'Ninguém vai me intimidar', diz Jucá sobre operação da PF

Ação policial investiga organização criminosa acusada de peculato, lavagem e desvio de verbas

Thiago Faria, O Estado de S.Paulo

28 Setembro 2017 | 11h05

BRASÍLIA - O líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), reagiu nesta quarta-feira, 28, à operação da Polícia Federal que teve seus filhos como alvo. "Ninguém vai me intimidar", disse ao chegar para uma reunião na presidência do Senado. O senador acusou a juíza responsável por autorizar a operação de "retaliação. "Isso é ação de uma juíza de Roraima, que está acionada no Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Portanto, é uma retaliação. Quando tiver os dados eu vou soltar uma nota", afirmou.

Líderes partidários estão reunidos para decidir se levam ao plenário da Casa a decisão do Supremo Tribunal Federal que afastou e determinou o recolhimento noturno do senador Aécio Neves (PSDB-MG). Questionado se considerava a operação como uma intimidação à ameaça de o Senado derrubar a decisão do STF contra Aécio, Jucá, demonstrando irritação, foi sucinto: "Deduzam".

A Polícia Federal em Roraima, em conjunto com a Receita Federal, deflagrou a Operação Anel de Giges, na manhã desta quinta-feira, 28, com o objetivo de investigar organização criminosa acusada de peculato, lavagem de dinheiro e desvios de verbas públicas.

Dois filhos e dois enteados de Jucá são alvo da operação.

+++ Marido de enteada de Jucá é preso por porte de fuzil; veja imagem

DEFESA

Veja abaixo a nota de defesa de Jucá:

"Repudio mais um espalhafatoso capítulo de um desmando que se desenrola nos últimos anos, desta vez contra minha família. Como pai de família carrego uma justa indignação com os métodos e a falta de razoabilidade. Como senador da República, que respeita o equilíbrio entre os poderes e o sagrado direito de defesa, me obrigo a, novamente, alertar sobre os excessos e midiatização.

Não tememos investigação. Nem eu nem qualquer pessoa da minha família. Investigações contra mim já duram mais de 14 anos e não exibiram sequer uma franja de prova. Todos os meus sigilos, bancário, fiscal e contábil já foram quebrados e nenhuma prova. Só conjecturas.

Em junho de 2016, foi pedida a prisão de um presidente de um poder, de um ex-presidente da República e de um Senador com base em conjecturas. Em setembro agora, por absoluta inconsistência jurídica, o inquérito foi arquivado. Desproporcional e constrangedor, esse episódio poderia ter sido evitado. Bem como poderia ter sido evitado o de hoje. Bastava às autoridades pedirem os documentos anexados que comprovam que não há nenhum crime cometido.

Recebo essa agressão a mim e a minha família como uma retaliação  de uma juiza federal, que, por abuso de autoridade, já responde a processo no Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Tornarei público  todos os documentos que demonstrarão a inépcia da operação de hoje."

 

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