Rafael Arbex/Estadão
Rafael Arbex/Estadão

Temer enfrentará dificuldade para conseguir apoio da própria base para reeleição

Outros partidos aliados já lançaram suas candidaturas próprias ou manifestaram apoio a outros presidenciáveis; rejeição alta ao presidente também é barreira

Igor Gadelha, Brasília

25 Março 2018 | 20h13

Mesmo usando a reforma ministerial para tentar amarrar os partidos a seu projeto eleitoral, o presidente Michel Temer enfrentará dificuldade para conseguir apoio da própria base aliada a sua candidatura à reeleição. Das nove maiores legendas da base fora o MDB, sigla de Temer, três já lançaram ou lançarão nos próximos dias pré-candidatos à Presidência da República e outras seis já anunciaram ou sinalizaram apoio a outros presidenciáveis. 

Em linhas gerais, dirigentes partidários dizem que a candidatura de Temer é hoje pouco atrativa. Argumentam que o emedebista tem a mais baixa popularidade se comparado a ex-presidentes e fraco desempenho nas pesquisas de intenção de voto, nas quais pontua com, no máximo, 1%. Para essas lideranças, Temer também enfraquece sua candidatura quando diz que ela tem como principal objetivo defender o legado de seu governo.

Integrantes da base, DEM e PSC já lançaram pré-candidatos ao Palácio do Planalto, respectivamente: o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (RJ), e o presidente do BNDES, Paulo Rabello de Castro. Já o PRB deve lançar esta semana o empresário Flávio Rocha, dono das lojas Riachuelo, como seu presidenciável. "Ele fechou com a gente para tentarmos viabilizar essa pré-candidatura", disse o líder da sigla na Câmara, deputado Celso Russomano (SP).

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O anúncio oficial da filiação e do lançamento da pré-candidatura de Rocha deve ocorrer após reunião dele com deputados federais da sigla marcada para terça-feira, 27. "Chegamos a conversar com outros partidos, como o MDB, mas caminhamos para fechar com o PRB.", disse ao Estadão/Broadcast o empresário, que se reuniu com Russomano no sábado, na capital paulista. "Queremos construir uma candidatura liberal na economia e conservadora na parte social", afirmou.

No comando do Ministério do Trabalho, o PTB já fechou aliança para apoiar o governador Geraldo Alckmin, presidenciável pelo PSDB, e diz que não mudará de posição. "Estamos na torcida por ele (Temer), é um homem de bem, mas já temos compromisso com Alckmin. Não podemos mais mudar o caminho que escolhermos. Já avançamos nas negociações regionais", disse o presidente da sigla, o ex-deputado Roberto Jefferson. Ele afirma estar disposto até mesmo a entregar a Pasta, caso Temer exija da sigla compromisso de apoio a sua reeleição.

O PSD sinalizou apoio a Alckmin e diz também estar disposto a entregar o ministério, caso oficialize aliança com o tucano. "O PSD entende que, caso o governo tenha um candidato, o que é natural, partidos que não estiverem nesse projeto devem se desligar do governo", afirmou o ministro Gilberto Kassab (Ciência e Tecnologia), que negocia aliança com Alckmin no plano nacional em troca de indicar o candidato a vice-governador na chapa do PSDB em São Paulo.

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PP e Solidariedade, por sua vez, indicaram apoio a Maia. "É muito difícil o partido apoiar a reeleição dele (Temer). Temos muita simpatia pela candidatura do Rodrigo, que é o candidato que hoje pode unir o centro. A candidatura do Temer cria dificuldade na base", afirmou o presidente do Solidariedade, deputado Paulinho da Força (SP). "Disse a ele (Temer) que não seja candidato, que termine seu governo vem, sem criar dificuldades. Ele não tem condições", acrescentou.

Também integrante da base, o PR tem como "prioridade" aliança com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Caso o petista não consiga ser candidato, o líder do partido na Câmara, deputado José Rocha (BA), diz que a tendência é que a sigla apoie Maia, Alckmin ou até o deputado federal Jair Bolsonaro (PSL-RJ), que ofereceu a vaga de vice à legenda. "A viabilidade política não sou eu que sou opinião. As pesquisas é que vão dar o norte. Tem que ver o eleitorado", diz Rocha.

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O ministro da Secretaria de Governo, Carlos Marun (MDB), minimiza a posição dos partidos. Para ele, as negociações eleitorais zeraram após Temer admitir publicamente que tentará reeleição. "O jogo recomeçou quando o presidente Temer admitiu a possibilidade de ser candidato. Vivemos uma disputa da qual não podemos sair brigados, já que a possibilidade do nosso sucesso dependerá da nossa capacidade de construir consensos", disse ao Estadão/Broadcast.

Marun afirmou que Temer continuará atrelando a reforma ministerial a seu projeto eleitoral. Além disso, o presidente deve acelerar a agenda de viagens pelo País. "A estratégia é conseguir furar esta blindagem nefasta que ainda faz com que os enormes avanços do nosso governo não sejam reconhecidos pela população", disse Marun, que é um dos principais entusiastas no Planalto da candidatura à reeleição de Temer."Os próximos 60 dias serão eletrizantes."

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