  • 12h15

    27/05/2021

    CPI da Covid: Negociações entre Butantan e Ministério da Saúde esfriaram depois de fala de Bolsonaro

     

     

  • 12h14

    27/05/2021

    Senador governista reproduz áudio de Doria pressionando diretor do Butantan e Covas nega existência de lobista chinês

     

    Durante sua intervenção na CPI da covid, o senador governista Marcos Rogério (DEM-RO) reproduziu um áudio vazado de uma reunião entre o governador de São Paulo, João Doria, e o presidente do Instituto Butantan, Dimas Covas, em que o tucano, em tom exaltado, pressiona Covas sobre uma definição dos chineses sobre o envio de vacinas e insumos. O áudio já havia sido divulgado no documentário A Corrida das Vacinas, da Globoplay.

     

    No trecho, Doria diz ao presidente do Butantan que ele teria que pressionar “seu amigo chinês” para ter uma resposta sobre a entrega das vacinas e disse que pegaria “o chinês pelo pescoço”. Questionado por Rogério sobre a existência de um lobista chinês, Covas negou, justificando que o governador referia-se ao vice-presidente da Sinovac, farmacêutica chinesa desenvolvedora da Coronavac.

     

    Covas esclareceu que, no momento da conversa, nem sequer havia financiamento federal à vacina e que as declarações ocorreram num ambiente privado e eram referentes a relações comerciais entre o Butantan e a Sinovac.

     

    Rogério questionou se a postura exaltada de Doria, considerada por ele como uma “grosseria”, não poderiam ter atrapalhado as relações com a China. Antes da resposta de Covas, o senador Omar Aziz (PSD-AM), presidente da CPI, interrompeu o colega, discordando da fala. “Grosseria? Eu estou vendo a indignação do governador em querer vacina, diferente de outros, que não querem”, declarou.

     

    A fala deu origem a um bate-boca, com Rogério pedindo a Aziz para “controlar sua sanha”. O governista também disse que o presidente da CPI tentava obstruir sua fala, mas foi repudiado por outros senadores.

     

    Fabiana Cambricoli

  • 11h44

    27/05/2021

    'Butanvac será a esperança de vacina dos países pobres', diz Dimas Covas

     

    O relator da CPI da Covid, Renan Calheiros, perguntou ao diretor do Instituto Butantan sobre a vacina Butanvac, a primeira produzida no Brasil, e Covas disse que ela já está em produção e é a esperança dos países pobres, pois tem baixo custo e abrange novas variantes do vírus.

     

    "É a vacina 2.0, que já é a segunda geração de vacinas. O Butantan tem 6 milhões de doses em processo, ela é feita na mesma plataforma da vacina da gripe e isso é parte de um esforço internacional, existe um consórcio internacional para o desenvolvimento. Essa vacina é a grande esperança dos países pobres, por que ela tem baixo custo e é a segunda versão, ela já tem incorporado os conhecimentos científicos com a primeira geração de vacinas", explicou Covas. 

     

    Ainda segundo o diretor do Butantan, a Butanvac estará disponível no último trimestre desse ano e ainda não há tratativas com o Ministério da Saúde para a compra do imunizante.

     

    Fábia Renata

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