Edilson Rodrigues/Agência Senado
Edilson Rodrigues/Agência Senado

Randolfe Rodrigues pede na Justiça saída de Segovia

Em ação, senador da Rede afirma que permanência de diretor-geral na corporação configura 'ofensa à moralidade administrativa'

Amanda Pupo e Fabio Serapião, O Estado de S.Paulo

15 Fevereiro 2018 | 11h55

BRASÍLIA - O senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP) entrou com uma ação na Justiça em que pede a saída de Fernando Segovia do cargo de diretor-geral da Polícia Federal (PF). O pedido foi feito nesta quarta-feira, 14, na 22.ª Vara Federal Cível da Seção Judiciária do Distrito Federal (SJDF), por meio de uma ação popular. O processo já foi autuado, mas ainda não tem relatoria definida. Além dele, delegados ameaçam acionar o Supremo Tribunal Federal (STF) contra Segovia.

Além de citar a recente entrevista concedida por Segovia à agência de notícias Reuters, na qual o diretor indicou que a tendência é de que as investigações contra o presidente Michel Temer sobre o Decreto dos Portos sejam arquivadas, o senador afirma que a nomeação por Temer e a permanência de Segovia no cargo configuram "ofensa à moralidade administrativa" e "desvio de finalidade". 

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Randolfe argumenta no pedido que Temer nomeou Segovia "sob intensa suspeição a propósito de suas intenções nessa alteração de comando" da Polícia Federal. 

"Tal suspeição fundada se deu em razão de a cúpula do governo já não disfarçar sua insatisfação com o curso das investigações da chamada Operação Lava Jato, chegando o seu líder no Senado a manifestar a intenção de 'estancar a sangria' e de fazer 'um grande acordo nacional'", disse o senador, se referindo às gravações de conversas entre o senador Romero Jucá (MDB-RR) e o ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado.

Sobre a relação de Temer e Segovia, o senador ainda coloca que o diretor-geral da PF foi recebido algumas vezes, em "agendas não públicas", pelo presidente.

Também sobre o episódio, o senador recordou no pedido a fala de Segovia sobre o delegado Cleyber Malta Lopes, que conduz as investigações do inquérito dos Portos. Ao responder as 50 perguntas elaboradas pela PF, Temer reclamou da "impertinência" de alguns questionamentos. Sobre isso, o diretor-geral da PF disse, durante a entrevista, que a corporação poderia abrir uma investigação interna para apurar a conduta do delegado caso houvesse um pedido da Presidência - o que foi considerado inaceitável pelos colegas.  

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A reportagem entrou em contato com a assessoria da PF, mas não teve resposta até a publicação deste texto.

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