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Dida Sampaio/Estadão

Cerveró liga decisão de Lula a empréstimo sob suspeita, dizem jornais

Em delação premiada, ex-diretor da Petrobrás disse que foi nomeado pelo então presidente após 'ajudar' o PT a quitar dívida

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O Estado de S. Paulo

12 Janeiro 2016 | 09h04

 

São Paulo - O ex-diretor da Petrobrás Nestor Cerveró relacionou uma decisão de Luiz Inácio Lula da Silva como presidente da República a um empréstimo considerado fraudulento pelos investigadores da Operação Lava Jato. Em depoimento no âmbito de sua colaboração premiada, Cerveró disse que Lula o nomeou diretor da BR Distribuidora “em reconhecimento” pela “ajuda” ao PT para quitar um empréstimo de R$ 12 milhões do banco Schahin. As informações e trechos do depoimento de Cerveró foram revelados nesta terça-feira, 12, pelos jornais Folha de S. Paulo e Valor Econômico.

O empréstimo citado por Cerveró foi contraído em 2004 pelo pecuarista José Carlos Bumlai, também preso por envolvimento na Lava Jato, e nunca pago ao banco Schahin. Bumlai afirmou em depoimento que metade do valor, R$ 6 milhões, teria sido usada para pagar o empresário Ronan Maria Pinto, dono de um jornal em Santo André, para que ele não revelasse detalhes sobre o assassinato do ex-prefeito Celso Daniel (PT). O pecuarista, no entanto, isentou Lula de envolvimento na negociação.

Em 2008, sob o comando de Cerveró, a área Internacional da Petrobrás aceitou contratar a Schahin Engenharia para a operação do navio-sonda Vitória 10.000. O valor do contrato era de R$ 1,6 bilhão. A contratação é vista pelos investigadores como uma forma de o PT compensar o grupo Schahin pelo empréstimo não quitado.

Cerveró disse que sua atuação no negócio gerou “um sentimento de gratidão no PT”. Após a negociação, ele foi nomeado por Lula como diretor financeiro e de serviços da BR Distribuidora, uma subsidiária da Petrobrás. Segundo Cerveró, a nomeação seria “um reconhecimento pela ajuda” ao ter “viabilizado a contratação da Schahin como operadora da sonda”. 

Em seu depoimento, Cerveró atribui ainda a Lula a decisão de conceder influência política ao ex-presidente Fernando Collor de Mello na BR Distribuidora.

Renan. O ex-diretor também disse que o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), negociou diretamente, sem intermediários, um suposto repasse de propinas oriundas da Petrobrás. Cerveró relatou aos investigadores da Lava Jato os detalhes de duas reuniões realizadas em 2009 e 2012, com a participação do peemedebista, nas quais o tema propina teria sido tratado. No mais recente desses encontros, Renan teria chamado Cerveró a seu gabinete e reclamado da “falta de repasse”. De acordo com relato de Cerveró, afirmou que não estava arrecadando propina na BR Distribuidora. Renan teria dito então que iria retirar o apoio político a ele.

Aos dois jornais que revelaram o teor do depoimento de Cerveró, o Instituto Lula afirmou que não iria comentar “vazamentos ilegais, seletivos e parciais de supostas alegações que alimentam o mercado de delações sem prova e em troca de benefícios”. O Palácio do Planalto não se manifestou.

Collor não respondeu aos contatos feitos pelos jornais. Renan, por meio de nota, negou ter participado das reuniões citadas por Cerveró e afirmou que “nega todas as imputações e esclarece que já prestou informações requeridas”.

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