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ANDRE DUSEK|ESTADÃO

Procuradoria aponta 'despesas completamente incompatíveis' de Cunha

Faturas de cartões de crédito do deputado sustentam indícios de que presidente da Câmara se beneficiava de dinheiro proveniente do esquema de corrupção da Petrobrás, diz Ministério Público

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Isadora Peron e Beatriz Bulla,
O Estado de S.Paulo

04 Março 2016 | 21h11

A Procuradoria-Geral da República sustenta que um dos indícios de que o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), se beneficiava de dinheiro proveniente do esquema de corrupção da Petrobrás são as faturas dos cartões de crédito do deputado, com “despesas completamente incompatíveis” com a renda declarada por ele.

A denúncia sustenta que, apenas entre 5 de agosto de 2014 e 2 de fevereiro de 2015, a fatura do Corner Card, vinculado às contas na Suíça, apresentaram um gasto de US$ 156.275, 49, o equivalente a R$ 626.664,71. Os cartões eram usados por Cunha, sua mulher Cláudia Cruz e a filha do casal, Danielle.

Os gastos extravagantes, porém, começaram bem antes. Um dos exemplos apontados pela PGR é uma viagem de fim de ano que Cunha fez em 2012. Em apenas nove dias em Miami, o deputado gastou US$ 42.258, 00 – equivalente a cerca de R$ 169.545,58 – em restaurantes, lojas de grife e hospedagem.  A PGR destaca que, na época, Cunha declarou que ganhava um salário de R$ 17.794,76 por mês.

A lista de gastos em estabelecimentos de moda chama atenção: US$ 3.803,85 na Salvatore Ferragamo (sapatos), US$ 3.531,13 na Ermenegildo Zegna (roupa masculina), US$ 2.327,25 na Saks Fifth Avenue (loja multimarca) e US$ 1.595,30 na Giorgio Armani (moda feminina e masculina).

A peça também mostra que o peemedebista tem preferência por se hospedar em hotéis de luxo pelo mundo. Em Dubai, ele e a mulher escolherem o famoso Burj Al Arab, considerado um dos únicos hotéis sete estrelas do mundo. O total pago, em abril de 2014, foi US$ 5.927,23.

Outra conta salgada é de uma viagem que o parlamentar fez a Paris, em fevereiro de 2015, depois de assumir a presidência da Câmara. Lá ele gastou US$ 15.880,26 para se hospedar no hotel Plaza Athénée.

A procuradoria também faz uma relação dos gastos da mulher Cláudia e destaca que ela se declara como “dona de casa” nos documentos das contas na Suíça. Chanel, Prada e Louis Vuitton são marcas que aparecem com frequência no extrato do cartão dela. A filha do peemedebista, por sua vez, não abre mão de sapatos Christian Louboutin, famosos por seus solados vermelhos. 

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