Felipe Rau/Estadão
Felipe Rau/Estadão

Temer consulta aliados e avalia divisão do Ministério da Justiça

Presidente tem feito consultas para ouvir pós e contras da criação de uma pasta exclusiva para Segurança Pública

Carla Araújo e Tânia Monteiro, O Estado de S.Paulo

15 Fevereiro 2018 | 20h55

BRASÍLIA - Com a pauta de segurança pública sobre a mesa do governo nos últimos dias, o presidente Michel Temer voltou a avaliar a possibilidade de dividir o Ministério da Justiça para criar uma pasta exclusiva da Segurança Pública e tem feito consultas a ministros e aliados sobre os prós e contras dessa eventual divisão.

A expectativa é que o tema seja discutido com alguns ministros em uma nova reunião hoje no fim do dia, quando Raul Jungmann (Defesa) e Moreira Franco (Secretaria-geral) retornarem do Rio de Janeiro, onde foram ter uma conversa com o governador do Estado, Luiz Fernando Pezão, que admitiu falhas de planejamento na cobertura policial durante o feriado de carnaval.

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Segundo uma fonte do planalto, a MP que divide as pastas também está pronta, mas o presidente ainda analisa se a assinará mesmo.

De acordo com auxiliares, neste momento, a tendência está mais para "a divisão", mas ainda há muitas lacunas a serem preenchidas. A maioria dos auxiliares consultados por Temer, segundo apurou a reportagem, tem mostrado coisas boas e ruins na divisão.

 

De um lado, o argumento a favor da divisão é que seria importante para a imagem do governo alguém que representasse de fato a preocupação com um tema tão importante como a segurança. Neste caso, no entanto, Temer tem mostrado dificuldades em encontrar um nome que possa trazer credibilidade para a área e força política.

Até o momento, os nomes que circularam - como o do ex-secretário de Segurança Pública do Rio de Janeiro, José Beltrame; do ex-governador Fleury Filho (SP), do próprio Jungmann e do subchefe de Assuntos Jurídicos da Casa Civil, Gustavo do Vale Rocha - não encontram consenso no governo.

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Beltrame é um nome rechaçado por auxiliares que dizem que ele trará ao Planalto "a sombra de Cabral", numa referência ao ex-governador Sergio Cabral, que está preso. Beltrame foi secretário de segurança de Cabral durante todo o seu governo e seguiu por mais alguns anos já com Luiz Fernando Pezão.

Contras. Dos argumentos contrários à criação da nova pasta, há quem diga que haverá um problema de descontinuidade nas ações e naturalmente um novo ministro e novos comandos tendem a postergar efetividade nas ações para a área.

Antes disso, o presidente deve receber do atual ministro da Justiça, Torquato Jardim, um projeto de Política Nacional de Segurança Pública. "Só depois disso é que acho que se deve deliberar se precisa ou não precisa de um ministério separado", ponderou o ministro no fim do mês passado, em entrevista ao Estadão/Broadcast.

Na avaliação de Torquato, que pretende continuar à frente de alguma das duas pastas na eventual divisão, há pelo menos um risco nessa separação: o "excesso de demanda na união". O ministro confirmou que, da forma como está sendo desenhada a divisão, deixaria a Polícia Federal no guarda-chuva da área de segurança.

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