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Novo advogado vê ‘tsunami’ contra Lula

- Atualizado: 14 Janeiro 2016 | 19h 46

Nilo Batista diz estar certo de que não haverá denúncia criminal contra o ex-presidente, mas alertou para o 'sentido político' das acusações que têm chegado ao público

RIO - Escolhido pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva para se juntar à equipe de advogados responsável por sua defesa, o criminalista Nilo Batista diz estar certo de que não haverá denúncia criminal contra principal líder do PT. Alertou, porém, para o “sentido político” das acusações que têm vindo a público com o avanço das Operações Lava Jato e Zelotes, da Polícia Federal.

“No fim, quando não pesar nenhuma acusação sobre o Lula, haverá um prejuízo político dramático”, afirmou Batista. Ele foi governador do Rio de Janeiro entre abril e dezembro de 1994, quando o titular Leonel Brizola (PDT) se afastou para disputar a Presidência da República.

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva
O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva

Nilo se associou aos advogados Roberto Teixeira e Cristiano Zanin em meados de dezembro para a defesa do ex-presidente e, desde então, disse ter se reunido “três ou quatro vezes” com Lula. Em delação premiada na Operação Lava Jato, o ex-diretor da Petrobrás Nestor Cerveró disse ter sido indicado por Lula para a diretoria financeira da BR Distribuidora, subsidiária da petroleira, em agradecimento pela contratação da Schahin Engenharia para operar no navio-sonda Vitória 10.000. A suspeita dos investigadores é que o contrato com a empreiteira foi uma compensação pelo fato de o Banco Schahin ter feito empréstimo de R$ 12 milhões ao pecuarista José Carlos Bumlai, amigo de Lula. O dinheiro, segundo Bumlai, serviu para saldar dívidas do PT.

Zelotes. Outro motivo de preocupação para Lula é a Operação Zelotes, que investiga esquema de compra de medidas provisórias para favorecer montadoras de veículos. Um dos filhos do petista, Luís Cláudio Lula da Silva, é dono da empresa LFT Marketing Esportivo, que recebeu R$ 2,4 milhões do escritório Marcondes e Mautoni Empreendimentos.

O empresário Mauro Marcondes é acusado de negociar a edição de uma medida provisória que prorrogou incentivos para montadoras. Luís Cláudio diz que o pagamento foi feito por serviços prestados na área de marketing esportivo. Em outubro, a LFT foi alvo de operação de busca e apreensão da Polícia Federal.

Nilo diz que Luís Cláudio tem atuação conhecida na área de marketing esportivo e reclama do que chama de “leviandade acusatória” contra Lula e sua família. O criminalista afirmou ter se juntado a Teixeira e Zanin para “ajudá-los a enfrentar esse tsunami, esse esforço artificial para tentar criminalizar o presidente Lula”.

“Acho que é uma causa muito importante para além do pouco que há nela de jurídico-penal. O principal é o sentido político de (tentativa de) neutralizar uma liderança política”, afirmou.

Segundo Nilo, "não há perspectiva de ação criminal concreta, o que existem são coisas imaginativas, tentativas fantasiosas e até ridículas de relacionar fatos". Nilo diz que cabia aos partidos indicar postos importantes como as diretorias da Petrobrás. “Quando se convida um aliado a participar, ele tem justa expectativa de exercer poder e os partidos decidem soberanamente. Querem transformar o Executivo em fiador das indicações, e isso não existe”, declarou.

Para o advogado, as informações de delações premiadas devem ser tratadas com "cuidado redobrado", pois “vêm de pessoas que terão penas muitíssimo diminuídas em troca de informações”. “O delator é recompensado. A tendência é falar o que os ouvidos de quem está inquirindo querem ouvir”, afirmou.

O criminalista reclamou do tratamento dado pela mídia às acusações feitas pelos acusados e do vazamento de informações sigilosas. "Há uma colisão séria entre a liberdade de comunicação, com a qual todos estamos de acordo, e a presunção de inocência e o direito a julgamento justo", declarou.

Nilo explicou por que decidiu não cobrar honorários de Lula. "Levo em conta a natureza da causa e do cliente. Integro o mesmo campo político do presidente Lula", afirma. Segundo ele, seu escritório não cobra honorários de cerca de 50 causas em andamento.

Questionado se a defesa de Lula pretende tomar alguma medida preventiva em relação ao ex-presidente, o criminalista repetiu que não há nada de concreto contra Lula. "Como em Pirandello, a defesa do presidente Lula é uma defesa à espera de uma acusação", brinca, referindo-se à peça "Seis personagens à procura de um autor", do italiano Luigi Pirandello.

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