Em nome da 'economia', aliados votam pelo arquivamento da denúncia

De acordo com seus discursos de 15 segundos ao declararem o voto, deputados votam pela continuidade das reformas

Fernando Nagakawa, O Estado de S.Paulo

02 Agosto 2017 | 20h07

BRASÍLIA - Deputados têm apenas 15 segundos para declarar o voto sobre o parecer que pede o arquivamento do processo contra o presidente Michel Temer. Nesse quarto de minuto transmitido ao vivo pela televisão, eles precisam declarar o voto e ainda tentam encaixar alguma argumentação ou aceno aos eleitores. No grupo de parlamentares que vota a favor do presidente Temer, a economia aparece como um dos temas mais frequentes como razão para o apoio à continuidade do governo.

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Quando a mesma Câmara votou o processo de impeachment que culminou na saída de Dilma Rousseff no ano passado, temas inusitados como os filhos, a revolução de 1932, o fim do comunismo e até Deus foram citados como motivo para a saída da ex-presidente petista. Agora, os que apoiam a continuidade do governo Temer escolhem temas mais racionais e citam assuntos como a economia.

“Estamos saindo de uma das mais graves crises da história. Voto sim”, disse o deputado Daniel Vilela (PMDB-GO). Assim como o goiano, vários outros parlamentares querem a continuidade do governo do peemedebista pela agenda econômica e as reformas estruturais em curso. “Para continuar as reformas, voto sim”, disse o deputado Toninho Wandschee (PROS-PR). “Pelo crescimento do nosso País, voto sim”, disse o deputado Nilton Capixaba que, apesar do sobrenome, é do PTB de Rondônia.

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A lista de argumentos continua com o deputado Hidekazu Takayama (PSC-PR), que defende Temer porque o presidente permitiu a retomada do crescimento. “Sou a favor do que está melhorando”, disse no microfone do plenário antes de votar pelo “sim” ao arquivamento do processo. “Pela indústria que está fazendo o emprego voltar a crescer, voto sim”, disse o deputado Lindomar Garçon (PRB-RO).

O apoio dos deputados às reformas econômicas passará a ser um dos principais temas da lista de prioridades do governo na continuidade do governo Michel Temer. A equipe econômica precisa do apoio do Congresso para apoiar uma ampla agenda de medidas e reformas, como a criação da nova Taxa de Longo Prazo (TLP) - que promete acabar com distorções nas operações de crédito do BNDES - e a reforma da Previdência - considerada essencial para a sustentabilidade das contas públicas no futuro.

Para a reforma previdenciária, porém, o governo precisa de um amplo apoio de dois terços do plenário de 513 deputados. Por isso, a votação desta quarta-feira é considerada um termômetro para entender a potencial força e capital político no caso de vitória do governo na votação.

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