CNBB diz que vai defender candidatos que 'não promovam mais violência'

CNBB diz que vai defender candidatos que 'não promovam mais violência'

Questionado sobre nomes que defendem mudanças em Estatuto do Desarmamento, entidade afirma que não se combate violência com violência

Amanda Pupo e Isabela Palhares, O Estado de S.Paulo

14 Fevereiro 2018 | 14h00

BRASÍLIA - No lançamento da Campanha da Fraternidade 2018, da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), o presidente da instituição, cardeal Sergio da Rocha, afirmou que a igreja quer candidatos comprometidos com a justiça social e com a paz, e "não aqueles que promovam ainda mais a violência". A manifestação ocorreu após o cardeal ser questionado sobre como a igreja irá se posicionar sobre os candidatos das eleições 2018 que defendem a liberação de portes de armas em alguns casos, por exemplo. 

"A Igreja está orientando os próprios eleitores, não substituindo suas consciências, mas ajudando a formá-las", afirmou o presidente da CNBB a jornalistas logo após a cerimônia de lançamento da campanha, que tem como tema "Fraternidade e a Superação da Violência". 

Com as presenças do secretário-geral da CNBB, dom Leonardo Steiner, da presidente do Supremo Tribunal Federal, ministra Cármen Lúcia, do secretário-executivo da Comissão Brasileira de Justiça de Paz, da CNBB, Carlos Moura, e do deputado federal Alessandro Molon (Rede-RJ), a solenidade foi marcada por discursos de alerta do poder público pela implementação de políticas públicas contra a violência. 

Durante o feriado de carnaval, o 18.º policial militar foi morto no Rio de Janeiro (RJ). Na cidade foram registrados diversos saques, arrastões e roubos, que foram destacados nos discursos das autoridades nesta manhã. 

DESARMAMENTO 

A campanha da CNBB reforça a importância do Estatuto do Desarmamento, o qual congressistas tentam alterar. "É um grande equívoco achar que superamos a violência recorrendo a mais violência", afirmou o cardeal Sergio da Rocha. O presidente da Câmara dos Deputados, por exemplo, Rodrigo Maia (DEM0RJ), é a favor de mudanças no estatuto.

Na apresentação do texto da campanha, o secretário-executivo da Comissão Brasileira de Justiça e Paz (CBJP) da CNBB, Carlos Moura, destacou que uma alteração do Estatuto teria consequências ainda mais drásticas para a comunidade negra, vítima dos maiores índices de violência do Brasil.

Molon também criticou o Legislativo, que, segundo ele, está mais preocupado em aumentar penas de crimes para proteger o patrimônio, e não de crimes que atentam contra a vida. Ele ainda afirmou que o carnaval deste ano foi "de violência e omissão". 

PREVIDÊNCIA 

Aos jornalistas, o presidente da CBNN também falou das reformas defendidas pelo governo federal. Segundo ele, a Igreja tem alertado sobre o que ele chamou de "perda de direitos sociais". "Não podemos admitir que mais pobres, mais vulneráveis, possam arcar com sacrifícios maiores quando se trata de reformas e mudanças sociais", afirmou.  

Para a CNBB,  a reforma da Previdência "escolhe o caminho da exclusão social". 

SÃO PAULO

Em São Paulo, em evento de lançamento da campanha, o cardeal dom Odilo Scherer disse que a campanha busca a superação de todo tipo de violência e que, neste ano eleitoral, se torna ainda mais importante combater a "violência institucional". "Se torna ainda mais importante um trabalho educativo e de conscientização para que a população não aceite nem apoie comportamentos e ideias violentas. É importante um trabalho nesse sentido", disse o cardeal.

Ainda segundo Scherer, as pessoas precisam "assumir sua responsabilidade" por atos violentos. "Não podemos apenas justificar a violência, precisamos compreender nosso papel na perpetuação dela. Não se pode justificar um ato violento por causa de outro, como a ideia de que 'roubo porque vivo num país corrupto'." 

Durante a missa, o cardeal disse aos fiéis que é preciso também se atentar e combater "violências sutis". "Existem formas de violencia tão sutis que muitas vezes nem nos damos conta. As fake news, notícias falsas, são mentiras, calúnias que têm efeitos gravíssimos. Prejudicam pessoas, ideias e sociedades", disse.

 

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